segunda-feira, agosto 01, 2011
Contrariedades
Nem posso tolerar os livros mais bizarros.
Incrível! Já fumei três maços de cigarros
Consecutivamente.
Dói-me a cabeça. Abafo uns desesperos mudos:
Tanta depravação nos usos, nos costumes!
Amo, insensatamente, os ácidos, os gumes
E os ângulos agudos.
Sentei-me à secretária. Ali defronte mora
Uma infeliz, sem peito, os dois pulmões doentes;
Sofre de faltas de ar, morreram-lhe os parentes
E engoma para fora.
Pobre esqueleto branco entre as nevadas roupas!
Tão lívida! O doutor deixou-a. Mortifica.
Lidando sempre! E deve a conta na botica!
Mal ganha para sopas...
O obstáculo estimula, torna-nos perversos;
Agora sinto-me eu cheio de raivas frias,
Por causa dum jornal me rejeitar, há dias,
Um folhetim de versos.
Que mau humor! Rasguei uma epopéia morta
No fundo da gaveta. O que produz o estudo?
Mais duma redação, das que elogiam tudo,
Me tem fechado a porta.
A crítica segundo o método de Taine
Ignoram-na. Juntei numa fogueira imensa
Muitíssimos papéis inéditos. A imprensa
Vale um desdém solene.
Com raras exceções merece-me o epigrama.
Deu meia-noite; e em paz pela calçada abaixo,
Soluça um sol-e-dó. Chuvisca. O populacho
Diverte-se na lama.
Eu nunca dediquei poemas às fortunas,
Mas sim, por deferência, a amigos ou a artistas.
Independente! Só por isso os jornalistas
Me negam as colunas.
Receiam que o assinante ingênuo os abandone,
Se forem publicar tais coisas, tais autores.
Arte? Não lhes convêm, visto que os seus leitores
Deliram por Zaccone.
Um prosador qualquer desfruta fama honrosa,
Obtém dinheiro, arranja a sua coterie;
E a mim, não há questão que mais me contrarie
Do que escrever em prosa.
A adulação repugna aos sentimentos finos;
Eu raramente falo aos nossos literatos,
E apuro-me em lançar originais e exatos,
Os meus alexandrinos...
E a tísica? Fechada, e com o ferro aceso!
Ignora que a asfixia a combustão das brasas,
Não foge do estendal que lhe umedece as casas,
E fina-se ao desprezo!
Mantém-se a chá e pão! Antes entrar na cova.
Esvai-se; e todavia, à tarde, fracamente,
Oiço-a cantarolar uma canção plangente
Duma opereta nova!
Perfeitamente. Vou findar sem azedume.
Quem sabe se depois, eu rico e noutros climas,
Conseguirei reler essas antigas rimas,
Impressas em volume?
Nas letras eu conheço um campo de manobras;
Emprega-se a réclame, a intriga, o anúncio, a blague,
E esta poesia pede um editor que pague
Todas as minhas obras
E estou melhor; passou-me a cólera. E a vizinha?
A pobre engomadeira ir-se-á deitar sem ceia?
Vejo-lhe luz no quarto. Inda trabalha. É feia...
Que mundo! Coitadinha!
domingo, julho 31, 2011
A celebridade é um plebeísmo. Por isso deve ferir uma alma delicada. É um plebeísmo porque estar em evidência, ser olhado por todos inflige a uma criatura delicada uma sensação de parentesco exterior com as criaturas que armam escândalo nas ruas, que gesticulam e falam alto nas praças. O homem que se torna célebre fica sem vida íntima: tornam-se de vidro as paredes da sua vida doméstica; é sempre como se fosse excessivo o seu traje; e aquelas suas mínimas acções - ridiculamente humanas às vezes - que ele quereria invisíveis, coa-as a lente da celebridade para espectaculosas pequenezes, com cuja evidência a sua alma se estraga ou se enfastia. É preciso ser muito grosseiro para se poder ser célebre à vontade.Depois, além dum plebeísmo, a celebridade é uma contradição. Parecendo que dá valor e força às criaturas, apenas as desvaloriza e as enfraquece. Um homem de génio desconhecido pode gozar a volúpia suave do contraste entre a sua obscuridade e o seu génio; e pode, pensando que seria célebre se quisesse, medir o seu valor com a sua melhor medida, que é ele próprio. Mas, uma vez conhecido, não está mais na sua mão reverter à obscuridade. A celebridade é irreparável. Dela como do tempo, ninguém torna atrás ou se desdiz.
