segunda-feira, maio 28, 2012

Questionável como qualquer lista

The Top Ten: Writers Pick Their Favorite Books asks 125 of modernity’s greatest British and American writers — including Norman Mailer, Ann Patchett, Jonathan Franzen, Claire Messud, and Joyce Carol Oates.


Top Ten Works of the 20th Century
1. Lolita by Vladimir Nabokov
2.The Great Gatsby by F. Scott Fitzgerald
3. In Search of Lost Time by Marcel Proust
4. Ulysses by James Joyce
5. Dubliners by James Joyce
6. One Hundred Years of Solitude by Gabriel Garcia Marquez
7. The Sound and the Fury by William Faulkner
8. To the Lighthouse by Virginia Woolf
10. Pale Fire by Vladimir Nabokov
Top Ten Works of the 19th Century
1. Anna Karenina by Leo Tolstoy
2. Madame Bovary by Gustave Flaubert
3. War and Peace by Leo Tolstoy
6. Middlemarch by George Eliot
7. Moby-Dick by Herman Melville
8. Great Expectations by Charles Dickens
9. Crime and Punishment by Fyodor Dostoevsky
10. Emma by Jane Austen


Ninguém é tão ofensivo a falar de escritores como um escritor

«[...] in these latter days I couldn’t stand the sight of Celts, English, Politicians, Strangers, Virginians, Negroes (light or dark), Hunting People, or retail clerks, and middlemen in general, all writers (I avoided writers carefully because they can perpetuate trouble as no one else can) [...]» Francis Scott Fitzgerald

Ninguém é tão ofensivo como um escritor a falar de outro escritor

«Eu não gosto nada do Fernando Pessoa, acho-o um chato. Acho-o um chato, é um gajo que, como dizia a Maria Velho da Costa noutro dia... Aliás o Fernando Pessoa é um heterónimo do João Gaspar Simões, na minha opinião. Ela dizia que isto é um país de idiotas, em que as pessoas pensam que a tristeza é uma forma de inteligência, quando não é nada, é uma forma de estupidez! Portanto, o Pessoa é um gajo do caraças... [...] Como é que um homem que nunca trepou pode ser bom escritor? A mim me aborrece. Não é um escritor que eu admire, como admiro Camões, por exemplo. Eu acho meio chato. Mas dizer isso é herético porque Pessoa foi um bocado santificado e o mundo está cheio de viúvos de Pessoa, mulheres e homens. Não é um escritor que me entusiasme muito. Quando João Cabral esteve aqui como cônsul do Porto ele causou um escândalo enorme ao dizer que preferia Cesário Verde a Pessoa. Entendo o que ele queria dizer com isso. Álvaro de Campos é Walt Whitman, o heterónimo me faz lembrar quadra popular de cravo de papel, Ricardo Reis é todo imitado de Horácio. [...] Eu não sou um grande amante do Quixote, como não sou do Fernando Pessoa, de quem tenho as maiores reversas, e penso que o tempo acabará por me dar razão. Acho o Livro do Desassossego um amontoado de lugares comuns. Não é isso que os deuses cantam, não é assim que os deuses falam.» António Lobo Antunes

domingo, maio 27, 2012

Ninguém é tão ofensivo como um escritor a falar de outro escritor

«I have tried lately to read Shakespeare, and found it so intolerably dull that it nauseated me.» Charles Darwin

