quarta-feira, maio 18, 2011

Agostinho da Silva sustenta que a relação do escravo e do colonizador ou proprietário é tão degradante para um como para ou outro - mas que se o primeiro luta pela libertação, então a degradação do opressor é mais funda.

segunda-feira, maio 16, 2011

In desperate love, we always invent the characters of our partners, demanding they be what we need of them, and then feeling devastated when they refuse to perform the role we created in the first place.

Elizabeth Gilbert
Dear friends,



Frank Mugisha and other brave human rights defenders delivering our petition to the Ugandan Parliament just before leaders dropped the gay death penalty law.
Uganda's anti-gay law has failed! It looked sure to pass last week, but after 1.6 million petition signatures delivered to Parliament, tens of thousands of phone calls to our own governments, hundreds of media stories about our campaign and a massive global outcry, Ugandan politicians dropped the bill!

It was down to the wire - religious extremists tried to push the bill through on Wednesday, and then convened an unprecedented emergency session of Parliament on Friday. But each time, within hours, we reacted. A huge congratulations to everyone who signed, called, forwarded and donated to this campaign - with our help, thousands of innocent people in Uganda's gay community do not wake up this morning facing execution for whom they chose to love.

Frank Mugisha, a courageous leader of the gay community in Uganda sent us this message:

"Brave Ugandan LGBT activists and millions of people around the world have stood together and faced down this horrendous anti-homosexuality bill.The support from the Avaaz global community has tipped the scales to prevent this Bill going forward. Global solidarity has made a huge difference."

The EU High Representative for Foreign Affairs' Office also wrote to Avaaz:

"Many thanks. As you know, thanks to a very large extent to the intensive lobbying and combined effort of you, other civil society representatives, EU and other governments, plus our delegation and embassies on the ground the Bill was not presented to the Parliament this morning."

This fight is not over. The extremists behind this bill could try again within just 18 months. But this is the second time we've helped defeat this bill, and we'll keep going until the hate-mongers give up.

Transforming the deeper causes of ignorance and hatred behind homophobia is an historic, long term struggle, one of the great causes of our generation. But Uganda has become a front line in that struggle, and a powerful symbol. The victory there echoes across many other places where hope is desperately needed, showing that kindness, love, tolerance and respect can defeat hatred and ignorance. Again, a huge thanks to all who made it happen.

With enormous gratitude and admiration for this amazing community,

Ricken, Emma, Iain, Alice, Giulia, Saloni and the whole Avaaz team.


Media highlights:

Anti-gay bill shelved:
http://www.bbc.co.uk/news/world-africa-13392723

Avaaz's response to the outcome in the Guardian:
http://www.guardian.co.uk/world/2011/may/13/uganda-anti-gay-bill-shelved

Ugandan President did not back bill because of "criticism of human rights groups":
http://www.sfgate.com/cgi-bin/article.cgi?f=/n/a/2011/05/13/international/i042638D37.DTL

Anti-gay bill delayed amid outcry:
http://www.news24.com/Africa/News/Uganda-shelves-anti-gay-bill-20110513

Uganda's "kill the gays" bill defeated:
http://af.reuters.com/article/topNews/idAFJOE74C0HP20110513
Há uma mulher na minha solidão sem lábios
Que não sei se é azul ou verde
Que se apaga talvez no horizonte
Há uma mulher talvez na palavra solidão
Que nunca se distingue da palavra
Porque é a palavra mesma que não se diz
Porque é a solidão que não é ela

Há uma mulher nos confins da minha ausência
Como uma sombra da minha ausência
Como uma ausência da mesma sombra

Há uma mulher nos lábios da minha solidão
Que nunca chega a ser pronunciada
Ou é o ar de uma sede que não respiro
Ou o nada mesmo de todo a solidão

Há uma mulher de musgo nas minhas pálpebras
E outra que se esconde nos olhos e é a mesma
Há uma mulher de música
No meu sorriso
Há uma mulher de tristeza como o tempo
Na água das minhas mãos

Há tantas mulheres no meu corpo
E tantas quantas todas são uma só
ou nenhuma
ou nenhuma
E é a mesma que caminha contra o vento
Em qualquer rua


António Ramos Rosa

en esta noche, en este mundo

en esta noche en este mundo
las palabras del sueño de la infancia de la muerte
nunca es eso lo que uno quiere decir
la lengua natal castra
la lengua es un órgano de conocimiento
del fracaso de todo poema
castrado por su propia lengua
que es el órgano de la re-creación
del re-conocimiento
pero no el de la resurrección
de algo a modo de negación
de mi horizonte de maldoror con su perro
y nada es promesa
entre lo decible
que equivale a mentir
(todo lo que se puede decir es mentira)
el resto es silencio
sólo que el silencio no existe

no
las palabras
no hacen el amor
hacen la ausencia
si digo agua ¿beberé?
si digo pan ¿comeré?
en esta noche en este mundo
extraordinario silencio el de esta noche
lo que pasa con el alma es que no se ve
lo que pasa con la mente es que no se ve
lo que pasa con el espíritu es que no se ve
¿de dónde viene esta conspiración de invisibilidades?
ninguna palabra es visible

sombras
recintos viscosos donde se oculta
la piedra de la locura
corredores negros
los he recorrido todos
¡oh quédate un poco más entre nosotros!

mi persona está herida
mi primera persona del singular

escribo como quien con un cuchillo alzado en la
oscuridad
escribo como estoy diciendo
la sinceridad absoluta continuara siendo lo imposible
¡oh quédate un poco más entre nosotros!

los deterioros de las palabras
deshabitando el palacio del lenguaje
el conocimiento entre las piernas
¿qué hiciste del don del sexo?
oh mis muertos
me los comí me atraganté
no puedo más de no poder más

palabras embozadas
todo se desliza
hacia la negra licuefacción
y el perro de maldoror
en esta noche en este mundo
donde todo es posible
salvo
el poema

hablo
sabiendo que no se trata de eso
siempre no se trata de eso
oh ayúdame a escribir el poema más prescindible
el que no sirva ni para
ser inservible
ayúdame a escribir palabras
en esta noche en este mundo

Alejandra Pizarnik

A Morte, O Espaço, A Eternidade

De morte natural nunca ninguém morreu.
Não foi para morrer que nós nascemos,
não foi só para a morte que dos tempos
chega até nós esse murmúrio cavo,
inconsolado, uivante, estertorado,
desde que anfíbios viemos a uma praia
e quadrumanos nos erguemos. Não.
Não foi para morrermos que falámos,
que descobrimos a ternura e o fogo,
e a pintura, a escrita, a doce música.
Não foi para morrer que nós sonhámos
ser imortais, ter alma, reviver,
ou que sonhámos deuses que por nós
fossem mais imortais que sonharíamos.
Não foi. Quando aceitamos como natural,
dentro da ordem das coisas ou dos anjos,
o inominável fim da nossa carne; quando
ante ele nos curvamos como se ele fora
inescapável fome de infinito; quando
vontade o imaginamos de outros deuses
que são rostos de um só; quando que a dor
é um erro humano a que na dor nos damos
porque de nós se perde algo nos outros, vamos
traindo esta ascensão, esta vitória, isto
que é ser-se humano, passo a passo, mais.

