sábado, dezembro 28, 2013

«Say a group of scientists asks for a meeting with the leading politicians in the country to discuss the introduction of a new invention. The scientists explain that the benefits of the technology are indisputable, that the invention will increase efficiency and make everyone's life easier. The only down side, they caution, is that for it to work, forty-thousand innocent people will have to be killed each year. Would the politicians decide to adopt the new invention or not? The class was about to argue that such a proposal would be immediately rejected out of hand, then he casually remarked, "We already have it - the automobile.» Earth First!

Livro-Obrigatório-para-Gerações-Hodiernas-e-Vindouras

http://monoskop.org/images/5/55/Ellul_Jacques_The_Technological_Society.pdf
«O estilo é uma permanente criação pessoal.» Manuel Rodrigues Lapa
- Foi a única mulher que conheci que não fazia jogo.
Estranha língua esta em que quem vai à raiz das coisas (um radical) ganhou conotação negativa; em que quem segue a razão (ortodoxo) tem palas no entendimento; em que desce até aos fundamentos é um extremista (fundamentalista). Em que se diz «infracção à lei» impunemente e ao mesmo tempo não se diz «quebra ao contrato»; em que se morre de sede e estranhamente se «morre à fome». Em que se diz filmes a cores e a preto-e-branco, mas não se diz «preencha/completa as linhas a branco».
- Não gosto de homens nem de mulheres, não sou hetero nem homo; gosto de pessoas. Sou bissentimental. Gosto de pessoas. Já amei fortemente um homem e já amei fortemente uma mulher - ela disse. - Podes não acreditar, mas quando falo com uma pessoa não sinto, não me lembro do género; ela cativa-me ou não. Isto é mais emocional e intelectual do que corporal. Para mim, a atracção física vem depois. Num estádio superior da espiritualidade, caminharemos para... - hesitou - isto! - sorriu. - Mesmo os homens, não há nenhuma explicação fisiológica para que o sexo anal seja apreciado apenas pela mulher; nenhuma, é tudo cultural, tudo socializado, imposto. Não se pode rebater este ponto; aliás, os homens pela ligação com a próstata e os testículos até têm maior propensão ao prazer anal.

Men without women

(Plágio de um título de livro.) Conheço alguns. Digamos: pessoas adultas que estão há mais de 15 anos sem uma mulher, sem um beijo. A maioria destes alguns desenvolveu fobia. Tem um medo, uma insegurança, que foge. Um ou outro teve um grande desgosto e nunca se recompôs. Um ou outro nunca experimentou e tem vergonha de com uma determinada idade mostrar a sua incompetência. Tenho quase a certeza de que não vão às putas. Alguns dos alguns masturbam-se com hologramas (pornografia). Uma minoria dos alguns nunca teve contacto com pele de mulher - e creio que a sua líbido morreu. (Se alguma vez existiu.) Fala-se pouco dos assexuados. Mas eles existem. E têm bem mais vergonha em se assumir do que um homossexual. Merecem uma grande ternura da minha parte. (Não consigo racionalizar isto, não é preciso racionalizar tudo.) Freud dizia que a única aberração sexual era a abstinência. Não sei. Prefiro a convivência com eles à com tarados, sôfregos ou machões.
Leitor(a), se te dissesse o nome, aposto 98 contra 2 em como o reconherias. Digamos que é alguém da esfera da arte, a que associas irreverência, essas coisas. É um rebelde no que defende. E não é hipócrita. Mas há uma certa forma de viver a vida - a forma mais íntima, a verdade pessoal, aquilo que se é descascadas todas as camadas. O que fulge no centro, o que não se desapega. Num certo sentido, é a pessoa mais conservadora que alguma vez conheci. Neste: não consegue deixar de ir sempre ao mesmo sítio; não consegue deixar de fazer sempre o mesmo percurso na estrada; tem a mesma companheira há um quartel; tem os meus amigos de adolescente não lhe subtraindo ou acrescentando um; tem pânico de trabalhar com alguém com quem nunca trabalhou por mais farto que esteja deste ou daquele, mudar é que nunca; veste-se da mesma forma desde que nasceu (uma vez, explicou-me que cria relações de afeição com peças de roupa e que ruças ou rotas não as abandona); tem o mesmo médico há trinta anos. Recordo-me de uma frase dele ao declinar um convite: «Não quero conhecer pessoas, nem uma, já conheci as suficientes e já escolhi as necessárias. Ponto.»
- Foi o dia mais triste da minha vida. Estive um dia sem conseguir dizer uma palavra, só chorava. Não consegues entender isto; não és mulher. Não há nada pior do que o momento em que sabemos que quem amamos foi pai de outra mulher. Estive dois anos no Inferno. Não, não era possível descer mais. Acredita, não era.

