segunda-feira, setembro 12, 2011

Seria cómico se não fosse trágico

reque-reque

Significado de Reque-reque

m.
Instrumento de fricção, usada por pretos.
(T. onom.)



Foder

Significado de Foder

foder ch (lat futuere) vint e vti 1 Copular, meter: Pedro fode todos os dias; Pedro fode com qualquer mulher. vtd 2 Prejudicar: O Governo quer é foder o povo. vpr 3 pop Sair-se mal: Trabalhe bem, senão você se fode.

Definição de Foder

Classe gramatical de foder: Verbo
Separação das sílabas de foder: fo-der
Possui 5 letras
Possui as vogais: e o
Possui as consoantes: d f r
A palavra Foder escrita ao contrário: redof

Exemplo com a palavra foder na imprensa

A cantora, então, comentou: "Imagina, uma mulher como a Hebe, com a história dela, ter sido tratada assim (de forma desrespeitosa) pelo Silvio Santos... Você foi um escroto com Hebe, Silvio Santos, um escroto... E vá se foder!" Folha de São Paulo, 08/03/2010

Conjugação do verbo foder

Tipo do Verbo: regular
Infinitivo: foder
Gerúndio: fodendo
Particípio Passado: fodido

Indicativo
  • Presente do Indicativo
    eu fodo
    tu fodes
    ele fode
    nós fodemos
    vós fodeis
    eles fodem
  • Imperfeito do Indicativo
    eu fodia
    tu fodias
    ele fodia
    nós fodíamos
    vós fodíeis
    eles fodiam
  • Perfeito do Indicativo
    eu fodi
    tu fodeste
    ele fodeu
    nós fodemos
    vós fodestes
    eles foderam
  • Mais-que-perfeito do Indicativo
    eu fodera
    tu foderas
    ele fodera
    nós fodêramos
    vós fodêreis
    eles foderam
  • Futuro do Pretérito do Indicativo
    eu foderia
    tu foderias
    ele foderia
    nós foderíamos
    vós foderíeis
    eles foderiam
  • Futuro do Presente do Indicativo
    eu foderei
    tu foderás
    ele foderá
    nós foderemos
    vós fodereis
    eles foderão
  • Imperfeito do Subjuntivo
    eu fodesse
    tu fodesses
    ele fodesse
    nós fodêssemos
    vós fodêsseis
    eles fodessem

Subjuntivo
  • Presente do Subjuntivo
    que eu foda
    que tu fodas
    que ele foda
    que nós fodamos
    que vós fodais
    que eles fodam
  • Futuro do Subjuntivo
    quando eu foder
    quando tu foderes
    quando ele foder
    quando nós fodermos
    quando vós foderdes
    quando eles foderem

Imperativo
  • Imperativo Afirmativo
    fode tu
    foda ele
    fodamos nós
    fodei vós
    fodam eles
  • Imperativo Negativo
    não fodas tu
    não foda ele
    não fodamos nós
    não fodais vós
    não fodam eles

Infinitivo
  • Infinitivo Pessoal
    por foder eu
    por foderes tu
    por foder ele
    por fodermos nós
    por foderdes vós
    por foderem eles


  • reter
  • dever
  • obter
  • arder
  • fazer
  • jazer
  • dizer
  • poder
  • deter
  • mexer
  • caber
  • viver
  • haver
  • saber
  • meter
  • reger
  • beber
  • bater














RIMAS



Anagramas de foder

  • forde
  • fedor


7.13 Dream

Estava numa casa cheia de luz. Sentado num sofá, tinha em frente uma janela toda espelhada com vista para uma piscina azul-celestial.

O que parecia o Éden era uma sala de tortura.

Em pé, andando à minha volta, levando a mão à cabeça, o marido dela ia soltando perguntas.

- Como é que tu justificas esta fotografia?

Mostrava-me uma fotografia com a mulher dele.

- Ela é minha mulher. Eu mato-te!!!! Eu mato-te!!!!

Além da espada que brandia, percebi que toda a sala tinha armas disfarçadas de objectos de arte.

- Ei, ouve... Eu não fiz nada. Cruzei-me acidentalmente na rua e alguém tirou a fotografia. Nós não estamos a fazer nada.

- E se me estás a enganar, cabrão? Eu mato-te. Eu vou descobrir. Eu mato-te se tiveste isto - juntava os dedos polegar e indicador - com ela.