Ninguém é tão ofensivo com um escritor a falar de outro escritor

sábado, maio 26, 2012

Da melhor livraria e do melhor livreiro (André) de Portugal 4

Já me acontecera o mesmo tantas vezes. O livro não existe. Na Bertrand, na FNAC, em qualquer livraria. Nem nos registos do computador. Desta vez, Casanova. Os livreiros desconhecem o italiano, um até me afirmou: «Ele nunca foi traduzido em português.» Digo-lhe que há dois livros em português de Portugal (dois livros menores que desconhecem serem excertos menores de Memórias) e que Memórias (a sua magnum opus) está traduzido integralmente em português do Brasil. Vou a Lácio e, sem computador, o André num minuto, no meio de dezenas de milhares de livros, passa-me Uma Aventura Amorosa da Arcádia. É sempre lá que encontro o que me dizem não existir. Nem no Wook. Claro está que o livro (também ele um excerto de Memórias) é muito superior aos outros dois editados em Portuga (um deles enfiado no meio de uma coleção «erótica» pindérica que vem com a Visão que mistura o não misturável), quer na escolha do texto, quer na tradução. Na Lácio, sucedem-me milagres. Estou calmamente a ver os livros, pegando neles, abrindo-os, e, em certa altura, o telefone toca. O André atende. «Quer as profecias de Nostradamus?» Eu estou com o livro na mão, uma probabilidade de um em cinquenta mil.

Da melhor livraria e do melhor livreiro (André) de Portugal 3

http://www.clubalice.com/index.php?file=1&id=3852

Da melhor livraria e do melhor livreiro (André) de Portugal 2

O LIVREIRO DE LISBOA, O ESCRITOR AMERICANO E OS SONHOS DE INVERNO «A viver e a trabalhar no mundo dos livros há mais de cinquenta anos, o senhor André, da Livraria Lácio, antiga 111, no Campo Grande, é um dos últimos verdadeiros livreiros de Lisboa. Alguém que conhece os livros, os autores, as edições. Sem um catálogo à sua frente, informa-nos do que se publicou ao longo do século XX. Sem catálogo, sem computador (aparato que nunca entrou, e, creio, nunca entrará na sua livraria), ele sabe onde se encontram os "seus" e os livros dos "outros", quem os escreveu, quem os editou. Às vezes, não chega imediatamente ao que se pretende, mas não desiste: "Deixe-me ver, esse livro teve uma primeira edição logo a seguir à Guerra, aí por finais dos anos quarenta..." E enquanto investiga na prateleira, vai-nos contando coisas do autor, coisas da época em que o livro foi escrito, uma história sobre o editor que o publicou. E quando pensamos que ele se tinha esquecido do nosso pedido, ei-lo com o livro na mão. Ou com a informação: "Tive-o cá durante muito tempo, mas vendi-o na semana passada. Vou ver se tenho outro exemplar no armazém, mas não me parece." E quando sabe que o comprador é alguém nosso conhecido, ele sugere: "Conhece Fulano, não conhece? Por que é que não lho pede emprestado?" Não sei se devolve os livros aos distribuidores, pois vejo os seus fundos editoriais em permanente expansão. Mas a sua livraria não vive só dos livros que vão saindo, também se alimenta dos livros usados, que ele adquire e reabilita com o carinho de um verdadeiro bibliófilo. Um dia ,perguntei-lhe quantos livros teria na sua livraria, pergunta a que ele não soube responder. E como eu insistisse e aventasse um número (quarenta mil, não?), ele hesitou: "Aqui na livraria, não, mas com os do armazém..." Foi a primeira vez em que não me conseguiu dar uma informação precisa sobre livros. Na sua livraria, não se utilizavam, até há muito pouco tempo, cartões bancários. Quando se comprava, pagava-se em dinheiro ou passava-se um cheque. Mas quando não se dispunha nem de uma coisa nem de outra, ainda poderia haver uma solução: ficava-se a dever, pois existia (e, penso que ainda existe) um livrinho de assentos dos fiados, pelo menos para os clientes mais fiéis. Como ele conhece os meus gostos literários, reserva-me os livros de contos que vai adquirindo nas bibliotecas que arremata: "Veja se lhe interessam estes livros que me chegaram. Não creio que já lhos tenha vendido." E, como sempre, ele está certo. E foi assim que comprei alguns livrinhos de contos de autores americanos, publicados, nos anos cinquenta, sessenta, por editores portugueses. Entre eles, os "Sonhos de Inverno", de Scott Fitzgerald, editado pela Portugália, em 1965. E fiquei maravilhado. Eu já conhecia outros contos do autor, além dos romances clássicos, "O Grande Gatsby", "Terna é a Noite", mas nunca tinha lido aqueles continhos. O título da obra - "Sonhos de Inverno" - é o título do primeiro conto, mas podia aplicar-se a qualquer um dos cinco textos que a constituem. As histórias são diferentes, envolvendo personagens, locais e situações diversas, mas, em todas elas, a mulher tem um papel central. E, em quase todas, ela tem um estatuto de superioridade - moral, social, psicológica - em relação ao homem, que se limita a gravitar na sua órbita, em dependência do amor que ela lhe possa conceder. Em quase todas, pois em "Um Caso de Alcoolismo", a enfermeira que assiste ao doente famoso e tudo faz para lhe poder valer, depara-se com uma barreira que a sua solicitude não consegue transpor. É uma história forte, em termos temáticos, mas, a meu ver, a menos conseguida sob o ponto de vista da construção literária. Talvez porque se opera, nela, uma inversão de papéis, pois a mulher desempenha, aqui, o papel que, nas outras histórias, compete ao homem, o que fragiliza a caracterização das personagens e compromete a dramaticidade da acção. "Sonhos de Inverno", os sonhos que se constroem no Inverno de todas as esperanças e que nos confortam com o calor da afectividade que permanece para além das contrariedades, da frustração da sua não concretização. E é exactamente essa capacidade de sonho para além da frustração que torna Scott Fitzerald um dos grandes construtores de personagens e situações da literatura americana. Por vezes, considera-se Fitzerald como um dos precursores do existencialismo em literatura. Admitamos que sim, mas apenas na medida em que resistir é existir. Ora, também o meu ilustre amigo e livreiro, o senhor André, é um sonhador, sonhador descontente, decepcionado pelo que se passa no mundo da cultura em que vivemos. Mas que não desiste: continua a viver, sete dias por semana entre os seus livros, continua a promover os livros, continua a estar atento aos interesses dos seus amigos-clientes, continua a partilhar do prazer que os "seus" livros dão àqueles que os lêem: "Ah, sim... gostou dos "Sonhos de Inverno"? Fico muito contente!" E aquele que continua a sonhar no Inverno do seu descontentamento é alguém que continuará a existir, para além de todas as vicissitudes, de todas as contrariedades do viver quotidiano.» ALBANO ESTRELA

