sábado, junho 30, 2012

E aí está ela...

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A revista da tasca!

Contrariando o princípio de Napoleão de que só se deve ter uma frente de guerra de cada vez.
«Sometimes people carry to such perfection the mask they have assumed that in due course they actually become the person they seem.»


Somerset Maugham em 1942

O dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
Quando quis tirar a máscara,
Estava pegada à cara.
Quando a tirei e me vi ao espelho,
Já tinha envelhecido.
Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado.
Deitei fora a máscara e dormi no vestiário
Como um cão tolerado pela gerência
Por ser inofensivo
E vou escrever esta história para provar que sou sublime

Fernando Pessoa por Álvaro de Campos em 1928



sexta-feira, junho 29, 2012

O surfista estava sempre a dizer:
- ´Tou-me a cagar p´à política...
- Caguem na política...
- Eu quero é surfar e que eu saiba a política não decide se o mar ´tá flat...
- Dass... Outra vez a falarem dessa merda.
Num almoço, à beira-mar, alguém lhe disse na minha mesa:
- Tu não te apercebes, mas muito do que falas é política. Quase tudo é política.
- ´Tá bem, fiquem lá a filosofar... - vestiu o fato, pôs o fato debaixo do braço e foi para o mar.
Depois disso, um dia queixou-se de que parte do mar estava vedado para surfistas, que era um escândalo, que nunca embatera em velhinhos e crianças.
Alguém disse:
- Sabes contra quem estás a fazer essa catilinária?
- Essa quê?
- Ouve, sabes quem decidiu isso? O município. Sabes que isso é uma medida política? Sabes que a tua conversa é toda ela política?

Pacheco Pereira escreveu que tudo o que fuja aos temas Amor, Morte, Deus é política.
Tenho um espírito combativo. Não deixo, contudo, de me interrogar se muitas das pessoas que lutam por um mundo melhor com fervor e zelo não ficariam profundamente entediadas se tudo aquilo por que pugnam fosse alcançado. Se o mundo melhor não seria para elas um local bem mais aborrecido.
Se o mundo fosse tal qual como desejariam - o que teriam de reinventar para acalmar os seus espíritos desassossegados? A bravata é para muitos um fim em si mesmo, um modo de vida. Como o Che que em certa altura disse estar saudoso de uma boa guerra em que pudesse voltar a dar tudo de si. Talvez todas as lutas sejam formas de aplacar a solidão.
- Não consigo, nem que quisesse conseguiria, ter fantasias com estranhos ou sequer desconhecidos. Posso estar enganada, mas vejo isso como um preenchimento ideal e pueril do que não se conhece com o que se quer; a idealização pincela com o pincel mais livre do mundo o branco do desconhecido. Preciso de conhecer bem a pessoa, preciso de uma consistência de conversas, de troca de olhares, de gestos para conseguir fantasiar - senão, parece-me tudo irreal e de papelão. É que por mais que queira, quando fecho os olhos, esses vultos não ganham a consistência da carne - não sei explicar de outro maneira. São sombras, coisas impalpáveis. A coisa só ganha espessura de desejo quando a pessoa entra em mim como pessoa - corpos per se nada me dizem. São como naturezas-mortas.

Talvez Deus esteja a ser crucificado
neste reino onde tudo se avalia
irmãos meus sem valor acrescentado

