quarta-feira, maio 18, 2011
segunda-feira, maio 16, 2011
Frank Mugisha and other brave human rights defenders delivering our petition to the Ugandan Parliament just before leaders dropped the gay death penalty law.
Uganda's anti-gay law has failed! It looked sure to pass last week, but after 1.6 million petition signatures delivered to Parliament, tens of thousands of phone calls to our own governments, hundreds of media stories about our campaign and a massive global outcry, Ugandan politicians dropped the bill!
It was down to the wire - religious extremists tried to push the bill through on Wednesday, and then convened an unprecedented emergency session of Parliament on Friday. But each time, within hours, we reacted. A huge congratulations to everyone who signed, called, forwarded and donated to this campaign - with our help, thousands of innocent people in Uganda's gay community do not wake up this morning facing execution for whom they chose to love.
Frank Mugisha, a courageous leader of the gay community in Uganda sent us this message:
"Brave Ugandan LGBT activists and millions of people around the world have stood together and faced down this horrendous anti-homosexuality bill.The support from the Avaaz global community has tipped the scales to prevent this Bill going forward. Global solidarity has made a huge difference."
The EU High Representative for Foreign Affairs' Office also wrote to Avaaz:
"Many thanks. As you know, thanks to a very large extent to the intensive lobbying and combined effort of you, other civil society representatives, EU and other governments, plus our delegation and embassies on the ground the Bill was not presented to the Parliament this morning."
This fight is not over. The extremists behind this bill could try again within just 18 months. But this is the second time we've helped defeat this bill, and we'll keep going until the hate-mongers give up.
Transforming the deeper causes of ignorance and hatred behind homophobia is an historic, long term struggle, one of the great causes of our generation. But Uganda has become a front line in that struggle, and a powerful symbol. The victory there echoes across many other places where hope is desperately needed, showing that kindness, love, tolerance and respect can defeat hatred and ignorance. Again, a huge thanks to all who made it happen.
With enormous gratitude and admiration for this amazing community,
Ricken, Emma, Iain, Alice, Giulia, Saloni and the whole Avaaz team.
Media highlights:
Anti-gay bill shelved:
http://www.bbc.co.uk/news/world-africa-13392723
Avaaz's response to the outcome in the Guardian:
http://www.guardian.co.uk/world/2011/may/13/uganda-anti-gay-bill-shelved
Ugandan President did not back bill because of "criticism of human rights groups":
http://www.sfgate.com/cgi-bin/article.cgi?f=/n/a/2011/05/13/international/i042638D37.DTL
Anti-gay bill delayed amid outcry:
http://www.news24.com/Africa/News/Uganda-shelves-anti-gay-bill-20110513
Uganda's "kill the gays" bill defeated:
http://af.reuters.com/article/topNews/idAFJOE74C0HP20110513
Que não sei se é azul ou verde
Que se apaga talvez no horizonte
Há uma mulher talvez na palavra solidão
Que nunca se distingue da palavra
Porque é a palavra mesma que não se diz
Porque é a solidão que não é ela
Há uma mulher nos confins da minha ausência
Como uma sombra da minha ausência
Como uma ausência da mesma sombra
Há uma mulher nos lábios da minha solidão
Que nunca chega a ser pronunciada
Ou é o ar de uma sede que não respiro
Ou o nada mesmo de todo a solidão
Há uma mulher de musgo nas minhas pálpebras
E outra que se esconde nos olhos e é a mesma
Há uma mulher de música
No meu sorriso
Há uma mulher de tristeza como o tempo
Na água das minhas mãos
Há tantas mulheres no meu corpo
E tantas quantas todas são uma só
ou nenhuma
ou nenhuma
E é a mesma que caminha contra o vento
Em qualquer rua
António Ramos Rosa
en esta noche, en este mundo
las palabras del sueño de la infancia de la muerte
nunca es eso lo que uno quiere decir
la lengua natal castra
la lengua es un órgano de conocimiento
del fracaso de todo poema
castrado por su propia lengua
que es el órgano de la re-creación
del re-conocimiento
pero no el de la resurrección
de algo a modo de negación
de mi horizonte de maldoror con su perro
y nada es promesa
entre lo decible
que equivale a mentir
(todo lo que se puede decir es mentira)
el resto es silencio
sólo que el silencio no existe
no
las palabras
no hacen el amor
hacen la ausencia
si digo agua ¿beberé?