A morte é natural na natureza. Mas
nós somos o que nega a natureza. Somos
esse negar da espécie, esse negar do que
nos liga ainda ao Sol, à terra, às águas.
Para emergir nascemos. Contra tudo e além
de quanto seja o ser-se sempre o mesmo
que nasce e morre, nasce e morre, acaba
como uma espécie extinta de outras eras.
Para emergirmos livres foi que a morte
nos deu um medo que é nosso destino.
Tudo se fez para escapar-lhe, tudo
se imaginou para iludi-la, tudo
até coragem, desapego, amor,
tudo para que a morte fosse natural.

Não é. Como, se o fôra, há tantos milhões de anos
a conhecemos, a sofremos, a vivemos,
e mesmo assassinando a não queremos?
Como nunca ninguém a recebeu
senão cansado de viver? Como a ninguém
sequer é concebível para quem lhe seja
um ente amado, um ser diverso, um corpo
que mais amamos que a nós próprios? Como
será que os animais, junto de nós,
a mostram na amargura de um olhar
que lânguido esmorece rebelado?

E desde sempre se morreu. Que prova?
Morrem os astros, porque acabam. Morre
tudo o que acaba, diz-se. Mas que prova?
Só prova que se morre de universo pouco,
do pouco de universo conquistado.

Não há limites para a Vida. Não
aquela que de um salto se formou
lá onde um dia alguns cristais comeram;
nem bem aquela que, animal ou planta,
foi sendo pelo mundo este morrer constante
de vidas que outras vidas alimentam
para que novas vidas surjam que
como primárias células se absorvam.
A Vida Humana, sim, a respirada,
suada, segregada, circulada,
a que é excremento e sangue, a que é semente
e é gozo e é dor e pele que palpita
ligeiramente fria sob ardentes dedos.
Não há limites para ela. É uma injustiça
que sempre se morresse, quando agora
de tanto que matava se não morre.
É o pouco de universo a que se agarram,
para morrer, os que possuem tudo.
O pouco que não basta e que nos mata,
quando como ele a Vida não se amplia,
e é como a pele do ónagro, que se encolhe,
retráctil e submissa, conformada.
É uma injustiça a morte. É cobardia
que alguém a aceite resignadamente.
O estado natural é complacência eterna,
é uma traição ao medo por que somos,
áquilo que nos cabe: ser o espírito
sempre mais vasto do Universo infindo.

O Sol, a Via Láctea, as nebulosas,
teremos e veremos até que
a Vida seja de imortais que somos
no instante em que da morte nos soltamos.
A Morte é deste mundo em que o pecado,
a queda, a falta originária, o mal
é aceitar seja o que for, rendidos.

E Deus não quer que nós, nenhum de nós,
nenhum aceite nada. Ele espera,
como um juiz na meta da corrida
torcendo as mãos de desespero e angústia,
porque nada pode fazer nada e vê
que os corredores desistem, se acomodam,
ou vão tombar exaustos no caminho.
De nós se acresce ele mesmo que será
o espírito que formos, o saber e a força.
Não é nos braços dele que repousamos,
mas ele se encontrará nos nossos braços
quando chegarmos mais além do que ele.
Não nos aguarda – a mim, a ti, a quem amaste,
a quem te amou, a quem te deu o ser –
não nos aguarda, não. Por cada morte
a que nos entregamos ele se vê roubado,
roído pelos ratos do demónio,
o homem natural que aceita a morte,
a natureza que de morte é feita.

Quando a hora chegar em que já tudo
na terra foi humano — carne e sangue —,
não haverá quem sopre nas trombetas
clamando o globo a um corpo só, informe,
um só desejo, um só amor, um sexo.
Fechados sobre a terra, ela nos sendo
e sendo ela nós todos, a ressurreição
é morte desse Deus que nos espera
para espírito seu e carne do Universo.
Para emergir nascemos. O pavor nos traça
este destino claramente visto:
podem os mundos acabar, que a Vida,
voando nos espaços, outros mundos,
há-de encontrar em que se continue.
E, quando o infinito não mais fosse,
e o encontro houvesse de um limite dele,
a Vida com seus punhos levá-lo-á na frente,
para que em Espaço caiba a Eternidade.

Jorge de Sena
O cristianismo afirma que a noite não nos surpreenderá. O ser humano é algo mais do que um breve parêntese entre duas obscuridades: a do nada, de onde vimos, e a do sepulcro, para onde nos encaminhamos. Toda a história do cristianismo é um denodado esforço contra o nada como meta e como origem.

M. Fraijó

domingo, maio 15, 2011

Não leio livros. Sou mais da geração Internet.

Joana Freitas

Da Natureza Humana

Os seus amigos - ou antes, as suas companhias - mudam de seis em seis meses. Não suporta que os outros o conheçam - e não consegue manter a personagem fictícia durante muito tempo. Então, inventa razões para se zangar com todos.


Não há ninguém de quem diga bem. Resiste com todas as suas forças a admitir um erro - a falha mora sempre no Outro. Se o criticam - especialmente onde dói -, contra-ataca como um felino endemoninhado.


Tem um falso castelo enorme - mas os soldados que protegem o seu trono são bonequinhos inventados pelo seu ego.

O seu cérebro arranjou uma maneira de proteger o ego - falível, é certo -, mas que para já lhe tem impedido de cair na mais profunda depressão.

«Não preciso de ajuda», repete como uma prece - já não para os outros, mas para aquela parte de si cuja voz é mais difícil de abafar.

É coerente. A RTP 2 também é para encerrar.

Passos quer acabar com Ministério da Cultura
Líder do PSD diz que esta área deverá ficar na dependência directa do primeiro-ministro



O presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, anunciou este domingo que se formar Governo a cultura deverá ficar na dependência directa do primeiro-ministro, deixando de haver Ministério da Cultura.