                               Manuel Alegre

Miguel Sousa Tavares afirmou recentemente numa entrevista que se vê obrigado a estudar economia porque 80% do jornalismo hodierno versa sobre questões económicas. Os teocratas não concebem que religião e Estado sejam organismos independentes, os novos tecnocratas impingem-nos a ideia de que economia e política são realidades indissociáveis e que a segunda se esgota na primeira, que se lhe antepõe. Já não há, querem-nos fazer crer, decisões políticas ou ideológicas, prioridades, escolhas – há uma política económica de aplicação global que não pode ser contestada. O delírio é tal, que uns jotinhas, certamente convictos de ser Montesquieu um jogador de futebol, já propuseram a peregrina ideia da criminalização dos agentes de políticas económicas erradas (no fundo, todas aquelas além da «política certa» que cintila nas suas cabecinhas). A política de um país não se resume a folha de Excel.
Se olharmos para os números macroeconómicos pós-tróica, vemos que a receita destes excelsos economistas só tem até agora conduzido ao desastre. Faz parte do caminho, respondem-nos os fideístas, a seguir iremos crescer. Iremos mesmo? E com que atropelos sociais pelo caminho? Teremos razões para confiar na ciência económica e nos economistas?
A London School of Economics and Political Science revelou que desde 1973, 69% e 55% dos ministros das Finanças na Grécia e em Portugal, respectivamente, têm um doutoramento em Economia, diploma desconhecido dos titulares da economia e das finanças em Inglaterra. No livro 23 Things They Don´t Tell You About Capitalism, Ha-Joon Chang demonstra como Taiwan, a China e a Coreia do Sul cresceram economicamente com advogados e engenheiros ao leme.
Se juntarmos duzentos economistas e lhes pedirmos um diagnóstico da situação económica de um país, teremos provavelmente duzentas opiniões diferentes. Os prognósticos dos economistas caracterizam-se, de resto, por uma singularidade: nunca acertam. Quem, além de Medina Carreira, o apelidado Profeta da Desgraça, previu que chegaríamos a este ponto? Quem previu a crise internacional na sua dimensão e extensão? Quem previu o estado actual da Europa? Ou o nível de desemprego a que Portugal chegou? E quem sabe como e quando sairemos disto? Recordemo-nos das palavras do ministro das Finanças em 2011: «2012 vai marcar um ano de viragem.» Silva Lopes, um economista dito avalizado e independente, garante que teremos de recorrer à ajuda externa lá para Setembro e que os sacríficios não estão a ser repartidos equitativamente por todos.
Em que ponto estão todos os economistas de acordo para que a economia mereça o estatuto de ciência? Os postulados da económica clássica assentaram sempre em dois pressupostos: os agentes económicos são racionais e (consequentemente) os mercados equilibram-se.

No final do decénio de 1960, Herbert Simon (prémio Nobel) fritou o cérebro de muitos economistas e academistas que haviam assimilado acriticamente o dogma de os agentes económicos serem racionais – a assunção que garantia o equilíbrio dos mercados.
Numa ruptura ideológica marcante, Simon desmontou a premissa essencial da ciência económica. Os agentes não só não eram racionais, porque movidos por impulsos, por emoções, por precipitações, como não dispunham em cada momento de toda a informação disponível para fazer a escolha económica certa.
Quarenta anos volvidos, a neurociência demonstra que as escolhas ditas racionais têm na origem uma decisão emocional encoberta. Um estudo recente dos EUA revelou que as pessoas que seguem a sua intuição afirmando no primeiro instante qual o vencedor de umas eleições ou quais as acções da bolsa que irão subir acertam mais do que as que ponderada e analíticamente elaboram uma decisão racional.
A economia não se pode desligar da psicologia, porque os seus indicadores são resultado da acção dos seres humanos, ditada pelas suas expectativas, anseios, desejos, vontades, inclinações, depressões.
Quando estudei Economia, aprendi que, em fases recessivas, deveria haver uma política económica contracíclica – que só com investimento público injectado na economia, esta poderia espevitar. Não acontece hoje exactamente o contrário?
Aprendi também que o PIB tem inúmeras limitações. As desigualdades, o respeito pelos direitos humanos, a preservação de um meio ambiente ecologicamente sadio, o património cultural não são objecto de mensuração desse instrumento sacrossanto. A uma pessoa sensata bastará pensar que os três estadistas que mais milhões mataram no século XX – Mao Zedong, Joseph Stalin e Adolf Hitler – tiveram resultados assinaláveis no crescimento do PIB.
O regime nazi contabilizava quanto custava um aluno surdo-mudo comparativamente a um aluno «normal». Hoje, calcula-se quanto custa um desempregado, quanto custa um velho, quanto custa um doente com hemodiálise.
Numa época tecnocrata em que tanto se alteiam especialistas, eis duas definições. «O especialista é um homem que sabe cada vez mais sobre cada vez menos, até acabar sabendo tudo sobre nada.» (George Bernard Shaw) «Especialista é um sujeito que só não ignora uma coisa.» (Millôr Fernandes) Quem só sabe de economia nem de economia sabe. 
Miguel Sousa Tavares diz que na sua casa se discutia muita política. O pai debitava conhecimento, estatísticas, números, factos, discursos, correlações, padrões passado-presente, contradições. A mãe avaliava os políticos pela sensibilidade - gosto da cara dele, não gosto da cara dele. Parece que a mãe intuía muita coisa, que as suas prospectivas se concretizavam. Conclui que é preciso conhecimento, factualidade - mas em doses não menos importantes: sensibilidade.
Muitas pessoas argumentam na base do facto - e isso deixa tanto de fora. A intuição. A perspectiva oriental, feminina é tão ou mais importante do que a análise cartesiana.
Quantas vezes ouço planos de negócios infalíveis, impossíveis de desmantelar e dizer: «Isso vai falhar», mas tendo a convicção íntima de que irá. Ou políticos retóricos com argumentos irrespondíveis que sabemos pela fácies estarem a levar-nos para algo pior. Ou comerciais que vendem produtos que temos mesmo racionalmente de adquirir - mas que sentimos por instinto que não o devemos fazer.
Lembro-me da lógica implacável dos comunistas bacteriologicamente puros retratados por Koestler. Sabemos que é tudo lógico e certo e algo nos repele - não aceitamos aquilo.
De resto, o mais importante na vida, coisas como «Porque é que devemos defender os direitos humanos?» nunca encontrarão um respaldo racional. Adere-se ou não se adere.