Da melhor livraria e do melhor livreiro (André) de Portugal 1

«Em 1742, um músico alemão, que vivera quatro anos em Itália, estreou em Dublin uma obra em inglês sobre uma história passada em Jerusalém e partilhada por todo o continente. A obra, a que o letrista chamou "entretenimento", teve grande êxito junto de "instruídos e iletrados", escreveu alguém que assistiu à estreia. O autor apresentou-a depois em Londres 36 vezes. Passados 268 anos, o Messias, de Handel, faz parte do quotidiano e de sempre. Vem de um tempo em que existia uma Europa cultural e até política, dividida, mas una. Hoje, reduzida às couves de Bruxelas e ao entusiasmo norueguês pelo Festival da Canção, a Europa definha. Bento XVI tem razão.» O Eduardo Cintra Torres escreve isto a propósito de uma merda qualquer, servida às postas pela RTP durante a semana. Mas serve-me para, da música de que ele fala (a séria e não a grunhida, pelos vistos, na Noruega) passar para os livros. "Instruídos e iletrados", nos dias de hoje, mal se distinguem. Todas as infames bestas que conheço, acumulam e coincidem - são instruídos e iletrados. Ontem, ao fim da tarde, fui à Livraria Lácio buscar um livro esgotado nos centros comerciais da "especialidade". E fiquei à conversa com o Sr. André. A conversa passou por cá, pelo Brasil, por talhos que outrora foram editoras, por Vergílio Ferreira, pelos cinquenta anos da Presença, por Sena, por Fernando Guedes, por Manuel Brito, enquanto lá fora, no Campo Grande, passavam bandos de corvos agarrados aos copos de plástico com cerveja. Imagino que nem sequer dez dos milhares de "alunos" das universidades das redondezas terão entrado na Lácio ao longo de um ano lectivo. Aquilo não é sítio para putas, femininas ou masculinas, formadas ou deformadas. É um espaço de dignidade e de humanidade, de amor aos livros como poucos já existem, onde as vendas mal dão para pagar a luz. A luz da poltrona edp e não a «pequenina luz" do poema de Jorge de Sena que pessoas como o Sr. André teimam não deixar extinguir. Bem haja.»
http://portugaldospequeninos.blogspot.pt