- Eu não tive nada, nada com ela. E tu não tens provas. Porque não houve nada. Há anos que não a vejo.

- Há anos?

O indivíduo remexia caixas num frenesim.

- Há mais fotos, seu cabrão!

À medida que ia mostrando uma a uma, eu tinha de explicar se não queria morrer.

- É uma montagem.

Ele gritava e eu aproveitava as pausas.

- Repara! - gritava eu a certa altura. - Repara nisto. Não vês que não sou eu. Não vês que o tronco não joga com as pernas. Foi feita uma montagem.

«Se não podes convencê-lo, confunde-o», pensava.

- Pois... aqui, parece que não és tu.

Quando pensava que folgava, vinha outra.

- Não vês que isso é tudo montagem?

- Explica-me esta! Explica-me esta!

- Ouve, fazemos assim. Vamos identificar o lugar e vamos pedir filmagens.

- Filmagens?

- Sim, hoje é tudo filmado.

- Mas a que horas foi?

- Eh pá, pedimos filmagens do dia inteiro.

- Mas de que dia?

- Eu ou ela estávamos lá, o outro é que foi adicionado por montagem, percebes? Eu não estive lá.

- Hum...

Ele ligou à mulher. Ela confirmou ter estado lá no dia x.

- E agora quem é que nos dá as filmagens?

- Eu peço a um contacto que tenho na câmara. Posso ir-me embora?

- NÃO!!!!!! Há mais coisas que vais ter de me explicar!

- E esta fotografia?

- Esse nem é o corpo dela?

- MAS TU SABES COMO É O CORPO DELA?! - ele desembainhava a espada.

- ESTOU A DIZER PELO CABELO!

A espada não completava o percurso e o ódio aterrava.

- Não parece o cabelo dela, não.

- Não vês que é mais uma montagem?

- Pois é... Mas há uma coisa em que não se pode fazer montagens...

Sorria malevolamente.

Eu fingia tranquilidade.

- Sabes o que é?

- Não faço ideia.

- É O TELEMÓVEL!!!!!!!! Tenho chamadas dela para o teu número.

- Eu nunca lhe liguei, não sei... Nem falei com ela ao telefone.

- Mas está aqui, mentiroso!!!!

- Eu não te menti e já viste que estavas equivocado nas fotos...

- Calma, tu ainda cá voltas para ver as filmagens do teu amigo da câmara. Mas explica-me isto!

«Porra para o verbo explicar», já estava a ficar raivoso.

O meu nome aparecia num registo de chamadas.

- Mas, ouve lá, isso não tem aí o número? Os registos de chamadas têm números, pá. Pode ser alguém com o meu nome.

- Não gozes comigo!!!! TU NÃO GOZES COMIGO, OUVISTE?

- TU É QUE ESTÁS A GOZAR! UM PAPEL COM NOMES NO REGISTO. LIGA PARA A OPERADORA, SFF.

- Qual o número?

- Vê na Internet.

Ele foi procurar.

- Agora, pergunta-lhes se não dão os registos com os números e nunca com os nomes.

A chamada esclareceu-o.

- Eu acho é que estão a gozar contigo. Fotos montadas, registos não oficiais que só enganam parvos.

- Eu não sou parvo!!!

- Estás a ser. Prendes-me aqui. Alguém se está a rir de ti neste momento.

- Não sei, não sei... e enquanto não souber ficas aqui! Já me disseram que há filmagens... Ah, agora o teu rosto mudou!!!!!!!! Se calhar, fizeste o que não devias!!!!!

- Não há filmagens.

- Disseram-me que havia.

- Não há nada e já percebeste que te enganaram em tudo até aqui. Repara que nunca te enganei.

- Sim, não era o cabelo dela.

- Tu não és parvo.

- Pois não. Pede lá as filmagens à câmara. Liga daqui! Quero ouvir essa chamada!

Cumpri.

- Ele vai ter para a semana.

Levantei-me, ele baixou a arma, deu-me uma palmada amistosa nas costas e largou:

- Tu sabes que eu não sou parvo, não sabes?

- Não te deixes enganar.

- Quem é que me anda a enganar.

- Tenho de pensar nisso. Mas tenho algumas suspeitas.

- Tens?

(Ia ganhando espaço para me dirigir até à porta.)