quinta-feira, junho 28, 2012

A maior parte dos socialistas limita-se a observar que, uma vez estabelecido o socialismo, seremos felizes num sentido material, e presume que todos os problemas desaparecem quando temos a barriga cheia. Mas a verdade é o oposto: quando temos a barriga vazia, o nosso único problema é a barriga vazia. É quando nos afastarmos da servidão e da exploração que começaremos realmente a fazer perguntas quanto ao destino do homem e quanto à razão da sua existência. Não podemos ter qualquer imagem de valor do futuro a não ser que tomemos consciência de quanto perdemos com o declínio do cristianismo.

George Orwell

Um euro esconde o outro


Se não diz tudo, o futebol diz todavia muito sobre a época que vivemos, nomeadamente sobre o que nela mais persistimos em ignorar. Sobretudo agora que, com a crise que atravessamos, ele faz do euro desportivo uma verdadeira catarse quotidiana do outro euro, monetário, económico e político. O intermitante júbilo que envolve um serve para tentar esconjurar a fatigante depressão que se colou ao outro. Depressão que hoje e amanhã o Conselho Europeu, reunido em Bruxelas, vai - em mais uma "cimeira decisiva" -, garantir que tudo fará para conseguir ultrapassar.
Nestes momentos de intensa futebolização do quotidiano, é indispensável sublinhar algumas ideias, que para mim há muito sintetizam o homo sportivus do nosso tempo. A primeira é que o desporto, e nomeadamente o futebol, se tornou num fenómeno global de índole quase religiosa, que se impõe a todos os povos, os sexos e as idades. Prova disto é o seu domínio do tempo: hoje em dia o calendário desportivo fixa uma liturgia que condiciona quase todas as outras temporalidades, sejam elas sociais, políticas ou escolares
A segunda ideia é que o desporto, ao mesmo tempo que minou os valores a que tradicionalmente se associava (o espírito lúdico, a camaradagem, a valorização pessoal, o respeito pelo adversário, a abnegação, etc.), passou a consagrar um único valor: a performance. Valor que traz consigo uma devastadora lógica mercantilista, de que todos os dias temos múltiplos exemplos, que excedem a mais fértil das imaginações.
Foi assim que o desporto, concebido como um singular contacto entre povos diversos, histórias autónomas, pessoas diferentes, tradições específicas ou valores contrastantes, praticamente desapareceu. E desapareceu justamente devido à sua consagração como prática massificadora, que o tornou cada vez mais inseparável do culto da cupidez, do dinheiro fácil, do sucesso que não olha a meios, da matriz de irresponsabilidade impune, fatores que têm conduzido as nossas sociedades aos tremendos problemas que hoje vivemos.
Seria pois bom que - como já uma vez escrevi - se pensasse a sério "na sociedade que se está a construir, quando os exemplos que se incensam até ao delírio são os de indivíduos que vivem numa abracadabrante ostentação, como se fossem deuses de um novo circo, gastando dezenas de milhares de euros numa noite de discoteca, exibindo um permanente carrossel de "scort girls" de luxo, circulando em automóveis de centenas de milhares de euros que estoiram sem um ai. Ao mesmo tempo que, na maior parte dos casos, raramente são capazes de uma iniciativa filantrópica, de um projeto mecenático, de um gesto solidário. Ou, mesmo, quantas vezes, de uma simples frase com sentido..."
A terceira ideia é que o desporto condiciona hoje o imaginário de todos os povos do planeta, impondo-lhes um conjunto cada vez mais uniforme de representações a partir das quais eles concebem quase toda a sua existência. Como oportunamente o explicou Robert Redeker, é no desporto que se concentram em mais alto grau os fatores de uma tal uniformização: o consumo desenfreado, o fetichismo das marcas, a pressão publicitária, o culto dos ídolos, a submissão aos media, a sloganização da linguagem, a histerização das multidões e o fanatismo da performance. Convergência que torna o desporto, e particularmente o futebol, no catalisador de uma humanidade cada vez mais unidimensional.