Ninguém é tão ofensivo como um escritor a falar de outro escritor

«A hack writer [Mark Twain] who would not have been considered fourth rate in Europe, who tricked out a few of the old proven sure fire literary skeletons with sufficient local color to intrigue the superficial and the lazy.» William Faulkner

Ninguém é tão ofensivo como um escritor a falar de outro escritor

«My great adventure is really Proust. Well-- what remains to be written after that? I’m only in the first volume, and there are, I suppose, faults to be found, but I am in a state of amazement; as if a miracle were being done before my eyes. How, at last, has someone solidified what has always escaped--and made it too into this beautiful and perfectly enduring substance? One has to put the book down and gasp. The pleasure becomes physical--like sun and wine and grapes and perfect serenity and intense vitality combined. Far otherwise is it with Ulysses; to which I bind myself like a martyr to a stake, and have thank God, now finished-- My martyrdom is over. I hope to sell it for £4.10» «I have been amused, stimulated, charmed interested by the first 2 or 3 chapters--to the end of the Cemetery scene; & then puzzled, bored, irritated, & disillusioned as by a queasy undergraduate scratching his pimples. And Tom, great Tom, thinks this on a par with War & Peace! An illiterate, underbred book it seems to me: the book of a self-taught working man, & we all know how distressing they are, how egotistic, insistent, raw, striking, & ultimately nauseating. When one can have cooked flesh, why have the raw? But I think if you are anaemic, as Tom is, there is glory in blood. Being fairly normal myself I am soon ready for the classics again. I may revise this later. I do not compromise my critical sagacity. I plant a stick in the ground to mark page 20.» «The book [Ulysses] is diffuse. It is brackish. It is pretentious. It is underbred, not only in the obvious sense, but in the literary sense.»
«When you come in from the factory with your hands and your body and your mind ripped, hours and days stolen from you, you can become very aware of a fake line, a fake thought, of a literary game.» Charles Bukowski

sexta-feira, maio 25, 2012

Pressionar para aumentar

quinta-feira, maio 24, 2012

- Angel, trocar de namorada demora anos. E quando começo uma nova relação, a outra pessoa ainda está em mim como seiva. Não me faz sentido - tanto tempo a criar nomes privados, piadas privadas, a partilhar alegrias, neuras, a lutar pelo bem-estar de alguém, a conhecer a respiração, a percorrer com dedos os continentes da pele em rectas e curvas e semiluas; nada para mim é mais doloroso do que abandonar a alma, o riso, os cabelos, o encaixe sexual, a compreensão das idiossincrasias, aquelas três pessoas que são ela-em-mim, o-eu-que-imagino-nela, o ela-que-eu-imagino-que-ela-imagina-em-mim. O amor requer tempo e quando acaba é...
- Angel, estive à procura dos gajos que odiava no secundário - regra geral, os melhores alunos e os que tinham mais popularidade e eram mais estilosos e com mai miúdas -, estive à procura dos nomes na Internet e no Facebook, contentando-me aqui e ali com estarem carecas, não terem grandes empregos - não consegui deixar de ficar muito feliz.
Vantagens de viver sozinho: pode ler sossegadamente e ouvir debates interessantes sem conversas da treta enquanto ruído de fundo.