Inédito no Público de 14 de Maio de 2011

os cães gerais ladram às luas que lavram pelos desertos fora,
mas a gota de água treme e brilha,
não uses as unhas senão nas linhas mais puras,
e a grande Constelação do Cão galga através da noite do mundo cheia de ar e de areia
e de fogo,
e não interrompe ministério nenhum nem nenhum elemento,
e tu guarda para a escrita a estrita gota de água imarcescível
contra a turva sede da matilha,
com tua linha limpa cruzas cactos, escorpiões, árduos buracos negros:
queres apenas
aquela gota viva entre as unhas,
enquanto em torno sob as luas os cães cheiram os cus uns aos outros
à procura do ouro

Herberto Helder

sexta-feira, maio 13, 2011

Não é pela racionalidade que chegamos à fé. Bertrand Russell dizia que se sentia racionalmente muito mais próximo do budismo, mas que a sua educação e imersão na cultura cristão pressionavam as emoções a não o deixarem a matriz do cristianismo.

As diferenças essenciais do budismo ante as outras religiões.

=Buda nos sutras aconselha quem o lê a não seguir as suas palavras por fé ou crença. «Não aceitem o que eu digo pela autoridade que me conferem. Testem as minhas palavras como o ourives testa os materiais para verem se são ouro. Não há crença, mas racionalidade.

Buda diz que não se deve pregar o budismo a ninguém. «Só se forem interpelados pelo vosso sistema de pensamento, a cada pergunta dirão a resposta. Mas nunca falem disto a ninguém.» Não há missionários.

Buda introduziu a ausência do eu, a teoria da vacuidade. (Quem puder mergulhar nestes assuntos que o faça.)

Buda não acreditava num Deus, mas num sistema de leis que regiam o Universo.


quarta-feira, maio 11, 2011

- Angel, ela ora me dá esperanças ora me tira o tapete por completo. Vivemos na amizade mas com uns sinais de flirt muito difusos... Aquilo território do pode-ser-outra-coisa, mas também pode-não-ser-nada-e-ser-tudo-casual-e-inocente. Está tão tão tão na fronteira. Ela nunca verbalizou nada, nem tem gestos, porém... há coisas... Por exemplo, quando um dia lhe disse que gostava de roxo, ela no dia seguinte apareceu toda vestida de roxo. Quando lhe falei de uma banda de que gostava, ela pôs um vídeo no Facebook. Quando lhe perguntei o nome do perfume, no dia seguinte, ela tinha mais perfume do que nunca.

The Perfect Girl

You're such a strange girl
I think you come from another world
You're such a strange girl
I really don't understand a word
You're such a strange girl
I'd like to shake you around and around
You're such a strange girl
I'd like
To turn you
All upside down

You're such a
Strange girl
The way you look like you do
You're such a strange girl
I want
To be with you

I think I'm falling
I think I'm falling in
I think I'm falling in love with you
With you

The Cure
What though the radiance which was once so bright
Be now for ever taken from my sight,
Though nothing can bring back the hour
Of splendour in the grass, of glory in the flower;
We will grieve not, rather find
Strength in what remains behind;
In the primal sympathy
Which having been must ever be;
In the soothing thoughts that spring
Out of human suffering;
In the faith that looks through death,
In years that bring the philosophic mind.


William Wordsworth

Livre circulação de capitais? Absolutamente. Livre circulação de pessoas? Eh pá, vamos com calma!

ATUALIDADE NATO deixa morrer 61 migrantes no Mediterrâneo « Atualidade « Página Inicial |
NATO deixa morrer 61 migrantes no Mediterrâneo
Investigação do "The Guardian" revela que dezenas de migrantes africanos foram deixados morrer no mar.

Cristina Peres (www.expresso.pt), com
15:28 Segunda feira, 9 de maio de 2011
16 comentários

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Guarda costeira italiana auxilia migrantes africanos que tentavam chegar a Lampedusa
Guarda costeira italiana/EPA
Dezenas de migrantes oriundos do norte de África foram deixados a morrer no Mediterrâneo apesar da presença de unidades militares europeias e da NATO na área que, aparentemente, ignoraram os pedidos de ajuda.

No final de março, os 72 passageiros do barco - entre os quais se encontravam mulheres, bebés e refugiados políticos - entrou em dificuldades de navegação no Mediterrâneo após ter largado de Tripoli, no dia 25 de março, em direção à ilha italiana de Lampedusa.

Não houve nenhum esforço de salvamento, apesar de os alarmes terem sido acionados para a guarda costeira italiana e de o barco ter entrado em contacto com um helicóptero militar e com um navio de guerra da NATO, segundo publicou hoje em exclusivo o diário britânico "The Guardian".

11 sobreviventes em 72 passageiros

Apenas 11 pessoas escaparam com vida à morte lenta por fome e sede a que ficaram condenados os passageiros na embarcação à deriva durante 16 dias. Um dos sobreviventes, conta o diário britânico, resistiu bebendo a sua própria urina e comendo dois tubos de pasta dentífrica.

Apesar de a lei marítima internacional obrigar todas as embarcações, incluindo as militares, a responder a pedidos de socorro e a prestar ajuda sempre que possível, esta embarcação não recebeu auxílio.

O "Guardian" fez uma reconstituição dos acontecimentos a partir dos testemunhos recolhidos e conta a história da seguinte maneira: 47 migrantes etíopes, sete nigerianos, sete eritreus, seis ganianos e cinco sudaneses, 20 dos quais eram mulheres e dois crianças pequenas (uma das quais tinha apenas um ano), partiram em direção a Lampedusa do norte de Tripoli. Após 18 horas de navegação, o barco começou a perder combustível e os passageiros ficaram à mercê de "uma mistura de azar, burocracia e a aparente indiferença das forças militares europeias, que tiveram oportunidade de tentar salvá-los".

Contacto com helicóptero militar

Houve ainda um contacto com um helicóptero militar (que, até à data nenhum país assume identificar) que lhes forneceu alguma água potável e uma pequena quantidade de bolachas, a guarda costeira italiana foi avisada e declarou ao "Tha Guardian": "Avisámos Malta de que a embarcação se dirigia para a zona de busca e salvamento deles e emitimos um alerta que obrigava outras embarcações a ir em socorro deles".

No entanto, as autoridades maltesas negaram qualquer envolvimento com o barco em questão. A 27 de março, ele estava à deriva nas correntes da zona sem combustível, água potável nem alimentos. Todas as manhãs havia mais mortos a bordo, que eram atirados borda fora 24 horas depois.

No dia 29 ou 30, conta o jornal, a embarcação passa junto de um porta-aviões da NATO. O porta-voz da organização, que está presentemente a coordenar a ação militar na Líbia, disse que não tinha captado pedidos de socorro do barco e não tinha registo do incidente.