- Mas olha que isto não acabou... E se tu tiveste alguma coisa com ela?

- NÃO TIVE!!!

- Vamos ver... Voltas cá para uma segunda sessão.








domingo, setembro 11, 2011

Não se pode salvar todas as pessoas que se cruzam connosco - mas deve-se tentar.
- Estou numa fase em que preciso mais de colo do que de cama, Angel.
A ginecomania é irregenerável.
És conquistad@ pelo cérebro?

Do Real

Acabaram a relação pela tricentésima vez. Mas nunca a sensação de fim fora tão tumular.

Não se falavam. Mas ele ligou o MSN e leu o nickname dela.

Finito.

Ele escreveu no seu nickname:

InFinito.

(Como me delicio com a comunicação silenciosa.)
- É isso, Angel, esse sempre foi o desiderato da minha existência. Fazer o sincretismo de todo o saber. Não é tarefa para menos de uma vida. E mesmo assim uma vida não chega.
Ensino a afastarem-se de mim
mas quem se poderá afastar de mim?

Walt Whitman

Da enciclopédia rasca e com 60% de erros factuais, uma entrada com algum rigor.

Na mitologia grega, Kairos(καιρός, “o momento certo” ou “oportuno”) é filho de Chronos, é o deus do tempo e das estações. Ao tempo existencial os gregos denominavam Kairos e acreditavam nele para enfrentar ao cruel tirano Chronos. Na filosofia grega e romana é a experiência do momento oportuno. Os pitagóricos lhe chamavam Oportunidade. Kairos é o tempo em potencial, tempo eterno, enquanto que Chronos é a duração de um movimento, uma criação.

Habitualmente era considerado filho menor de Zeus e Tyche, mas na genealogia dos deuses Kairos parece estar associado a todos eles como manifestação de um ou outro: Kairos, além de filho de Zeus, pode ser o mesmoZeus; Kairos pode ser Chronos (Tempo), mas também Aevum (Eternidade); Kairos é Atena (Inteligência) e também Eros (Amor); inclusive Dionísio pode ser Kairos.

Na estrutura temporal da civilização moderna, geralmente se emprega uma só palavra para significar o "tempo". Os gregos antigos tinham duas palavras para o tempo: khronos e kairos. Enquanto o primeiro refere-se ao tempo cronológico, ou seqüencial, o tempo que se mede, esse último é um momento indeterminado no tempo em que algo especial acontece, a experiência do momento oportuno. É usada também em teologia para descrever a forma qualitativa do tempo, o "tempo de Deus", enquanto khronos é de natureza quantitativa, o "tempo dos homens".

Na teologia cristã, em síntese pode-se dizer que khronos, é o "tempo humano", é medido em anos, dias, horas e suas divisões. Enquanto o termo kairos, que descreve "o tempo de Deus", não pode ser medido, pois "para o Senhor um dia é como mil anos e mil anos como um dia."

No monoteísmo, Kairos e Aevum passam a ser atributos do Deus único, recolhendo idéias precedentes da filosofia clássica grega.

[editar]

Pedir a um gramático que explique a poesia é como pedir a um cientista que explique o sentido da vida.

Nassim Taleb

sábado, setembro 10, 2011

Felizmente, não acredito na quiromancia.

O especialista pediu-me que as levantasse, perguntando-me com qual escrevia.

«Eh, pá! [Aqui, assustei-me.] Isso é uma mão de quem nasceu para ser totalmente livre e independente. Uma pessoa com essa mão nunca se irá fixar em ninguém.»



Minha laranja amarga e doce meu poema feito de gomos de saudade minha pena pesada e leve secreta e pura minha passagem para o breve breve instante da loucura.  Minha ousadia meu galope minha rédea meu potro doido minha chama minha réstia de luz intensa de voz aberta minha denúncia do que pensa do que sente a gente certa.  Em ti respiro em ti eu provo por ti consigo esta força que de novo em ti persigo em ti percorro cavalo à solta pela margem do teu corpo.  Minha alegria minha amargura minha coragem de correr contra a ternura.  Por isso digo canção castigo amêndoa travo corpo alma amante amigo por isso canto por isso digo alpendre casa cama arca do meu trigo.  Meu desafio minha aventura minha coragem de correr contra a ternura.
Idem

A cidade é um chão de palavras pisadas [...] A cidade é um céu de palavras paradas [...]  A cidade é um saco  um pulmão que respira pela palavra água  pela palavra brisa A cidade é um poro  um corpo que transpira pela palavra sangue  pela palavra ira.  [...]  A palavra sarcasmo é uma rosa rubra. A palavra silêncio é uma rosa chá. Não há céu de palavras que a cidade não cubra não há rua de sons que a palavra não corra à procura da sombra de uma luz que não há.                    
José Carlos Ary dos Santos
O erudito ingere. O culto saboreia.