E é por isso que a celebridade é uma fraqueza também. Todo o homem que merece ser célebre sabe que não vale a pena sê-lo. Deixar-se ser célebre é uma fraqueza, uma concessão ao baixo-instinto, feminino ou selvagem, de querer dar nas vistas e nos ouvidos.
sexta-feira, julho 29, 2011
quinta-feira, julho 28, 2011
Humanidade
Será
Será que ainda me resta tempo contigo,
ou já te levam balas de um qualquer inimigo.
Será que soube dar-te tudo o que querias,
ou deixei-me morrer lento, no lento morrer dos dias.
Será que fiz tudo que podia fazer,
ou fui mais um cobarde, não quis ver sofrer.
Será que lá longe ainda o céu é azul,
ou já o negro cinzento confunde Norte com Sul.
Será que a tua pele ainda é macia,
ou é a mão que me treme, sem ardor nem magia.
será que ainda te posso valer,
ou já a noite descobre a dor que encobre o prazer.
Será que é de febre este fogo,
este grito cruel que da lebre faz lobo.
Será que amanhã ainda existe para ti,
ou ao ver-te nos olhos te beijei e morri.
Será que lá fora os carros passam ainda,
ou as estrelas caíram e qualquer sorte é bem-vinda.
Será que a cidade ainda está como dantes
ou cantam fantasmas e bailam gigantes.
Será que o sol se põe do lado do mar,
ou a luz que me agarra é sombra de luar.
Será que as casas cantam e as pedras do chão,
ou calou-se a montanha, rendeu-se o vulcão.
Será que sabes que hoje é domingo,
ou os dias não passam, são anjos caindo.
Será que me consegues ouvir
ou é tempo que pedes quando tentas sorrir.
Será que sabes que te trago na voz,
que o teu mundo é o meu mundo e foi feito por nós.
Será que te lembras da cor do olhar
quando juntos a noite não quer acabar.
Será que sentes esta mão que te agarra
que te prende com a força do mar contra a barra.
Será que consegues ouvir-me dizer
que te amo tanto quanto noutro dia qualquer.
Eu sei que tu estarás sempre por mim
Não há noite sem dia, nem dia sem fim.
Eu sei que me queres, e me amas também
me desejas agora como nunca ninguém.
Não partas então, não me deixes sozinho
Vou beijar o teu chão e chorar o caminho.
Será,
Será,
Será!
P. A.
Por quem não esqueci
Há uma voz de sempre
Que chama por mim
Há uma voz de sempre
Que chama por mim
Para que eu lembre
Que a noite tem fim
Ainda procuro,
Por quem ñ esqueci
Em nome de um sonho,
Em nome de ti
Refrão
Procuro à noite, um sinal de ti
Espero à noite, por quem não esqueci
Eu peço à noite, um sinal de ti
Por quem eu não esqueci
Por sinais perdidos
Espero envão
Por tempos antigos, por uma canção
Ainda procuro, por quem não esqueci
Por quem já não volta, por quem eu perdi
quarta-feira, julho 27, 2011
If you could blow up the world
With the flick of a switch
Would you do it?
If you could make everybody poor
Just so you could be rich
Would you do it?
If you could watch everybody work
While you just lay on your back
Would you do it?
If you could take all the love
Without giving any back
Would you do it?
With all your power
With all your power
With all your power
What would you do?
terça-feira, julho 26, 2011
Para que o corpo desça ao lugar de um solo absoluto
que a corola de peso se abra numa espessa e leve larva
toda a esfera interior
se torne fruto branco de si mesma num corpo novo
A árvore do ócio respirará o firmamento côncavo
e as águas do fundo ascendem à cúpula cerebral
Que a oleosa serpente do desejo
se desenrole no ventre e desate o arco tenso da boca
Todo o corpo vibre num reconhecimento sumptuoso
no letargo de uma nascente ascencional
Não se sabe se é possível atingir o ponto supremo da tranquilidade
e entrar na esfera superior onde a felicidade é um puro suspiro
mas pressentiremos a nudez final primeira
do plexo da unidade do desejo e do fruto amado
segunda-feira, julho 25, 2011
domingo, julho 24, 2011
sábado, julho 23, 2011
sexta-feira, julho 22, 2011
Mistério
Perante esta única realidade terrível — a de haver uma realidade,
Perante este horrível ser que é haver ser,
Perante este abismo de existir um abismo,
Este abismo de a existência de tudo ser um abismo,
Ser um abismo por simplesmente ser,
Por poder ser,
Por haver ser!