Por fim, uma quarta ideia é que a grande transformação em matéria desportiva se deu em meados do século XX, com dois acontecimentos: por um lado com o aparecimento da televisão, por outro lado com a emergência dos tempos livres. Foi esta convergência, do desporto com a televisão e com o lazer que definiu o fenómeno desportivo como hoje o conhecemos. Convergência que produziu um fenómeno de identificação cada vez maior entre as massas e o desporto, que toma a sua forma mais comum e mais intensa no futebol.
Pode-se pensar, e com bons argumentos, que a identificação de qualquer seleção desportiva e dos seus resultados com qualquer tipo de desígnio nacional não passa, na verdade, de um ritual mais ou menos oportunista. Pessoalmente, nunca identifiquei nenhuma dessas seleções com a minha pátria, talvez porque tenha uma ideia demasiado exigente e valiosa do meu país, na variedade dos seus cientistas, desportistas, médicos, escritores, pintores, engenheiros, gente comum, etc., para o fazer.
Mas é incontestável que esta identificação existe e que ela responde à necessidade que as nações têm de expressar a sua existência coletiva. Necessidade bem real, mas que tem sido paradoxalmente ignorada pela evolução do mundo contemporâneo, que tem abandonado os cidadãos, ora às angústias da atomização individualista, ora às ansiedades da globalização planetária.
Necessidade que, como bem vemos mais uma vez com o Euro 2012, se manifesta sobretudo quando está em jogo o espírito nacional, ou o que resta dele. O que acontece é que os jogadores acabam por representar - apesar de oriundos dos mais diversos clubes do mundo, a que toda a gente os associa imediatamente - uma espécie de identidade polifacetada, em declinação constante, que vai remetendo para diferentes entidades (equipas, cidades, marcas, etc.), mas que acaba sempre reconduzida à da representação nacional, propiciando assim uma das poucas experiências que, hoje, ainda permite o vibrar coletivo das nações e tornar visível a sua existência.
O sucesso de tudo isto deve-se, claro, à sua transmissão televisiva em direto, ao suspense mediático que artificialmente se alimenta dias a fio, e ao facto de tudo ser encenado como se de um "teatro da igualdade" se tratasse, em que se vão apurando os mais capazes entre iguais, até à decisão final. Agustina Bessa-Luís viu bem isto há anos, num texto magnífico que vale a pena ler e reler: "Se não fosse por estes espetáculos, em que o indivíduo é assobiado, escarnecido, vaiado, aplaudido e abandonado pela multidão, não se mantinha a consciência do mundo que nos cerca. E onde seríamos apenas um ser relativo sem a curiosidade assustadora que faz de nós uma surpresa, ia a dizer divina. Digo: divina. O medíocre transforma-se em herói; resolve-se no furioso trabalho do peito, dos ombros, dos pés. O homem resigna do seu mandato realista, abandona o seu sofrimento, e muda de natureza. Nalguns segundos percorre uma vida. O relvado é o mundo inteiro: vencê-lo representa um inferno de dor, de combate, de deceção. O jogador sente-se demasiado pequeno para si próprio; mas o orgulho corre ao lado dele, levanta-o da sua humilhação, das suas quedas, dos seus erros. O fantástico acode à sua mente; a multidão admite o fantástico e sequestra o homem no retângulo do jogo para que ele opere o fantástico" - e assim se atinge o esplendor na relva do homo sportivus.