O erudito debita exteriormente. O culto incorpora na vida.

O erudito encontra padrões. O culto, dissimilitudes.

O erudito é cinzento. O culto, multicolor.

O erudito privilegia o académico. O culto despreza-o.

O erudito tem uma visão de caixinhas. O culto tem o espírito dúctil.




Quando não se consegue desmontar a argumentação, desqualifica-se o interlocutor.

Estaline, boçal e crudelíssimo, fazia-o, e entre as muitas características do estalinismo, a máxima anterior era uma marca de água do mesmo.

Em morrendo alguém, assassinado pelas purgas, logo era forjada uma notícia:

«Um louco perigoso.» «Um burguês contra-revolucionário conspiracionista.»

O próprio Cunhal, instado a falar sobre a obra de Orwell, activou a máquina de diminuir os pensamentos e disse apenas:

«Um alcoólico, um alcoólico.»

Infelizmente, esta prática não morreu com a morte do estalinismo. É a mais paupérrima forma de retórica.
a nightmare of you of death in the pool
wakes me at quarter to three

RS
E um vago soluço partindo melodiosamente
Do antiquíssimo de nós
Onde têm raiz todas essas árvores de maravilha
Cujos frutos são os sonhos que afagamos e amamos
Porque os sabemos fora de relação com o que há na vida.

Fernando Pessoa
- Tu és muito romântico, sim. Mas reservas é todo o romantismo para a literatura e a poesia.
- As mulheres já nascem ensinadas.
Escreves um livro com o título: .

Não um livro sem título.

As pessoas chegam às livrarias e perguntam:

- Tem o ?
- Tenho. Vou buscar.

Um leitor sugere aos outros:

- Devias gostar de ler .

Quando se alvitra um livro para oferecer:

- Dá-lhe o .

Nas bibliotecas, basta pôr um enter no título. E como de á a zê, não se pode catalogar o livro, cria-se uma categoria à parte para o .


Todo o trabalho que não é remunerado é exploração. Todo. (Exceptuando o voluntariado para associações não lucrativas.)

Espanta-me sempre as pessoas que engolem as inanidades da «experiência enriquecedora» e seus derivativos.

Já José Alberto Braga escreveu que evoluímos tanto que hoje até os escravos têm bilhete de identidade.
Tinha as tatuagens, os aparatos todos do nazismo. Olhei-o nos olhos. É difícil ter imaginação para qualificar o ódio que vi.

Já alguma vez olhaste bem fundo no olhar de um nazi?

sexta-feira, setembro 09, 2011

Os especialistas em marketing garantem que quando se ouve uma frase começada por «não», a parte retida mentalmente é o que vem a seguir.

Quando um político diz que não rouba, pensamos que pode roubar.

Quando um marido diz que não trai a mulher, suspeitamos de que trai.

Quando alguém diz não ter medo de fazer xis, sabemos que é das coisas que mais o atemorizam.
Um conhecido meu assistiu, num café, a um individuo telefonar (presumivelmente, à polícia) a denunciar outro que fumava onde não podia. Parece que o fumador foi multado em centenas de euros, assim como o estabelecimento.

Lembrei-me de um episódio no liceu. Um colega graxista foi denunciar, num sussurro, a um professor que outro colega tinha copiado.

O professor assentiu com a cabeça.

O graxistazinho cívico ainda teve a lata de perguntar:

- Ele vai ser castigado?