Grande entrevista

http://www.primitivism.com/kaczynski.htm «One thing I found when living in the woods was that you get so that you don't worry about the future, you don't worry about dying, if things are good right now you think, 'well, if I die next week, so what, things are good right now.' I think it was Jane Austen who wrote in one of her novels that happiness is alwavs something that you are anticipating in the future, not something that you have right now. This isn't always true. Perhaps it is true in civilization, but when you get out of the system and become re-adapted to a different way of life, happiness is often something that you have right now.»

sexta-feira, dezembro 27, 2013

A desidealização é como descobrir que a pessoa a quem unimos todos os átomos do nosso ser era afinal um desenho de uma vinheta de banda desenhada.
Desde cedo, ouço a palavra «ninfomaníaca» e, desde cedo, observando (ou julgando observar e errando) que havia mais «tarados sexuais» do que «taradas sexuais» (no sentido da adição sexual e não da parafilia). Depois de tanto me interrogar, dediquei-me a pesquisar. Satiríase (dos sátiros, como das ninfas, está tudo nos Gregos) é o equivalente masculino da ninfomania. (Nem se quer encontrei o adjectivo ou nome...) O machismo, claro. A mulher com número alto é puta. O homem com número alto é campeão. Digam o que disserem: isto mudou pouco. Ainda a propósito de ninfomaníacas, as únicas que conheci - assumidas - não têm condição - o verbo é «estar», não «ser». Em tempos, tiveram uma fase de ninfomania. Em acreditando no que me disseram, nenhuma gostava particularmente de sexo - quase antes pelo contrário. Uma dizia que o fazia para se sentir desejada, para se sentir unida, ligada (falta de amigos, abandonos de toda a espécie e pinta, pai distante e gélido), de algo modo importante. Acreditei - até porque acredito que não retirava prazer de masturbar um velho no autocarro e de ser penetrada sem preservativo por um sem-abrigo fedorento e imundo. A outra dizia que nunca tivera um orgasmo - andou muito anos com o seu primeiro e único namorado; um geek do xadrez, amorfo e assexuado - e procurou com uma miríade de homens prazer no sexo. Sem o conseguir.
«Pode-se falar da boa saúde mental de Van Gogh, que em toda a sua vida apenas assou uma das mãos e, fora isso, limitou-se a cortar a orelha esquerda numa ocasião. Num mundo no qual diariamente comem vagina assada com molho verde ou sexo de recém-nascido flagelado e triturado, assim que sai do sexo materno. E isso não é uma imagem, mas sim um facto abundante e quotidianamente repetido e praticado no mundo todo. E assim é que a vida actual, por mais delirante que possa parecer esta afirmação, mantém sua velha atmosfera de depravação, anarquia, desordem, delírio, perturbação, loucura crónica, inércia burguesa, anomalia psíquica (pois não é o Homem, mas sim o mundo que se tornou anormal), propositada desonestidade e notória hipocrisia, absoluto desprezo por tudo que tem uma linguagem e reivindicação de uma ordem inteiramente baseada no cumprimento de uma primitiva injustiça; em suma, de crime organizado. Isso vai mal porque a consciência enferma mostra o máximo interesse, nesse momento, em não se recuperar da sua enfermidade. Por isso, uma sociedade infecta inventou a psiquiatria, para se defender das investigações feitas por algumas inteligências extraordinariamente lúcidas, cujas faculdades de adivinhação a incomodavam. E o que é um autêntico louco? É um homem que preferiu ficar louco, no sentido socialmente aceite, em vez de trair uma determinada ideia superior de honra humana. Assim, a sociedade mandou estrangular nos seus manicómios todos aqueles dos quais queria desembaraçar-se ou defender-se porque se recusavam a ser cúmplices em algumas imensas sujeiras. Pois o louco é o homem que a sociedade não quer ouvir e que é impedido de enunciar certas verdades intoleráveis.» Artaud