Manuel Maria Carrilho

quarta-feira, junho 27, 2012

Passou a anos a falar da colega de trabalho que lhe infernizava o trabalho. A vida, em certa altura. Mesquinha, autoritária, intriguista, carreirista, cabra. (Que episódios contava, até tinha vontade de ir lá ao escritório.)
E de repente:
- A minha raiva curava-se se eu estivesse no lugar do namorado dela.
Fiquei boquiaberto.
- Sim, melhor do que ela não há.
Lembrei-me das patifarias de Hemingway a Fitzgerald, dos escritos contra a sua escrita, da depreciação de tudo que Scott escrevia. Gertrude Stein, amiga de ambas, conselheira e protectora de ambos, disse que Hemingway tinha uma pedra no sapato contra o talento de Scott Fitzgerald
E um dia, em letras mais pequenas, numa catilinária contra ele, deixa escapar:
«O seu talento era tão natural como os desenhos do pólen formados nas asas de uma borboleta.»

Não fosse crente, pensaria assim

Muitos são os chamados, mas poucos os escolhidos.

Jesus Cristo
Ele estava cada vez melhor. Ele estava cada vez pior. A amizade ficou maculada pela inveja, ainda que ele nada tivesse a apontar-lhe - algo que só o enfurecia ainda mais. Deseja febrilmente que ele tivesse um tropeção. Uma boa maneira de não nos sentirmos mal na merda é ver os outros a deslizarem para a merda. (Para alguns, pelo menos.)
Muita boa da parte da esquerda com quem privo só gosta do povo (um conceito impreciso) no abstracto.
Por mais escrupuloso que seja o jogador, é inevitável que a sua vida seja um assistir de amizades masculinas progressivamente tombadas. Quando as paixões ou as namoradas dos amigos se apaixonam, ninguém acreditará que ele não teve culpa.
- Quero estar sozinho, aliás, não quero estar sozinho, quero estar comigo. Todos, penso eu, precisamos da nossa ração de fechar a porta do quarto e ficarmos sozinhos a ouvir música.
«A literatura faz de nós melhores observadores da vida; e permite-nos exercitar o dom na própria vida; que por sua vez nos torna mais atentos ao detalhe na literatura; que por sua vez nos torna mais atentos ao detalhe na vida. E assim sucessivamente.»


James Wood
«Que prazer fazer a vida a pé. Sair de casa, dar dois passos, comprar o jornal e lê-lo enquanto se toma o pequeno-almoço na esplanada [...] É um sedentarismo andarilho.»

Miguel Esteves Cardoso

Da ciência hodierna

A pele de um vegetariano exsuda um aroma mais agradável.

Os três países europeus que comem mais carne são os que apresentam maior número relativo de cancros.

Nas espécies herbívoras, o cancro é residual.

Conversas na Rua do Alecrim

- Foda-se, viste aquilo?
O outro olha para os lados.
- Ali...
- Eh, pá, não é nada de especial... Não tem mamas.
- És muita esquisito. Já comi pior e a pagar.