Ninguém é tão ofensivo como um escritor a falar de outro escritor

«Saramago interessa-me menos do que o Miguel Sousa Tavares. Porque o Miguel Sousa Tavares, ao menos, é genuíno. Tudo o que se possa dizer dele, eu disse. Mas é genuíno. O Saramago é uma derivação da literatura da América Latina. Mas ele não nasceu nas Caraíbas! É uma pena. Aquilo era uma prosa admissível nas Caraíbas. É admissível nas Caraíbas ou num português que tivesse vivido a vida inteira nas Caraíbas. Mas assim não faz sentido nenhum...» «O José Saramago pensa tão mal como escreve. Faz maus romances e não percebe nada de política.» «Saramago é um escritor pouco interessante e nada original (o Nobel, um prémio político, não garante a qualidade) e a ideia do voto em branco, além de conformista, é eminentemente estúpida.» «O problema com o furor que provocaram os comentários de Saramago sobre a Bíblia (mais precisamente sobre o Antigo Testamento) é que não devia ter existido furor algum. Saramago não disse mais do que se dizia nas folhas anticlericais do século XIX ou nas tabernas republicanas no tempo de Afonso Costa. São ideias de trolha ou de tipógrafo semianalfabeto, zangado com os padres por razões de política e de inveja. Já não vêm a propósito. Claro que Saramago tem 80 e tal anos, coisa que não costuma acompanhar uma cabeça clara, e que, ainda por cima, não estudou o que devia estudar, muito provavelmente contra a vontade dele. Mas, se há desculpa para Saramago, não há desculpa para o país, que se resolveu escandalizar inutilmente com meia dúzia de patetices. Claro que Saramago ganhou o Prémio Nobel, como vários "camaradas" que não valiam nada, e vendeu milhões de livros, como muita gente acéfala e feliz que não sabia, ou sabe, distinguir a mão esquerda da mão direita. E claro que a saloiice portuguesa delirou com a façanha. Só que daí não se segue que seja obrigatório levar a criatura a sério. Não assiste a Saramago a mais remota autoridade para dar a sua opinião sobre a Bíblia ou sobre qualquer outro assunto, excepto sobre os produtos que ele fabrica, à maneira latino-americana, de acordo com a tradição epigonal indígena. Depois do que fez no PREC, Saramago está mesmo entre as pessoas que nenhum indivíduo inteligente em princípio ouve. O regime de liberdade, aliás relativa, em que vivemos permite ao primeiro transeunte evacuar o espírito de toda a espécie de tralha. É um privilégio que devemos intransigentemente defender. O Estado autoriza Saramago a contribuir para o dislate nacional, mas não encomendou a ninguém - principalmente a dignitários da Igreja como o bispo do Porto - a tarefa de honrar o dislate com a sua preocupação e a sua crítica. Nem por caridade cristã. D. Manuel Clemente conhece com certeza a dificuldade de explicar a mediocridade a um medíocre e a impossibilidade prática de suprir, sobre o tarde, certos dotes de nascença e de educação. O que, finalmente, espanta neste ridículo episódio não é Saramago, de quem - suponho - não se esperava melhor. É a extraordinária importância que lhe deram criaturas com bom senso e a escolaridade obrigatória.» «Em 1992, Sousa Lara, sub-secretário de Estado da Cultura, resolveu impedir que um livro de Saramago, o Evangelho segundo Jesus Cristo, concorresse ao Prémio Europeu de Literatura, segundo parece para defender a "moral cristã". Sousa Lara, que os portugueses já conhecem (e que sem dúvida merece a nossa cristianíssima piedade), prestou com isso um enorme serviço a Saramago. Uma perseguição destas vale cem mil prémios de literatura e o perseguido, com o seu génio para se auto-promover, o único que incontestavelmente tem, não perdeu a oportunidade. Primeiro, como manda a regra, vociferou e, a seguir, partiu para um exílio voluntário, explicando que a Pátria o rejeitara. A alegação era ridícula. A Pátria em massa comprava o Evangelho, quanto mais não fosse por causa do escândalo. Só Sousa Lara e, por implicação, o governo se consideravam ofendidos pelas banalidades daquela pindérica "blasfémia". Mas Saramago queria, de resto com razão, um palco maior e, como aconselhava Cavaco, resolveu que chegara a altura de se "internacionalizar". E conseguiu: o "charme" de vítima ajudou. No fundo, no fundo, o nosso homem deve o seu Nobel à providencial burrice do pobre Sousa Lara.» Vasco Pulido Valente

Ninguém é tão ofensivo como um escritor a falar de outro escritor

«Nobody can be more clownish, more clumsy and sententiously in bad taste, than Herman Melville, even in a great book like 'Moby Dick' [...} One wearies of the grand serieux. There's something false about it. And that's Melville. Oh dear, when the solemn ass brays! brays! brays!» D. H. Lawrence
«Consigo expulsar a alma. E a vida não me dói.» Sá-Carneiro