Deixados à sorte

"As unidades da NATO têm total conhecimento das suas responsabilidades relativamente à lei marítima internacional no que respeita a segurança da vida no mar. Os navios da NATO respondem a todos os pedidos de socorro no mar e dão sempre ajuda, quando necessário. Salvar vidas é uma prioridade para os navios da NATO", adiantou o porta-voz. Nos dez dias que se seguiram, quase todas as pessoas a bordo morreram.

"O Mediterrâneo não pode transformar-se no oeste selvagem", declarou Laura Boldrini, a porta-voz do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR). Moses Zerai, um padre eritreu em Roma, que dirige a organização de direitos dos refugiados Habeshia, é citado pelo Guardian: "Houve abdicação de responsabilidade, o que levou à morte de mais de 60 pessoas. Isso constitui um crime e não pode ficar por punir só porque as vítimas era migrantes africanos e não turistas num cruzeiro".

Nos últimos quatro meses, mais de 30 mil pessoas arriscaram a vida migrando em embarcações pouco seguras numa tentativa de escapar à instabilidade política que se vive nos seus países de origem.
Tem um medo visceral de ver as suas certezas arrumadinhas abaladas. Nã, nã, nã, diz a qualquer ideia nova, estímulo novo ou modo de olhar diferente.

O terror de, ao fazer auto-crítica, deixar de funcionar.

Não aguenta a «desordem estuporada da vida».

os insanos sempre me amaram

os insanos sempre me amaram
e os anormais.
ao longo de todo o ensino
fundamental
ensino médio
faculdade
os rejeitados
uniam-se a
mim.
tipos com um só braço
tipos com tiques
tipos com problemas de fala
tipos com uma película branca
sobre um dos olhos,
cobardes
misantropos
assassinos
tarados
e ladrões.
e em todas
as fábricas e na
vagabundagem
sempre atraí
os rejeitados. eles encontravam-me
logo
grudavam a sua cara
em mim. continuam
fazendo isso.
aqui na vizinhança há agora
um que me
encontrou.
ele anda por aí empurrando um
carrinho de supermercado
cheio de lixo:
bengalas partidas, atacadores
sacos vazios de batatas fritas,
caixas de leite, jornais, canetas...
«ei, parceiro, o que ´tá a fazer?»
eu paro e conversamos um
pouco.
então eu digo adeus
mas ele continua
seguindo-me
para além das casas de putas e dos
prostíbulos...
«mantém-me informado,
parceiro, mantém-me informado,
quero saber o que está
a acontecer.»
esse é o meu insano de momento.
nunca o vi falar
com mais
ninguém.
o carrinho chocalha
um pouco atrás
de mim
então alguma coisa
cai.
ele detém-se para
juntá-la.
enquanto ele se ocupa disso eu
entro pela porta de um
hotel verde que fica na
esquina
cruzo
o saguão
saio pela porta
dos fundos e
ali há um gato
cagando
absolutamente deliciado,
que me arreganha os
dentes.

idem
O amor é uma das formas do preconceito.

Bukowski
Please stop loving me
I am none of these things

Robert Smith
A diferença entre a literatura e o jornalismo é que o jornalismo é ilegível e a literatura não é lida.

Oscar Wilde

terça-feira, maio 10, 2011

Mais vale uma na mão do que duas no sutiã.

João Rosa

segunda-feira, maio 09, 2011

Because I cannot sleep
I make music at night.
I am troubled by the one
whose face has the color of spring flowers.

Poesia Sufi
A Feira do Livro mudou. As editoras mudaram.O objecto livro mudou.

Antes, não havia o e-book. Antes, não havia duas divisões na Feira do Livro. Antes, não havia a concentração editorial. Antes, não havia tipos à frente de editoras (ainda para mais, das maiores editoras) que diziam «não conheço Oscar Wilde», «filosofia, poesia e literatura não me interessam para nada» [Paes do Amaral ao Jornal de Negócios]. Antes, não havia esta dessacralização do livro que deixou de estar apenas nas livrarias para passar a estar junto às batatas e aos detergentes. Antes, as revistas literárias eram revistas literárias. Antes, os programas literárias eram programas literários. Antes, não havia tantos jogadores de futebol e figuras do Big Brother a colonizarem o mercado editorial, sufocando a possibilidade de emersão de novos autores. Antes, a poesia não era tão residual. Antes, as traduções dos clássicos eram exercícios de rigor. Antes, os top de vendas não eram tão reles.

O pós-modernismo quer tornar a literatura (que só ocupa 8% das livrarias) algo pop e kitsch. Passeio pela Feira do Livro e nunca, em mais de vinte anos, me deparei com tanto trash. Clássicos com capas de filmes (porque senão poucos os reconheceriam pelo título?!). Títulos de livros que banalizam grandes autores: Nietzsche para deixar de sofrer, Proust em 50 minutos, Este e Aquele Grande Nome Para Ser Feliz.




domingo, maio 08, 2011

Then wear the gold hat, if that will move her;
If you can bounce high, bounce for her too,
Till she cry “Lover, gold-hatted, high-bouncing lover,
I must have you!

Thomas Parke D'Invilliers

Isto (excerto)

Tudo o que sonho ou passo,

O que me falha ou finda,

É como que um terraço

Sobre outra coisa ainda.

Essa coisa é que é linda.



Fernando Pessoa (ortónimo)
- Angel, tu tens os teus poemas e as tuas sensações tão arrebatadoras com eles que qualquer pessoa ao teu lado te parecerá sempre pouco ao pé dos poemas que te inspiram. Nenhuma mulher pode competir em deslumbre com o que a poesia do Walt Whitman te provoca.

(She said.)
She will never be enough
[...]
We will never be in love
We will never be in love
We will never be
In love

The Cure


A Ausência desincorpora

Emily Dickinson

sábado, maio 07, 2011

A beleza quando avança é mais terrível do que um exército.

Herberto Helder

sexta-feira, maio 06, 2011

www.ntf-literatura2011.com

Votar em Emílio Miranda

quinta-feira, maio 05, 2011

- Olá. [Atendo o telefone.]
- Então...
- Então... estás bem?
Silêncio.

- Estás aí? [Pergunto.]
- Sim, não tenho nada para te dizer.
Fernando Pessoa era caótico na vida - como não poderia sê-lo quem tinha tantos eus dentro de si? Na política, era próximo do autoritarismo. Na vida pessoal, desorganização. Na vida pública, defendia a organização, a disciplina, o rigor, a autoridade.

Marinho e Pinto diz que se lhe matassem a filha, arrancava os olhos do homicida e matava-o com requintes de tortura. Contudo, é cem por cento contra a tortura, a prisão perpétua e a pena de morte.