— Perante isto tudo como tudo o que os homens fazem,
Tudo o que os homens dizem,
Tudo quanto constroem, desfazem ou se constrói ou desfaz através deles,
Se empequena!
Não, não se empequena... se transforma em outra coisa —
Numa só coisa tremenda e negra e impossível,
Urna coisa que está para além dos deuses, de Deus, do Destino
—Aquilo que faz que haja deuses e Deus e Destino,
Aquilo que faz que haja ser para que possa haver seres,
Aquilo que subsiste através de todas as formas,
De todas as vidas, abstratas ou concretas,
Eternas ou contingentes,
Verdadeiras ou falsas!
Aquilo que, quando se abrangeu tudo, ainda ficou fora,
Porque quando se abrangeu tudo não se abrangeu explicar por que é um tudo,
Por que há qualquer coisa, por que há qualquer coisa, por que há qualquer coisa!
Minha inteligência tornou-se um coração cheio de pavor,
E é com minhas idéias que tremo, com a minha consciência de mim,
Com a substância essencial do meu ser abstrato
Que sufoco de incompreensível,
Que me esmago de ultratranscendente,
E deste medo, desta angústia, deste perigo do ultra-ser,
Não se pode fugir, não se pode fugir, não se pode fugir!
Cárcere do Ser, não há libertação de ti?
Cárcere de pensar, não há libertação de ti?
Ah, não, nenhuma — nem morte, nem vida, nem Deus!
Nós, irmãos gêmeos do Destino em ambos existirmos,
Nós, irmãos gêmeos dos Deuses todos, de toda a espécie,
Em sermos o mesmo abismo, em sermos a mesma sombra,
Sombra sejamos, ou sejamos luz, sempre a mesma noite.
Ah, se afronto confiado a vida, a incerteza da sorte,
Sorridente, impensando, a possibilidade quotidiana de todos os males,
Inconsciente o mistério de todas as coisas e de todos os gestos,
Por que não afrontarei sorridente, inconsciente, a Morte?
Ignoro-a? Mas que é que eu não ignoro?
A pena em que pego, a letra que escrevo, o papel em que escrevo,
São mistérios menores que a Morte? Como se tudo é o mesmo mistério?
E eu escrevo, estou escrevendo, por uma necessidade sem nada.
Ah, afronte eu como um bicho a morte que ele não sabe que existe!
Tenho eu a inconsciência profunda de todas as coisas naturais,
Pois, por mais consciência que tenha, tudo é inconsciência,
Salvo o ter criado tudo, e o ter criado tudo ainda é inconsciência,
Porque é preciso existir para se criar tudo,
E existir é ser inconsciente, porque existir é ser possível haver ser,
E ser possível haver ser é maior que todos os Deuses.
Álvaro de Campos
quinta-feira, julho 21, 2011
quarta-feira, julho 20, 2011
Every inch of space is a miracle,
Every square yard of the surface of the earth is spread with the same,
Every cubic foot of the interior swarms with the same;
Every spear of grass—the frames, limbs, organs, of men and women, and all
that concerns them,
All these to me are unspeakably perfect miracles.
To me the sea is a continual miracle;
The fishes that swim—the rocks—the motion of the waves—the ships, with
men in them,
What stranger miracles are there?
Walt Whitman
domingo, julho 17, 2011
But I had a strong sudden instinct that I must be alone. I didn’t want to see any people at all. I had seen so many people all my life - I was an average mixer, but more than average in a tendency to identify myself, my ideas, my destiny, with those of all classes that came in contact with. I was always saving or being saved - in a single morning I would go through the emotions ascribable to Wellington at Waterloo. I lived in a world of inscrutable hostiles and inalienable friends and supporters.
But now I wanted to be absolutely alone and so arranged a certain insulation from ordinary cares.