they, all of them, know

ask the side walk painters of Paris ask the sunlight on a sleeping dog ask the 3 pigs ask the paperboy ask the music of Donizetti ask the barber ask the murderer ask the man leaning against a wall ask the preacher ask the maker of cabinets ask the pickpocket or the pawnbroker or the glass blower or the seller of manure or the dentist ask the revolutionist ask the man who sticks his head in the mouth of a lion ask the man who will release the next atom bomb ask the man who thinks he's Christ ask the bluebird who comes home at night ask the peeping Tom ask the man dying of cancer ask the man who needs a bath ask the man with one leg ask the blind ask the man with the lisp ask the opium eater ask the trembling surgeon ask the leaves you walk upon ask a rapist or a streetcar conductor or an old man pulling weeds in his garden ask a bloodsucker ask a trainer of fleas ask a man who eats fire ask the most miserable man you can find in his most miserable moment ask a teacher of judo ask a rider of elephants ask a leper, a lifer, a lunger ask a professor of history ask the man who never cleans his nails ask a clown or ask the first face you see in the light of day ask your father ask your son and his son to be ask me ask a burned-out bulb in a paper sack ask the tempted, the damned, the foolish the wise, the slavering ask the builders of temples ask the men who have never worn shoes ask Jesus ask the moon ask the shadows in the closet ask the moth, the monk, the madman ask the man who draws cartoons for The New Yorker ask a goldfish ask a fern shaking to a tapdance ask the map of India ask a kind face ask the man hiding under your bed ask man you hate the most in this world ask the man who drank with Dylan Thomas ask the man who laced Jack Sharkey's gloves ask the sad-faced man drinking coffee ask the plumber ask the man who dreams of ostriches every night ask the ticket taker at a freak show ask the counterfeiter ask the man sleeping in an alley under a sheet of paper ask the conquerors of nations and planets ask the man who has just cut off his finger ask a bookmark in the bible ask the water dripping from a faucet while the phone rings ask perjury ask the deep blue paint ask the parachute jumper ask the man with the bellyache ask the divine eye so sleek and swimming ask the boy wearing tight pants in the expensive academy ask the man who slipped in the bathtub ask the man chewed by the shark ask the one who sold me the unmatched gloves ask these and all those I have left out ask the fire the fire the fire — ask even the liars ask anybody you please at any time you please on any day you please whether it's raining or whether the snow is there or whether you are stepping out onto a porch yellow with warm heat ask this ask that ask the man with birdshit in his hair ask the torturer of animals ask the man who has seen many bullfights in Spain ask the owners of new Cadillacs ask the famous ask the timid ask the albino and the statesman ask the landlords and the poolplayers ask the phonies ask the hired killers ask the bald men and the fat men and the tall men and the short men ask the one-eyed men, the oversexed and undersexed men ask the men who read all the newspaper editorials ask the men who breed roses ask the men who feel almost no pain ask the dying ask the mowers of lawns and the attenders of football games ask any of these or all of these ask ask ask and they'll all tell you: a snarling wife on the balustrade is more than a man can bear. Bukowski