- Não, mas tu se insistires vais. Por seres bufo. Isso é muito mais feio do que copiar.
Pacheco Pereira, a propósito da proposta do Bastonário da Ordem dos Médicos de aumentar imposto sobre fast food por fazer mal ao corpo, pergunta se também haverá imposto sobre as revistas cor-de-rosa por fazerem mal à mente.

quinta-feira, setembro 08, 2011

tu messias mais


se ninguém te quiser ouvir grita

escala um arranha-céus e diz tudo

até que as entranhas se esvaiam em acordeões

até que sejas impossível de ignorar

e se te baterem bate a mais portas

e se te baterem mais usa a testa como aríete e entra-lhes nos pensamentos

tu sabes que tens razão

tu tens sempre razão

tu vais salvar toda a gente de si própria

tu sabes o segredo que lhes vai mudar as vidas

tu és o sopro que lhes falta quando assobiam

o som da trombeta

o guizo do chapéu

o rasgo do papel

o mago da magia

o marco do correio

o pico do cume

a água do dromedário

tu vieste para ajudar

tu só queres ajudar

então porque não te deixam?

porque não te sopram carinho ao ouvido e te chamam nomes feios que tu sabes não serem da tua família nem da afastada

a sociedade também foi feita para ti

um bocadinho foi

um buraquinho foi

porque não te deixam entrar lá?

porque não te deixam estar lá?

querem-te à chuva e ao frio

sem amigos

sem calor

sem pão

sem sal

não te dão nem um naco da tua própria carne

nem a luz do teu quarto

nem o silêncio da tua mente

e tu aceitas?

e tu ficas-te?

e tu não protestas?

seu banana

seu falhado

seu funcionário sem sindicato

sua mulherzinha que nunca votou

sua criancinha que limpa o prato

seu homossexual não assumido

seu cão sem pulgas

seu cabrão sem cornos

seu tronco sem pau

seu pau mandado

seu arado sem terra

seu dinossauro radioactivo sem cidade japonesa

seu lamparina sem petróleo que foi inundar uma gaivota

seu cabeça sem capacho

seu diamante

seu bruto

seu papa-açorda

seu caramelo

seu lambe-cus

seu

seu

seu

seu és tu

seu és tu ouviste

seu é contigo

seu é para ti acorda

já é noite

já foi dia

amanhã vai ser tudo isso outra vez e tu estás ao relento

não tens onde ficar

não tens lugar na terra e ninguém to vai dar se não esgravatares

procura

pede

come

ataca

implora

arrasta-te

resvala

escorrega

assusta-os

ignora-os

tu sabes que tens razão

e a tua razão é respirar

se respiras tens direito à vida

se tens direito à vida tens direito a chorar

se tens direito a chorar tens direito a voz

se tens direito a voz tens direito a que te ouçam

se tens direito a que te ouçam tens direito a dizer algo que lhes mude as vidas

se tens direito a dizer algo a que lhes mude as vidas tens direito a mudar também a tua

não peças respeito

nasce respeitado

não implores por dignidade

apregoa a dignificação do Homem

não mendigues comida

acaba com a fome

não protejas os teus filhos

protege todos os filhos

não procures uma religião

faz o que um Deus bom faria

não ouças tudo o que te dizem

ouve todos os que falam

tens direito ao teu canto

e o teu canto é o de mudar tudo

tu podes mudar tudo

tu deves mudar tudo

tu sabes mudar tudo

repara nas pessoas e muda-as para melhor se elas quiserem

aproveita para ires melhorando também

dá-te como se fosses de borla

não peças nada em troca mas dá com um sorriso mais rasgado a quem te der um beijo no fim

não tenhas medo que te interpretem mal

aliás não tenhas medo que te interpretem

aliás não tenhas medo

guarda o melhor para os outros e o pior para ti

mas não sejas cruel contigo que és o único que tens

tens que ter noção do teu papel

e o teu papel é duro como se embrulhasse pregos ou cacos que não queremos nas mãos do senhor da recolha nem nos dentes do gato vadio

o que tu vais fazer agora porque é o único tempo que te pertence é mudar

mudar até que nada fica igual

até que esteja mesmo do agrado de todos

mas se por acaso no meio do teu percurso de conflito e mudança

no meio da tua jornada de luta pelo bem encontrares algo de profundamente belo

não lhe mexas

não lhe toques

pega numa cadeira de praia monta-a e senta-te calmamente a aprecia


João Negreiros

Santo Agostinho escreveu que Deus aprova as coisas porque são boas e não que as coisas são boas porque Deus aprova. Se assim não fosse, poderíamos considerar o Holocausto, a tortura, a pena de morte, a crueldade sobre os animais como o Bem.