As opções colectivas, aquilo que achamos que o Estado deve traduzir ou que sociedade deve ser, por vezes, nada devem às opções da nossa vida.


quarta-feira, maio 04, 2011

- A ficção é verde, o ensaio cinzento.
I’ve found that writing novels is an all-absorbing experience—both physical and mental—and I have to do it every day in order to keep the rhythm, to keep myself focused on what I’m doing. Even Sunday, if possible. If there’s no family thing happening that day, I’ll at least work in the morning. Whenever I travel, I get thrown off completely. If I’m gone for two weeks, it takes me a good week to get back into the rhythm of what I was doing before.
Writing is physical for me. I always have the sense that the words are coming out of my body, not just my mind. I write in longhand, and the pen is scratching the words onto the page. I can even hear the words being written. So much of the effort that goes into writing prose for me is about making sentences that capture the music that I’m hearing in my head. It takes a lot of work, writing, writing, and rewriting to get the music exactly the way you want it to be. That music is a physical force. Not only do you write books physically, but you read books physically as well. There’s something about the rhythms of language that correspond to the rhythms of our own bodies. An attentive reader is finding meanings in the book that can’t be articulated, finding them in his or her body. I think this is what so many people don’t understand about fiction. Poetry is supposed to be musical. But people don’t understand prose. They’re so used to reading journalism—clunky, functional sentences that convey factual information—facts, more than just the surfaces of things.

Paul Auster
As regras da arte almejavam uma sociedade que deveria basear-se em associações com características afectivas e solidárias. Nada disso. A ganância, a febre do lucro pelo lucro, o individualismo mais atroz criaram a sobranceria e o desprezo pelo humano. Onde se situa a fronteira da compaixão? As pessoas que querem permanecer elas próprias não têm espaço nem possibilidades. Esta exigência de compromisso perde-se com o desaparecimento do altruísmo de proximidade. Não nos cruzamos nas ruas, nos bairros, nas cidades. Trespassamo-nos, numa distância prática, física e mental que nos isola cada vez mais uns dos outros.

Baptista-Bastos

segunda-feira, maio 02, 2011

É conhecida a relação de Pessoa com o esoterismo, nomeadamente com a astrologia e com o Mago Negro, Aleister Crowley, que conheceu depois de lhe enviar uma carta corrigindo o seu mapa astral publicado na imprensa inglesa e que terá impressionado Crowley pelo seu profundo conhecimento da astrologia.

Pessoa e Crowley terão trocado um diálogo interessado sobre o poder da magia.

- É possível fazer mal a alguém pela magia?
- Sim. Pela magia negra. E o bem pela magia branca. Tu podes mandar cair um nevoeiro sobre alguém. É-me fácil. Mas ficas na certeza de que, num dia, esse nevoeiro te irá cair na cabeça. Queres ainda assim mandar cair um nevoeiro sobre a cabeça de alguém?
- A linha divisória entre fazer justiça ou vingança é fodida. Acredito que tudo o que atiramos para a vida dos outros nos é devolvido. Detesto a palavra «vingança» e acredito que o universo se encarrega de tudo isso. Mas, neste caso, quero ser eu o perpetrador da vingança e estar lá, de pé, para assistir.

Pai, perdoai-lhes porque eles não sabem o que dizem 2

Nesta linha, coloca-se o problema da pena de morte, à volta do qual se regista, tanto na Igreja como na sociedade, a tendência crescente para pedir uma aplicação muito limitada, ou melhor, a total abolição da mesma. O problema há-de ser enquadrado na perspectiva de uma justiça penal, que seja cada vez mais conforme com a dignidade do homem e portanto, em última análise, com o desígnio de Deus para o homem e a sociedade. Na verdade, a pena, que a sociedade inflige, tem « como primeiro efeito o de compensar a desordem introduzida pela falta ». A autoridade pública deve fazer justiça pela violação dos direitos pessoais e sociais, impondo ao réu uma adequada expiação do crime como condição para ser readmitido no exercício da própria liberdade. Deste modo, a autoridade há-de procurar alcançar o objectivo de defender a ordem pública e a segurança das pessoas, não deixando, contudo, de oferecer estímulo e ajuda ao próprio réu para se corrigir e redimir.

Claro está que, para bem conseguir todos estes fins, a medida e a qualidade da pena hão-de ser atentamente ponderadas e decididas, não se devendo chegar à medida extrema da execução do réu senão em casos de absoluta necessidade, ou seja, quando a defesa da sociedade não fosse possível de outro modo.

Papa João Paulo II, Evangelho da Vida [TÍTULO ALGO PARADOXAL]


Pai, perdoai-lhes porque eles não sabem o que dizem

Quando a pena de morte é legal, o que se faz é condenar um indivíduo que cometeu um delito comprovado de extrema gravidade, e que, além disso, constitui um perigo para a paz social; isto é: castiga-se um culpado. No aborto, pelo contrário, aplica-se a pena de morte a um inocente.
Ratzinger, O Sal da Terra

domingo, maio 01, 2011

Mundinhos e Mundo

Há quem tenha mundo e quem tenha mundinho.

Conheço pessoas da Igreja que só conhecem o seu mundinho.

Conheço pessoas do PCP que só conhecem o seu mundinho.

Conheço carreiristas que só conhecem outros carreiristas.

Conheço casalinhos que só conhecem outros casalinhos.

Gosto mais de quem se dá com pessoas de dentes podres e pessoas de fato Armani, de quem é transversal nas idades, na geografia, nas tribos, nas crenças. De quem não limite a conhecer as pessoas da «escola», da «universidade», do «trabalho», da «vizinhança».

O Estado do Mundo

O filho mais novo de Muammar Kadhafi e três netos foram mortos no sábado por um ataque aéreo da NATO.
Para Jesus Cristo, o que é abominável aos olhos dos homens pode ser adorável aos olhos de Deus e o que é adorável aos olhos dos homens pode ser abominável aos olhos de Deus.

Recordo esta frase no dia em que um defensor da pena de morte é proclamado santo pelos humanos.

sábado, abril 30, 2011

Podes policiar os meus actos, mas não os meus sentimentos.

quinta-feira, abril 28, 2011

http://aeiou.expresso.pt/o-casal-separou-se-do-casamento=f588148

Uma explicação perifrástica para dizer: elas gostam dos bad boys mas estabilizam com os totós.
Séries como o Dexter veiculam uma matriz de extrema-direita - todos os criminosos são irregeneráveis, a segurança é um valor primacial; e portanto devem ser aniquilados.