It was not an unhappy time. I went away and there were fewer people. I found I was good-and-tired. I could lie around and was glad to, sleeping or dozing sometimes twenty hours a day and in the intervals trying resolutely not to think -instead I made lists - made lists and tore them up, hundreds of lists: of cavalry leaders and football players and cities, and popular tunes and pitchers, and happy times, and hobbies and houses lived in and how many suits since I left the army and how many pairs of shoes (I didn’t count the suit I bought in Sorrento that shrank, nor the pumps and dress shirt and collar that I carried around for years and never wore, because the pumps got damp and grainy and the shirt and collar got yellow and starch-rotted). And lists of women I’d liked, and of the times I had let myself be snubbed by people who had not been my betters in character or ability.
F. Scott Fitzgerald
sábado, julho 16, 2011
LA ÚLTIMA INOCENCIA
Partir
en cuerpo y alma
partir.
Partir
deshacerse de las miradas
piedras opresoras
que duermen en la garganta.
He de partir
no más inercia bajo el sol
no más sangre anonadada
no más fila para morir.
He de partir
Pero arremete ¡viajera!
sexta-feira, julho 15, 2011
AS RAPARIGAS LÁ DE CASA
Como eu amei as raparigas lá de casa
discretas fabricantes da penumbra
guardavam o meu sono como se guardassem
o meu sonho
repetiam comigo as primeiras palavras
como se repetissem os meus versos
povoavam o silêncio da casa
anulando o chão os pés as portas por onde
saíam
deixando sempre um rastro de hortelã
traziam a manhã
cada manhã
o cheiro do pão fresco da humidade da terra
do leite acabado de ordenhar
veríeis como ficava no ar o odor doce e materno
das manadas quando passam)
e eu escutava a inquieta maresia
dos seus corpos
umas vezes duros e frios como seixos
outras vezes tépidos como o interior dos frutos
no outono
penteavam-me
e as suas mãos eram leves e frescas como as folhas
na primavera
não me lembro da cor dos olhos quando olhava
os olhos das raparigas lá de casa
mas sei que era neles que se acendia
o sol
ou se agitava a superfície dos lagos
do jardim com lagos a que me levavam de mãos dadas
as raparigas lá de casa
que tinham namorados e com eles
traíam
a nossa indefinível cumplicidade
eu perdoava sempre e ainda agora perdoo
às raparigas lá de casa
porque sabia e sei que apenas o faziam
por ser esse o lado mau de sua inexplicável bondade
o vício da virtude da sua imensa ternura
da ternura inefável do meu primeiro amor
do meu amor pelas raparigas lá de casa.
Filha,
na areia movediça das palavras, eu tenho procurado, juro,
as que nasçam só nossas,
certas, insubstituíveis, insubmissas.
Com ternura lhes toco e as levo ao coração,
frias ou gastas quase sempre, de outros usos.
Como se fossem algas,
escorrem por entre os dedos que as seguram.
Outras, agarro-as bem, tinjo-as de sangue. São
as que me comovem.
Com elas choro e sigo a sua frustração de claunes que tornaram
[ainda mais triste cada infância.
Mas, persigo-as, sim, quero-as ainda, as palavras
trabalho-as
com a aplicação do alquimista.
E do athanor saem só pequenos peixes de ouro
que nada têm a ver com o mar que separa o velho galeão
que de gusanos
me construo
e o teu corpo de mulher que é preciso aceitar urgentemente.
Ou aceitar de outro modo:
como súbito se abrisse a porta da casa e lá fora estivesse caindo
[uma chuva quente que a todos nos molhasse de uma estranha doçura.
Ah, minha filha, com que rigor procuro
o sinal de sermos o que somos
neste rio sem margens
ou talvez nesta praia em cuja espuma quente
é possível molhar ritualmente os pés e as mãos e partir a correr
nus
em direcções opostas
sem nada sugerir
a morte nem a vida
apesar de ambas estarem sempre para chegar.
Ah, o que tenho procurado, juro.
E que inútil junto às frondosas árvores dos símbolos
mais doces mais íntimos mais ternos cruéis acusadores.
Também a esses os levo à altura do peito e os encontro escassos de forma.
Na bigorna não aguentam a violência apaixonada do ferreiro.