si digo pan ¿comeré?
en esta noche en este mundo
extraordinario silencio el de esta noche
lo que pasa con el alma es que no se ve
lo que pasa con la mente es que no se ve
lo que pasa con el espíritu es que no se ve
¿de dónde viene esta conspiración de invisibilidades?
ninguna palabra es visible
sombras
recintos viscosos donde se oculta
la piedra de la locura
corredores negros
los he recorrido todos
¡oh quédate un poco más entre nosotros!
mi persona está herida
mi primera persona del singular
escribo como quien con un cuchillo alzado en la
oscuridad
escribo como estoy diciendo
la sinceridad absoluta continuara siendo lo imposible
¡oh quédate un poco más entre nosotros!
los deterioros de las palabras
deshabitando el palacio del lenguaje
el conocimiento entre las piernas
¿qué hiciste del don del sexo?
oh mis muertos
me los comí me atraganté
no puedo más de no poder más
palabras embozadas
todo se desliza
hacia la negra licuefacción
y el perro de maldoror
en esta noche en este mundo
donde todo es posible
salvo
el poema
hablo
sabiendo que no se trata de eso
siempre no se trata de eso
oh ayúdame a escribir el poema más prescindible
el que no sirva ni para
ser inservible
ayúdame a escribir palabras
en esta noche en este mundo
Alejandra Pizarnik
A Morte, O Espaço, A Eternidade
Não foi para morrer que nós nascemos,
não foi só para a morte que dos tempos
chega até nós esse murmúrio cavo,
inconsolado, uivante, estertorado,
desde que anfíbios viemos a uma praia
e quadrumanos nos erguemos. Não.
Não foi para morrermos que falámos,
que descobrimos a ternura e o fogo,
e a pintura, a escrita, a doce música.
Não foi para morrer que nós sonhámos
ser imortais, ter alma, reviver,
ou que sonhámos deuses que por nós
fossem mais imortais que sonharíamos.
Não foi. Quando aceitamos como natural,
dentro da ordem das coisas ou dos anjos,
o inominável fim da nossa carne; quando
ante ele nos curvamos como se ele fora
inescapável fome de infinito; quando
vontade o imaginamos de outros deuses
que são rostos de um só; quando que a dor
é um erro humano a que na dor nos damos
porque de nós se perde algo nos outros, vamos
traindo esta ascensão, esta vitória, isto
que é ser-se humano, passo a passo, mais.
A morte é natural na natureza. Mas
nós somos o que nega a natureza. Somos
esse negar da espécie, esse negar do que
nos liga ainda ao Sol, à terra, às águas.
Para emergir nascemos. Contra tudo e além
de quanto seja o ser-se sempre o mesmo
que nasce e morre, nasce e morre, acaba
como uma espécie extinta de outras eras.
Para emergirmos livres foi que a morte
nos deu um medo que é nosso destino.
Tudo se fez para escapar-lhe, tudo
se imaginou para iludi-la, tudo
até coragem, desapego, amor,
tudo para que a morte fosse natural.
Não é. Como, se o fôra, há tantos milhões de anos
a conhecemos, a sofremos, a vivemos,
e mesmo assassinando a não queremos?
Como nunca ninguém a recebeu
senão cansado de viver? Como a ninguém
sequer é concebível para quem lhe seja
um ente amado, um ser diverso, um corpo
que mais amamos que a nós próprios? Como
será que os animais, junto de nós,
a mostram na amargura de um olhar
que lânguido esmorece rebelado?
E desde sempre se morreu. Que prova?
Morrem os astros, porque acabam. Morre
tudo o que acaba, diz-se. Mas que prova?