Não há bons e maus.
Portugal é a economia mais lenta do mundo e a única em recessão em 2012. Estamos com o mais baixo crescimento dos últimos 90 anos. A nossa dívida pública é a pior dos últimos 150 anos, mesmo sem contar com as empresas públicas ou as PPP. O nosso desemprego é o mais alto desde que há registos. Temos a segunda maior onda de emigração do último século e meio, com uma das maiores "fugas de cérebros" registadas pela OCDE. A nossa taxa de poupança é a pior dos últimos 50 anos e continuamos com o dobro do abandono escolar de toda a União Europeia, sendo o 2.º pior dos 27, logo a seguir a Malta.

Manuel Maria Carrilho

quarta-feira, abril 27, 2011

- Amanhã, às duas ligo-te

No dia seguinte, ligou-me.

Olhei para o relógio: 14.00.

Esta história passou-se com um estrangeiro (bem sei que há muitas nações no «estrangeiro»).

Preconceito ou não, acho que este microepisódio seria mais difícil de se passar com um português.
A esperança é aquela coisa com penas
Que se empoleira na alma,
E canta uma melodia sem palavras,
E nunca cessa realmente,

E o mais doce dos vendavais
ouvido;
E amarga deve ser a tempestade
Que poderia envergonhar o passarinho
Que tantos mantivera quentes.

Ouvi-o na terra mais gelada
E no mar mais longínquo;
No entanto, nunca, nem no pior dos momentos
Me pediu sequer uma migalha


Emily Dickinson traduzido por MG
All energy spend on conscious work is an investment; that spend mechanically is lost forever.

Idem
Until a man uncovers himself he cannot see.

Gurdjieff
- O que é que nós queremos? Aquilo que nos negam.
É forte o homem que dispõe de alguns milhões. Mas é temível o homem que não tem necessidades, que não tem compromissos, que não tem medo, e que mantém o ânimo firme, o pensamento lúcido, o olhar justo e a mão desembaraçada!

Alberto Castro Ferreira

domingo, abril 24, 2011

citando de memória... EM NOME DE CRISTO

Muitas pessoas confundem anticlericalismo com anticristianismo.

Por falta de leitura e/ou reflexão - por cegueira apriorística.

Bastaria ler a Parábola do Bom Samaritano em que Cristo condena o sacerdote e o levita e exalta o samaritano (o proscrito à época) para perceber que Cristo tinha o seu quê de anticlerical.

O próprio, Cristo, de resto, preconizou o fim de Igreja ao dizer que haveria de haver um tempo em que «tu e o teu irmão não orarão no templo, mas em espírito».

Foi Cristo também quem lembrou que era mais importante o amor ao próximo do que o culto a Deus - ou antes: que o segundo não existia sem o primeiro.

´«Ide a aprender o que significa: "Prefiro a misericórdia ao sacrifício." Se tens alguma coisa contra o teu irmão, vai primeiro reconciliar-te com ele e volta depois para apresentares a tua oferta diante do altar.»

«Quem tiver ouvidos para ouvir que oiça.»
Ele andava sempre de calças quando eu era miúdo. Nunca compreendi porque não as dispensava nos dias de mais calor (nem na praia as tirava).

Alegava sempre qualquer coisa se fosse instado a andar de calções.

Um dia, vi a sua perna direita: desfeita, massacrada, repelente.

Percebi então que são os pontos mais frágeis aqueles que costumamos cobrir de mais texturas.

O que é o ciúme e a possessividade senão insegurança?

O Tibi (alcunha real) representa quase (só acrescento o «quase» por estarmos em época pascal) tudo o que não gosto num ser vivente.

A obviedade machista (Bukowski), a narração das façanhas sexuais (reais?) com os pormenores mais íntimos, a boçalidade, a incultura, o exibicionismo, a violência.

A sua actual namorada descreve-o como a pessoa mais insegura que conheceu.

Só surpreende quem não conhece a natureza humana.

sexta-feira, abril 22, 2011

- Estou a ler o primeiro volume do Tempo Perdido. É alienante. Vivo no livro, ou o livro vive em mim. Sei que é uma experiência alienante.
- O que calas tu?

O Sangue

Diz-me quem não ama
Aquilo que não volta mais
Tu nunca poderás esquecer como nos costumávamos sentir
A ilusão é profunda
É tão profunda quanto a noite
Posso dizê-lo pelas tuas lágrimas: tu lembras-te de tudo

Estou paralisado pelo Sangue de Cristo
Ainda que me enevoe os olhos
Eu nunca consigo parar

A sensação de secura
Atravessando nu o sol
Toda a miragem que vejo é uma miragem de ti

Enquanto me refresco no crepúsculo
Saboreia o sal na minha pele
Evoco todas as lágrimas
Todas as palavras destroçadas

Estou paralisado pelo Sangue de Cristo
Ainda que me enevoe os olhos
Eu nunca consigo parar

Quando o fulgor do pôr-do-sol deslizar para longe de ti
Tu não saberás mais se algo do que ficou é real

Robert Smith

quinta-feira, abril 21, 2011

O crítico é um homem sem pernas que quer esinar os outros a correr.

Channing Pollock
- Por vezes, preferia ter um energúmeno apaixonado por mim do que um intelectual indiferente.

CONGRATULATIONS, ROBERT SMITH

SOME PEOPLE NEVER GET OLD. I DON´T KNOW WHAT MY INNER LIFE WOULD BE WITHOUT YOU FOR THE LAST TWENTY YEARS.

LOVE.

domingo, abril 17, 2011

A maior parte das pessoas não conhece o significado da palavra Democracia.

Uma amiga minha relativiza as atrocidades dos direitos humanos dizendo:

- Mas a Argélia é uma democracia.

Demo e Kratos. A origem etimológica.

Um regime é, etimologicamente, mais democrático quanto mais próximo e participativo das decisões colectivas o povo (o cojunto de cidadãos) for.

Mas isso não nos garante que os direitos humanos sejam sequer vigiados.

A fome coabita com a democracia.

A pena de morte também.

A tortura também.

Uma sondagem da SIC revelava que 90% do povo português defende a pena de morte.

Alguém duvida de que se o povo estivesse mais próximo das decisões colectivas, os pedófilos seriam castrados? Que a pena de morte voltaria? Que os ciganos seriam (ainda) mais ostracizados?

Acredito que quem não ande de autocarro, seja mais ingénuo nestas matérias.

sábado, abril 16, 2011

Subiu tão alto tão alto tão alto que só lhe restava a solidão.

Walt, como é possível não acreditar na imortalidade conhecendo-te?

http://www.publico.pt/Cultura/descobertas-cartas-ineditas-do-poeta-walt-whitman_1490006

sexta-feira, abril 15, 2011

Ele é um filho de puta. Come - sim, é o verbo certo e deita fora. Não lê livros, tem poucos dias de trabalho honesto, pinta de porco, um léxico reduzido, uma terrível violência verbal (e quiçá física) mas um desprendimento-para-algumas-terrivelmente-magnético. Ela sabe disso tudo. As amigas massacram-na diariamente. Mas: penso como as outras: comigo-poderá-ser-diferente. Há qualquer de messiânico no seu amor.