E, de novo, procuro entre nomes de flores cidades ou estrelas
e nem sequer nos empedrados rostos das catedrais que eu vi
encontrei nada que pudesse trazer para aqui
outras coisas que pudesse ir amontoando com o tempo
para ir compondo o poema, minha filha, que há dezasseis anos ando para te escrever
mas que não fui capaz
porque escusado é dizer que é dentro de mim que habita uma enorme rosa de fogo
que não se vê do lado das palavras ou das pedras.
Nombrarte
quinta-feira, julho 14, 2011
quarta-feira, julho 13, 2011
segunda-feira, julho 11, 2011
domingo, julho 10, 2011
quarta-feira, julho 06, 2011
terça-feira, julho 05, 2011
segunda-feira, julho 04, 2011
And sometimes I believe your relentless analysis of June leaves something out, which is your feeling for her beyond knowledge, or in spite of knowledge. I often see how you sob over what you destroy, how you want to stop and just worship; and you do stop, and then a moment later you are at it again with a knife, like a surgeon.
What will you do after you have revealed all there is to know about June? Truth. What ferocity in your quest of it. You destroy and you suffer. In some strange way I am not with you, I am against you. We are destined to hold two truths. I love you and I fight you. And you, the same. We will be stronger for it, each of us, stronger with our love and our hate. When you caricature and nail down and tear apart, I hate you. I want to answer you, not with weak or stupid poetry but with a wonder as strong as your reality. I want to fight your surgical knife with all the occult and magical forces of the world.
I want to both combat you and submit to you, because as a woman I adore your courage, I adore the pain in engenders, I adore the struggle you carry in yourself, which I alone fully realize, I adore your terrifying sincerity. I adore your strength. You are right. The world is to be caricatured, but I know, too, how much you can love what you caricature. How much passion there is in you! It is that I feel in you. I do not feel the savant, the revealer, the observer. When I am with you, it is the blood I sense.
This time you are not going to awake from the ecstasies of our encounters to reveal only the ridiculous moments. No. You won’t do it this time, because while we live together, while you examine my indelible rouge effacing the design of my mouth, spreading like a blood after an operation (you kissed my mouth and it was gone, the design of it was lost as in a watercolor, the colors ran); while you do that, I seize upon the wonder that is brushing by (the wonder, oh, the wonder of my lying under you), and I bring it to you, I breathe it around you. Take it. I feel prodigal with my feelings when you love me, feelings so unblunted, so new, Henry, not lost in resemblance to other moments, so much ours, yours, mine, you and I together, not any man or any woman together.
What is more touchingly real than your room. The iron bed, the hard pillow, the single glass. And all sparkling like a Fourth of July illumination because of my joy, the soft billowing joy of the womb you inflamed. The room is full of the incandescence you poured into me. The room will explode when I sit at the side of your bed and you talk to me. I don’t hear your words: your voice reverberated against my body like another kind of caress, another kind of penetration. I have no power over your voice. It comes straight from you to me. I could stuff my ears ad it would find its way into my blood and make it rise.
I am impervious to the flat visual attack of things. I see your khaki shirt hung up on a peg. It is your shirt and I could see you in it — you, wearing a color I detest. But I see you, not the khaki shirt. Something stirs in me as I look at it, and it is certainly the human you. It is a vision of the human you revealing an amazing delicacy to me. It is your khaki shirt and you are the man who is the axis of my world now. I revolve around the richness of your being.
"Come closer to me, come closer. I promise you it will be beautiful."
You keep your promise.
Listen, I do not believe that I alone feel that we are living something new because it is new to me. I do not see in your writing any of the feelings you have shown me or any of the phrases you have used. When I read your writing, I wondered, What episode are we going to repeat?
You carry your vision, and I mine, and they have mingled. If at moments I see the world as you see it (because they are Henry’s whores I love them), you will sometimes see it as I do.»
Anais Nin, carta para Henry Miller
domingo, julho 03, 2011
Sucede que Casanova era tudo menos um idiota (basta lê-lo). Sucede que as generalizações são generalizações. Sucede que Casanova não era um animal sexual - apenas alguém com um coração muito maior do que o normal. Sucede que o que atraía Casanova não era a variedade de corpos - mas de mentes. Sucede que Casanova só conhecia hebraicamente depois de conquistar alma e sentidos. Sucede que Casanova nunca escreveria algo assim sobre as mulheres.