quinta-feira, dezembro 26, 2013

«One thing I found when living in the woods was that you get so that you don't worry about the future, you don't worry about dying, if things are good right now you think, 'well, if I die next week, so what, things are good right now.' I think it was Jane Austen who wrote in one of her novels that happiness is alwavs something that you are anticipating in the future, not something that you have right now. This isn't always true. Perhaps it is true in civilization, but when you get out of the system and become re-adapted to a different way of life, happiness is often something that you have right now.» idem sem ibidem
«Imagine a society that subjects people to conditions that make them terribly unhappy then gives them the drugs to take away their unhappiness. Science fiction? It is already happening to some extent in our own society. Instead of removing the conditions that make people depressed modern society gives them antidepressant drugs. In effect antidepressants are a means of modifying an individual's internal state in such a way as to enable him to tolerate social conditions that he would otherwise find intolerable.» Theodore Kaczynski

Um dos livros que pedem metade de uma vida para o decifrar

http://panorama-direitoliteratura.blogspot.pt/2010/10/james-joyce-parte-vi.html

«Conservador»

Uma palavra que Agostinho da Silva desmontou. «Sou conservador se é para conservar a sardinha, se é para conservar a lata, não sou.» Como pessoa culta, evitou o reducionismo - é tão estúpido o que é favorável a todos os ventos da modernidade (que muitas vezes são o regresso à barbárie, caso do actual nazismo económico e do totalitarismo-omnipresente-e-vigilante do digital) como ser contra só por ser contra. Como nas tradições - há os patetas que são contra todas só porque são tradições (e há boas tradições que se estão a perder, como a cultura humanista da Europa que é contrária em todo e qualquer caso à pena de morte e à tortura; e há os igualmente patetas que são contra tudo o que quebra a tradição que assimilaram acriticamente como se esta fosse um garante de uma qualquer proscrição divina e noutros tempos queimariam pretos, mulheres, defenderiam a escravatura. A palavra é muito redutora - por várias razões. Politicamente, hoje, tentar conservar o que temos - o Estado social, a Constituição, os direitos e liberdadades adquiridos - conquistou até um homem que em tempos foram de direita-direita, como Adriano Moreia e Miguel Esteves Cardoso (que se assumiu de extrema-direita, ipsis verbis. E contudo ninguém chama conservadores a quem está deste lado da barricada. Mais: muitos conservadores como Borges falavam de revolucionários de esquerda e de direita com igual abjecção - o que eles queriam era não mexer muito nas coisas - qualquer engenharia social resultaria mal. Borges: aderi ao Partido Conservador apenas por ser o único que evita extremismos. Por outro lado, muitas pessoas confundem a antinomia conservador - libertino na vida pessoal com aquilo que é a sua posição em relação ao Estado. Muitos de direita (e não vou nomear, mas sei) levaram vida mais próximas de Kerouac ou Ginsberg do que o menino de coro Louçã - e contudo a defesa de uma ideologia política merece a uns o rótulo de conservador e a outro de radical ou revolucionário troskista (não confundir com troikista). Pode ser-se defender que o Estado não criminalize a eutanásia, o aborto, as drogas e nunca aceitar na sua vida pessoa nenhuma destas opções. Etc., etc. E o contrário - há inúmeros exemplos de vidas decadentes até nos republicanos dos EUA. Nem chamo hipocrisia. Acontece. A vida tem muitas curvas, ambivalências.

Snowden pelo Natal

«Hoje temos sensores nos nossos bolsos, que nos seguem para qualquer lugar para onde formos. Pensem no que isto significa para a privacidade do cidadão médio.» «Uma criança nascida hoje crescerá sem nenhum conceito de privacidade. Nunca saberá o que significa ter um momento privado para si, um pensamento que não seja analisado ou registado.»