O amor dela é como a atracção dos montanhistas pelo Abismo.
Os homens são vulgares, directos, ou inseguros ou ostensivos (outra forma de insegurança) com as mulheres. Como dizia o poeta: comem, bebem e soluçam (diria: arrotam).
São pessoas que não tomam partidos. Que veêm uma pessoa na rua a ser agredida, tê muita peninha, mas não se dão como testemunhas. São pessoas sem um estilo (como é difícil criar um estilo, uma marca, a vida toda é a procura de um estilo), pessoas que não deixarão lápides na memória (além da mulher ou marido e dos filhos). Carneiros formatados em fábrica cujo tempo volatizará sem pegadas no odor do Universo.
- Eu tenho uma necessidade de ter homens que dependam de mim, de quem eu possa cuidar. Um instinto maternal puxa-me... é mais forte...

terça-feira, abril 12, 2011

- Não gosto do Taoísmo. O Universo está em equilíbrio e nós não devemos mexer na fruta. Há lá coisa mais reaccionário, mais statu quo do que essa? O Calvinismo diz algo parecido de forma diferente. Estamos aqui comandados pelo Destino. No fundo, somos marionetas que julgam não ter fios para o Calvinismo. Mas o ponto comum é a inacção ou a ilusão da acção. Eu acredito no livre-arbítrio. Eu tenho de ser actuante. Mas isso deixa-me com o seguinte paradoxo: se Deus é justo, porque tenho eu e os outros de reparar as injustiças, as fissuras que Ele, Omnipotente, não resolve. Há coisas que não devemos deixar de interrogar mas que parecem irrespondíveis.
Infelizmente, há um homem que desempenha um peça-chave nas próximas eleições. Passos Coelho não tem a vitória garantia - esse é o primeiro ponto. Mas mesmo que ganhe - e pode perfeitamente ganhar - o seu governo será minoritário e terá de se sujeitar aos ditames do FMI (que, de resto, correspondem ao seu programa). O problema é um: um governo minoritário como o que se adivinha - seja do PS ou PSD -, num país a atravessar uma crise como não tinha desde o princípio do século, é um governo que precisa de aliados como de um balão de oxigénio. Passos precisa de Portas - esse ser perigosamente inconfiável.

Passo não quer pedir o apoio a Portas. Quer ser orgulhoso. Mas precisa desesperadamente dele. Preferencialmente (para ele, não para mim) numa coligão pré-eleitoral.

Portas é tragicamente uma peça-chave na cena política actual.

Com o triângulo de ódio (quem duvida, que leia as declarações dos últimos anos...) em que Sócrates detesta Passos e Cavaco, Cavaco detesta Sócrates e Passos, e Passos detesta Sócrates e Cavaco; Passos precisa de Portas. E Passos quer desesperadamente ganhar e, além disso, governar com estabilidade.
- Mas se Deus aceita que se reze por outrem, isso é um bocado um sistema de cunhas.
- Há lá coisa mais bonita do que a amizade?

segunda-feira, abril 11, 2011

- O Salazar conhecia bem os vícios portugueses. Não é por acaso que hoje estamos a vê-los vir ao de cima. Salazar foi importantíssimo em 1932 nas finanças. A austeridade que praticou era de alguém que percebia bem o problema dos portugueses. Veja-se o que deram 35 anos de democracia. Outra coisa que percebia bem era a sede ao pote dos corruptos, aqueles que se metia na política só por dinheiro. Nestes dois pontos, ninguém o pode atacar. O Salazar obrigava os ministros a levarem mantas de casa para não gastar em aquecedores. Tirando isso, foi o coveiro de Portugal.
- Nunca vais conhecer a dimensão do meu desejo.

Um dos homens mais hipócritas de Portugal

http://www.youtube.com/watch?v=BUIooqx26SE


http://fotos.sapo.pt/andreiapeniche/fotos/?uid=GWbzdNCY7HJvUYzNRj4H
- Sabes aquelas pessoas que quando te ligam, tu já dizes para ti «Vá diz lá o favor que queres qeu te faça»?
- Arrancar amor da alma custa, demora tempo, tropeça-se tantas vezes... há casos em que é impossível, em que se transporta a pessoa colada à pele uma vida inteira e todas as pessoas que se encontram depois são sucedâneos do que se perdeu. Acho que tu sabes isso tão bem ou melhor do que eu.

You know I hate

Culambistas (expressão do MEC). Aqueles que são bajuladores e servis com os de cima e déspotas e crúeis com os de baixo.

Fura-graves. Aqueles que combinam com os colegas agir colectivamente contra uma decisão injusta do poder arbitrário e que, na véspera, avisam a enidade patronal denunciando todos os nomes e, como é óbvio, faltando no dia da greve.

Escravos-bananas. Como aqueles que via nas praxes a serem aspergidos de perfume. «Caloiros cheiram mal! Caloiros cheiram mal!» Ia lá tirá-los e alguns: «Ah, mas tem de ser.» (Um ovo era quebrado na sua cabeça enquanto o amarelo deslizava pelos cabelos até à cara.)

domingo, abril 10, 2011

You know what I hate

Homens que sentem como obrigatoriedade abrir a parte a uma mulher e que, se necessário, dão à volta ao automóvel para abrirem a porta à dama.

Cavalheiro = machista

sábado, abril 09, 2011

- Angel, eu tenho medo de que tu sejas como o Zelig de Woody Allen que se transforma na pessoa com quem está. Ou antes: que faça sentir especial todas as pessoas.

sexta-feira, abril 08, 2011

- Queria fazer o meu coisa que sempre planeei fazer. Acabar a minha vida na mendicidade. É preciso ser mendigo para cortar com vaidade do mundo, ser sábio, desligarmo-nos do mundo e cair no anonimato.

quarta-feira, abril 06, 2011

- O João achou-te lindíssima. O Pedro achou-te podre de boa e muito culta. O Paulo achou-te extremamente gira e com um sentido de humor fabuloso.

(ela conheceu quatro. em quem ficará a pensar? no quarto não-nomeado.)
- Pensei em ti e nao me perguntes o que pensei, que é o que toda a gente pergunta nestas ocasiões. Pensei-te. Ocorreste-me simplesmente.
Foi assim. É assim. Sem motivos.
- É verdade que nunca leste nenhum destes livros?
- Os livros são aborrecidos.
- Os livros são espelhos: só se vê neles o que a pessoa tem dentro - replicou Julián.