Personagens - o Professor Ludovico

- Quando te deixar em casa, queres que te dê os meus olhos para veres o que eu vejo?
Para Jakobson, a linguagem, além de todas as suas funções práticas, tem uma função metalinguística. A linguagem permite falar sobre a própria linguagem.

«Napoleão é um nome próprio.»

«Vermelho é um adjectivo qualificativo.»

Capitalismo tentacular - as editoras e livrarias independentes estão condenadas à extinção

Presidente da APEL (Associação Portuguesa dos Editores e Livreiros): Paulo Teixeira Pinto, Babel.
Vice-presidente: Isaías Gomes Teixeira, Leya.
Vice-presidente: Carlos Teixeira, Porta Editora.
Livreiros: FNAC e Corte Inglês.
Um bom romance deve apagar a linha fronteiriça entre o escritor e o leitor, para que se possam unir. Quando isso acontece, esse romance passa a fazer parte da vida - e é o prato principal e não a sobremesa.

Stephen King

quarta-feira, setembro 07, 2011

this is stranger than i ever thought
six different ways inside my heart

i know i´ll give them the world and more

not one of you is the same

RS
O grau de civilização de um povo é directamente proporcional ao número de vezes que um automobilista, em média, pára na passadeira para dar a prioridade aos peões.

You know what I hate?

Pessoazinhas que independentemente do que o interlocutor diga, ou sobrepõem a voz ou voltam sempre ao mesmo ponto do seu discurso, não deixando cair uma observação sobre o que foi dito pelo outro.

Pessoazinhas que fazem cerimónia como um ritual sacratíssimo. Que não bebem líquidos pelo gargalo, que não saem de casa de chinelos, que só usam sapatos rasos, que não conseguem receber visitas sem inundarem a casa de comida porque «parece mal». Que tratam os outros quase sempre na terceira pessoa. Que estão sempre com salamaleques.

Pessoazinhas que nunca dão esmolas.

Pessoazinhas que felatizam poderosos e sorriem a quem não gostam porque lhes permitem «obter vantagens na vida».

Pessoazinhas que falam sempre muito a sério, encarando um humor como um desafio à sua autoridade ou auto-importância.

Pessoazinhas que têm em máxima consideração a sua imagem, mas que se estão nas tintas para o mundo.

Pessoazinhas que acham que E. M. Forster é um actor.



O meu mal

Florbela Espanca
A meu irmão

Eu tenho lido em mim, sei-me de cor,
Eu sei o nome ao meu estranho mal:
Eu sei que fui a renda dum vitral,
Que fui cipreste, e caravela, e dor!

Fui tudo que no mundo há de maior,
Fui cisne, e lírio, e águia, e catedral!
Eu fui, talvez, um verso de Nerval,
Ou um cínico riso de Chanfort...

Fui a heráldica flor de agrestes cardos,
Deram as minhas mãos aroma aos nardos...
Deu cor ao aloendro a minha boca...

Ah! De Boabdil fui lágrima na Espanha!
E foi de lá que eu trouxe esta ânsia estranha!
Mágoa não sei de quê! Saudade louca!
Uns a nomeiam primavera. Eu lhe chamo estado de espírito.

Carlos Drummond de Andrade

terça-feira, setembro 06, 2011

Apaixonado por esta palavra: gracílima.

Parábola da Agulha

Levanto-me então da plateia e, por entre as metralhadoras esculpidas, conto de novo a parábola da agulha, que me obceca. Desentranhei-a de um velho manual.

Trata-se de uma mulher que perdeu uma agulha na cozinha e a procura na varanda de sua casa. Acorre então o jovem que procura ajudá-la, e pergunta: - Que procura? - Uma agulha caiu-me na cozinha. Logo o inexperiente jovem se espanta muito e quer saber porque a procura ela na varanda. - Porque na cozinha está escuro - responde a mulher.

