Usage is irreversible. Once the integrity of a word is lost, no amount of grumbling and harrumphing can possibly restore it. The battle against illiteracies and barbarisms, and pedantries and genteelisms, is not a public battle. It takes place within the soul of every individual who minds about words.
Martin Amis
domingo, maio 29, 2011
sábado, maio 28, 2011
quinta-feira, maio 26, 2011
Putatividades
A obsessão torna a realidade na cabeça do obsessivo com mais marcas suas do que do próprio objecto de obsessão.
O Suplente
A pergunta do livro de Rui Zink sempre ecoou na minha cabeça.
Seremos todos suplentes na vida uns dos outros?
O trabalho que a maior parte das pessoas faz é o trabalho que mais gostaria de fazer ou o primeiro ou segundo ou terceiro «suplente» que teve de escolher entre a realidade?
Quantas pessoas lutam por amar aquilo que têm ao invés de lutar pelo que amam?
Li, certa vez, que grande parte do nosso círculo de amigos é determinado pelo factor geográfico.
Seremos todos suplentes na vida uns dos outros?
O trabalho que a maior parte das pessoas faz é o trabalho que mais gostaria de fazer ou o primeiro ou segundo ou terceiro «suplente» que teve de escolher entre a realidade?
Quantas pessoas lutam por amar aquilo que têm ao invés de lutar pelo que amam?
Li, certa vez, que grande parte do nosso círculo de amigos é determinado pelo factor geográfico.
Quantas pessoas com quem nos damos não são suplentes de outras melhores que não se cruzaram na nossa vida?
Há uma ideia, uma teoria que permite contrariar isto - achar que o Grande Arquitecto e Arquitecta faz-nos sempre encontrar as pessoas que temos de encontrar, as oportunidades que temos de agarrar; que nada acontece por Acaso e que tudo o que nos espera nos encontrará num dia. Talvez até quando menos esperarmos.
Desligamento
Vasco Pulido Valente escreveu que a conversa como arte morreu. Jorge Luís Borges escreveu que devíamos a arte de conversar aos gregos da Antiguidade Clássica. Velho do Restelo, anacrónico, extemporâneo, uns anos mais novo, concordo. Já nem digo o que bebo nos transportes públicos - o último a sair, os políticos são todos corruptos, o i-phone, o i-pad, jovens que estão sempre a tirar fotografias e que falam logo em as pôr no Facebook. Nos elevadores, só se fala do clima.
Digo: as conversas mesmo com pessoas que têm uma certa aristocracia do espírito.
Não se levam conversas até ao fim. O problema já não é o tema da conversa. O problema é que as conversas são fragmentárias, saltitantes, umbiguistas. As pessoas querem falar de si - dos seus mundinhos, dos problemas no trabalho. Dizem tantos palavras para expressar tão pouco. O sumo da noite, por vezes, é uma gotícula. Repetem ideias-clichés que assimilam acriticamente, como grafonolas acéfalas.
(Quem lerá profundamente - com tempo, releitura, pausa para sedimentação, reflexão sobre o livro fora do momento de leitura, concentração exclusiva, ambiente sem distracção sensorial - os clássicos no século XXI?)
Digo: as conversas mesmo com pessoas que têm uma certa aristocracia do espírito.
Não se levam conversas até ao fim. O problema já não é o tema da conversa. O problema é que as conversas são fragmentárias, saltitantes, umbiguistas. As pessoas querem falar de si - dos seus mundinhos, dos problemas no trabalho. Dizem tantos palavras para expressar tão pouco. O sumo da noite, por vezes, é uma gotícula. Repetem ideias-clichés que assimilam acriticamente, como grafonolas acéfalas.
É preciso ambiência para falar. Numa discoteca (frequentei muitas), dificilmente se estrutura uma conversa com princípio, meio e fim. Dança-se, pára-se e cumprimenta-se a, b e c - sem humanidade, sem interesse genuíno pelo Outro. Ver e ser visto. Engate. Alienação.
Nasci no século errado.
(Quem lerá profundamente - com tempo, releitura, pausa para sedimentação, reflexão sobre o livro fora do momento de leitura, concentração exclusiva, ambiente sem distracção sensorial - os clássicos no século XXI?)
Não: plantai batatas, ó geração de vapor e de pó de pedra, macadamizai estradas, fazeis caminhos de ferro, construí passarolas de Ícaro, para andar a qual mais depressa, estas horas contadas de uma vida toda material, maçuda e grossa como tendes feito esta que Deus nos deu tão diferente do que a que hoje vivemos. Andai, ganha-pães, andai; reduzi tudo a cifras, todas as considerações deste mundo a equações de interesse corporal, comprai, vendei, agiotai. No fim de tudo isto, o que lucrou a espécie humana? Que há mais umas poucas dúzias de homens ricos. E eu pergunto aos economistas políticos, aos moralistas, se já calcularam o número de indivíduos que é forçoso condenar a miséria, ao trabalho desproporcionado, à desmoralização, à infâmia, à ignorância crapulosa, à desgraça invencível, à penúria absoluta, para produzir um rico? - Que lho digam no Parlamento inglês, onde, depois de tantas comissões de inquérito, já devia andar orçado o número de almas que é preciso vender ao diabo, número de corpos que se tem de entregar antes do tempo ao cemitério para fazer um tecelão rico e fidalgo como Sir Roberto Peel, um mineiro, um banqueiro, um granjeeiro, seja o que for: cada homem rico, abastado, custa centos de infelizes, de miseráveis.
Almeida Garrett
Almeida Garrett
quarta-feira, maio 25, 2011
Como procederia Jesus nas actuais situações, quando pensamos no modo como agiu? Seria contra o preservativo, os anticonceptivos, excluiria as mulheres, obrigaria ao celibato, proibiria a comunhão aos recasados? Que diria sobre as relações sexuais antes do casamento? Como procederia em relação ao ecumenismo e ao diálogo inter-religioso?
Hans Küng
Hans Küng
domingo, maio 22, 2011
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