Carlos Ruiz Záfon, A Sombra do Vento

terça-feira, abril 05, 2011

Poucas coisas marcam tanto um leitor como o primeiro livro que realmente abre caminho até ao seu coração.
Aquelas primeiras imagens, o eco dessas palavras que julgamos ter deixado para trás. acompanham-nos toda a vida e esculpem um palácio na nossa memória ao qual, mais tarde ou mais cedo - não importa quantos livros leiamos, quantos mundos descubramos, tudo quanto aprendamos ou esqueçamos -, vamos regressar.

Carlos Ruiz Záfon, A Sombra do Vento
Se te queres industriar na arte de seduzir (mais superficial) ou conquistar (mais profunda) o fabuloso mundo da feminilidade, dedica-te a observar o comportamento dos homens com as mulheres e age nas antípodas do que 99% deles faz.

A arte da escrita é parecida com a arte da conquista.

Tens de ser verdadeiro parecendo falso. Tens de ser fingidamente verdadeiro.

Tens de ser subtil. Ou seja, tens de evitar comportamentos de puxar a manga da camisa e fazeres musculo e dizeres: "Olha que musculo tao forte que eu tenho!!!"

A escrita ensina-te isso. Deves ser gritar em silencio. Deves deixar os adjectivos, a necessidade de impressionar, a ostentacao. Largar o barroco e o rococó - isso soa a bazofia e exibicionismo. Deves insinuar os adjectivos a partir das tuas accoes e nao borrifares o texto dessas cores garridas. Deves deixas as coisas no subtexto - ou, se preferires, na entrelinhas. A seducao habita nas entrelinhas, no nao-dito, no nao-impingido.

E nao esquecas o essencial. Nao ha bicho mais perspicaz do que a mulher.
As pessoas tendem a pronunciar-se sobre as relacoes, o amor, a paixao com verdades absolutas. Ignoram que o tema é um tecido infinito que a Literatura borda dando sempre novas respostas. Porque cada amor é único, cada relacao irrepetível e cada juízo moral sobre o próximo em matéria de amor é como uma formiga a ralhar com um ser humano.

Em materia de amor, fala sobre o que viveste. Apenas. Não ergas a tua experiencia a verdade universal.
A seiva vital - metáfora de Scott Fitzgerald.

Há pessoas com baixa energia, sem carisma, sem magnetismo.

Sem seiva vital.
Acho tanta graça aos contentinhos-de-si. Seguros nas suas opinioes, nao escoradas em vivencias ou leituras, ostentam um sorriso matreiro-sabichao e debitam tiradas sabonas. Aristoteles dizia que so nos deveríamos pronunciar sobre algo em que nao nos faltasse uma nesga de domínio do assunto.

segunda-feira, abril 04, 2011

O caminho do excesso conduz ao palácio da sabedoria.

William Blake

domingo, abril 03, 2011

Estou sempre a observar as pessoas para as compreender melhor.

sábado, abril 02, 2011

Contaram-me que em Nova Iorque,/na esquina da rua vinte e seis com a Broadway,/nos meses de inverno, há um homem todas as noites/que, suplicando aos transeuntes,/ procura um refúgio para os desamparados que ali se reúnem.// Não é assim que se muda o mundo,/as relações entre os seres humanos não se tornam melhores./Não é este o modo de encurtar a era da exploração./No entanto, alguns seres humanos têm cama por uma noite./ Durante toda uma noite estão resguardados do vento/e a neve que lhes estava destinada cai na rua.//Não abandones o livro que to diz, homem./Alguns seres humanos têm cama por uma noite,/durante toda uma noite estão resguardados do vento/e a neve que lhes estava destinada cai na rua./Mas não é assim que se muda o mundo,/as relações entre os seres humanos não se tornam melhores./Não é este o modo de encurtar a era da exploração.

Brecht

sexta-feira, abril 01, 2011

Acho que os U2 deveriam ter escrito e cantado: I can live with or without you.

Não será essa a forma superlativa de Amor?
Bruno é nazi. Odeia os mais fracos, as minorias, os vencidos da vida. A namorada diz a medo aos conhecidos: ele é muito inseguro e tem tanta raiva da sua fragilidade que a quer matar nos outros.

Diana é uma sedutora compulsiva. 95% dos jogos que alimenta são inconsequentes - servem apenas de carne para os tentáculos do tubarão do seu ego. Estranhamente ou não, Diana faz estes jogos com totós, verdes emocionais e românticos idealistas incuráveis. Dir-se-á: porque são presas mais fáceis. Numa noite etílica, Diana confessou que foi durante adolescência muito romântica e crente nos homens - e que tinha raiva de se ter amachucado tanto por ser assim. Hoje, vinga-se nos que eram iguais a si no passado - como se quisesse punir os sentimentos que a fizeram sofrer.

Rui é um patrão que é extremamente tolerante, menos com faltas de pontualidade. Fica fulo. É a única coisa que nunca conseguiu corrigir em si: adormecer quase todos os dias para lá da hora a que queria chegar ao trabalho.
Marlyn Monroe recebia, no pico da fama, 20 mil cartas de fãs por semana. Mas a superficialidade do afecto por mais numerosa que seja não preenche. E no seu caso não preencheu. Nunca. Instável e frágil permaneceu. Freudianamente, a explicação é simples: pai ausente desde a nascença, mãe que não a desejou ter e que foi proibida de a cuidar desde os 10 anos.
Das visões mais originais que conheço, uma delas é a do Nuno. Chamar-lhe-ia solipsismo cármico.

Ele entende que todas as pessoas que conhecemos - sei que o que irei expor não é facilmente entendível - são fruto da nossa cabeça. Isto é: se nos cruzamos com alguém autoritário, é porque há uma parte de autoritarismo nosso que precisamos de combater e que só vendo no Outro, percebemos o quão mau é. Se tens um colega arrogante durante uns meses - isso é uma forma do Universo te mandar analisar a tua arrogância. O Nuno irritou-se com um amigo extremamente loquaz que não escutava os outros. Pensou que, por vezes, era um egotista surdo aos outros. E melhorou-se.

Por vezes, são coisas escondidas nas gavetas do sótão da mente, diz o Nuno.

Mas tudo o que criamos na mente, replica hologramas na realidade.
É mais confortável ser discípulo do que Mestre. O Mestre nunca pode falhar para não se desautorizar. Se o discípulo é o que pode evoluir, é o que pode errar no caminho. Ao invés, o Mestre está como uma perfeição estanque - só pode fazer notar-se quando parte um vidro do seu palácio de cristal.