Herberto Helder

Parábola do Guarda

Before the law, there stands a guard. A man comes from the country, begging admittance to the law. But the guard cannot admit him. May he hope to enter at a later time? That is possible, said the guard. The man tries to peer through the entrance. He'd been taught that the law was to be accessible to every man. “Do not attempt to enter without my permission”, says the guard. I am very powerful. Yet I am the least of all the guards. From hall to hall, door after door, each guard is more powerful than the last. By the guard's permission, the man sits by the side of the door, and there he waits. For years, he waits. Everything he has, he gives away in the hope of bribing the guard, who never fails to say to him “I take what you give me only so that you will not feel that you left something undone.” Keeping his watch during the long years, the man has come to know even the fleas on the guard's fur collar. Growing childish in old age, he begs the fleas to persuade the guard to change his mind and allow him to enter. His sight has dimmed, but in the darkness he perceives a radiance streaming immortally from the door of the law. And now, before he dies, all he's experienced condenses into one question, a question he's never asked. He beckons the guard. Says the guard, “You are insatiable! What is it now?” Says the man, “Every man strives to attain the law. How is it then that in all these years, no one else has ever come here, seeking admittance?” His hearing has failed, so the guard yells into his ear. “Nobody else but you could ever have obtained admittance. No one else could enter this door! This door was intended only for you! And now, I'm going to close it."

Franz Kafka

People are strange

Sentei-me no jantar em frente de alguém que não conhecia. O indivíduo pegou no telemóvel e disse-me:

- Olha, é o meu cão.

Não entendi porque achara que gostaria de ver fotos do seu cão.

Eram muitas. Ele ia passando uma a uma, sorrindo e legendando.

A minha cara não mostraria entusiasmo, mas ele continuou.

- Espera, tenho mais noutras pastas.

Depois, mostrou-me fotos da casa e explicou-me quanto tempo demorava a chegar ao trabalho (longe de casa), quanto gastava quando ia de automóvel e quanto gastava quando passou a ir de camioneta.

No fim, ainda me pediu um contacto meu. Dei-lhe o e-mail.

No dia seguinte, tinha uma mensagem sua.

«Encontrei isto e tenho a certeza de que vais adorar.»

Enviava-me um conversor de idades de animais em seres humanos.
Fossem meus os tecidos bordados dos céus,
Ornamentados com luz dourada e prateada,
Os azuis e negros e pálidos tecidos
Da noite, da luz e da meia-luz,
Os estenderia sob os teus pés.
Mas eu, sendo pobre, tenho apenas os meus sonhos.
Eu estendi meus sonhos sob os teus pés
Caminha suavemente, pois caminhas sobre meus sonhos.

Yeats
- Não gosto de pessoas que façam marketing pessoal. Dos teus amigos, do que mais gostei foi aquele que nem cheguei a saber o que faz.
Permiti agora que apresente uma ideia. Entre os limites etários dos nove e dos catorze anos ocorrem donzelas que, a certos viajantes enfeitiçados, duas ou muitas vezes mais velhos do que elas, revelam a sua vera natureza, que não é humana, e sim nínfica (isto é, demoníaca) - criaturas eleitas que me proponho designar por «ninfitas».
Note-se que substituo por termos de tempo os termos espaciais. Efectivamente, gostaria que o leitor visse «nove» e «catorze» como os limites - as praias translúcidas e as rochas róseas - de uma ilha encantada povoada pelas minhas ninfitas e rodeado por um mar imenso e brumoso. Entre estes limites de idade todas as raparigas-meninas são ninfitas? Claro que não.
Caso contrário, nós, que conhecemos o segredo, nós, viajantes solitários, nós, os ninfoleptos, há muito que teríamos ensandecido. Tão-pouco a beleza serve de padrão, e a vulgaridade, ou, pelo menos, o que dada comunidade assim classifica, diminui forçosamente certas características misteriosas: a graça desvairada e o encanto esquivo, astuto, abalador da alma e insidioso, que distingue as ninfitas de certas coevas suas incomparavelmente mais dependentes do mundo espacial de fenómenos síncronos do que na tal ilha intangível de tempo enfeitiçado onde Lolita brinca com as suas iguais. [...] Um homem normal a quem se mostre uma fotografia de um grupo de colegiais ou escuteiras e se peça que indique a mais bonita não escolherá necessariamente a ninfita que porventura se encontre entre elas. É preciso ser um artista e um louco, um ser infinitamente melancólico, com um fervilhar de veneno escaldante no ventre e uma labareda supervoluptuosa perenemente acesa na flexível espinha [...], para identificar imediatamente, por inefáveis indícios - o contorno ligeiramente felino de um zigoma, a esbeltez de um membro penugento [...] o demoniozinho fatal [...].

Vladimir Nabokov


- A vida sem amor é uma sensaboria.

segunda-feira, setembro 05, 2011

The man who lives inside a heart shapped box but thinks love is a dull word, she said.
ouve o que diz a mulher vestida de sol

quando caminha no cimo das árvores

“a que distância da língua comum deixaste

o teu coração?”

a altura desesperada do azul

no teu retrato de adolescente há centenas de anos

a extinção dos lírios no jardim municipal

o mar desta baía em ruínas ou se quiseres

os sacos do supermercado que se expandem nas gavetas

as conversas ainda surpreendentemente escolares

soletradas em família

a fadiga da corrida domingueira pela mata

as senhas da lavandaria com um “não esquecer” fixado

o terror que temos

de certos encontros de acaso

porque deixamos de saber dos outros

coisas tão elementares

o próprio nome

ouve o que diz a mulher vestida de sol

quando caminha no cimo das árvores

“a que distância deixaste

o coração?”


José Tolentino Mendonça
Existe um instante, entre a décima quinta e a décima sexta golada de champanhe, em que todo o homem é um aristocrata.

Amélie Nothomb
I don't know if we're in a garden
Or on a crowded avenue
You are here, so am I
Maybe millions of people go by
But they all disappear from view
And I only have eyes for you

Frank Sinatra
Interrogas-te sobre o sentido último das coisas?

sábado, setembro 03, 2011

Reencontro-as anos mais tarde. Tiveram vários namorados. Relações turbulentas. Loucura a mais nas suas vidas. Acabaram por ficar com um totó. Deixaram o buço crescer. São tantas, tantas, tantas com relações de baixa chama. Preferiram a estabilidade. O sossego. A certeza de serem amadas.

«Nunca ninguém me tratou tão bem.»

Eles não oferecem ciúmes. Eles mimam-nas. Eles cedem a todos os caprichos. Eles não carregam o fogacho da imprevisibilidade. Eles tomarão conta dos filhos. Eles amam-nas.

Eles amam-nas.

A amizade é o tema mais injustificadamente apartado da literatura.
Luiz Pacheco dizia que tinha dois, três amigos, quinhentos conhecidos e duas mil pessoas para tomar copos.
Ela transformou-se de vulto em pessoa quando a ouvi utilizar a palavra «pífia».
Poema dos Mares do Sul

Nunca lá estive.

Joaquim Namorado


Marco Aurélio, um estóico, aconselhava a estarmos preparados diariamente para tropeçarmos com a estupidez, a ignorância, a desonestidade e a crueldade. Para quê, então, irritarmo-nos?, se sabíamos de antemão que - qualquer que fosse a época ou o lugar - todos os dias esbarraríamos em tais árvores negras.
- Acho que temos muito tempo pela frente para nos deliciarmos.
Educação - uma máquina trituradora das peculiaridades.

sexta-feira, setembro 02, 2011

A cara era uma maçã vermelha, um botão de peónia prestes a florir, e nela se abriam no alto uns olhos negros magníficos, sombreados de grandes pestanas espessas que os escureciam mais; em baixo, uma boca encantadora, apertada, húmida para o beijo, povoada de dentinhos brilhantes e microscópicos.

Guy de Maupassant
- Aqueles que acham que têm muito poder estão condenados a uma existência sem paz. O poder é-nos outorgado - apontou com o dedo para cima.
This Be The Verse

They fuck you up, your mum and dad.
They may not mean to, but they do.
They fill you with the faults they had
And add some extra, just for you.

But they were fucked up in their turn
By fools in old-style hats and coats,
Who half the time were soppy-stern
And half at one another's throats.

Man hands on misery to man.
It deepens like a coastal shelf.
Get out as early as you can,
And don't have any kids yourself.

Philip Larkin
Para os Judeus, só uma coisa resta à divindade: repetir-se. Consideram, assim, como o verbo mais ________ do mundo - repetir. Freud, educado no judaísmo, falou que todos os prazeres assentavam no princípio da repetição. (Freudianamente, ainda que muitas vezes nos pareça algo novo, o rosto sublimado é antigo.)
ipseidade
nome feminino
FILOSOFIA carácter daquele que é ele próprio, do existente humano considerado como existência singular concreta; o próprio homem como existência
(Do latim ipse-, «ele próprio» +-i-+-dade)

quinta-feira, setembro 01, 2011

Chegaste ao fim do dia e não aprendeste uma palavra nova?