Só prova que se morre de universo pouco,
do pouco de universo conquistado.
Não há limites para a Vida. Não
aquela que de um salto se formou
lá onde um dia alguns cristais comeram;
nem bem aquela que, animal ou planta,
foi sendo pelo mundo este morrer constante
de vidas que outras vidas alimentam
para que novas vidas surjam que
como primárias células se absorvam.
A Vida Humana, sim, a respirada,
suada, segregada, circulada,
a que é excremento e sangue, a que é semente
e é gozo e é dor e pele que palpita
ligeiramente fria sob ardentes dedos.
Não há limites para ela. É uma injustiça
que sempre se morresse, quando agora
de tanto que matava se não morre.
É o pouco de universo a que se agarram,
para morrer, os que possuem tudo.
O pouco que não basta e que nos mata,
quando como ele a Vida não se amplia,
e é como a pele do ónagro, que se encolhe,
retráctil e submissa, conformada.
É uma injustiça a morte. É cobardia
que alguém a aceite resignadamente.
O estado natural é complacência eterna,
é uma traição ao medo por que somos,
áquilo que nos cabe: ser o espírito
sempre mais vasto do Universo infindo.
O Sol, a Via Láctea, as nebulosas,
teremos e veremos até que
a Vida seja de imortais que somos
no instante em que da morte nos soltamos.
A Morte é deste mundo em que o pecado,
a queda, a falta originária, o mal
é aceitar seja o que for, rendidos.
E Deus não quer que nós, nenhum de nós,
nenhum aceite nada. Ele espera,
como um juiz na meta da corrida
torcendo as mãos de desespero e angústia,
porque nada pode fazer nada e vê
que os corredores desistem, se acomodam,
ou vão tombar exaustos no caminho.
De nós se acresce ele mesmo que será
o espírito que formos, o saber e a força.
Não é nos braços dele que repousamos,
mas ele se encontrará nos nossos braços
quando chegarmos mais além do que ele.
Não nos aguarda – a mim, a ti, a quem amaste,
a quem te amou, a quem te deu o ser –
não nos aguarda, não. Por cada morte
a que nos entregamos ele se vê roubado,
roído pelos ratos do demónio,
o homem natural que aceita a morte,
a natureza que de morte é feita.
Quando a hora chegar em que já tudo
na terra foi humano — carne e sangue —,
não haverá quem sopre nas trombetas
clamando o globo a um corpo só, informe,
um só desejo, um só amor, um sexo.
Fechados sobre a terra, ela nos sendo
e sendo ela nós todos, a ressurreição
é morte desse Deus que nos espera
para espírito seu e carne do Universo.
Para emergir nascemos. O pavor nos traça
este destino claramente visto:
podem os mundos acabar, que a Vida,
voando nos espaços, outros mundos,
há-de encontrar em que se continue.
E, quando o infinito não mais fosse,
e o encontro houvesse de um limite dele,
a Vida com seus punhos levá-lo-á na frente,
para que em Espaço caiba a Eternidade.
Jorge de Sena
domingo, maio 15, 2011
Da Natureza Humana
Não há ninguém de quem diga bem. Resiste com todas as suas forças a admitir um erro - a falha mora sempre no Outro. Se o criticam - especialmente onde dói -, contra-ataca como um felino endemoninhado.
Tem um falso castelo enorme - mas os soldados que protegem o seu trono são bonequinhos inventados pelo seu ego.
É coerente. A RTP 2 também é para encerrar.
Líder do PSD diz que esta área deverá ficar na dependência directa do primeiro-ministro
O presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, anunciou este domingo que se formar Governo a cultura deverá ficar na dependência directa do primeiro-ministro, deixando de haver Ministério da Cultura.
Inédito no Público de 14 de Maio de 2011
mas a gota de água treme e brilha,
não uses as unhas senão nas linhas mais puras,
e a grande Constelação do Cão galga através da noite do mundo cheia de ar e de areia
e de fogo,
e não interrompe ministério nenhum nem nenhum elemento,
e tu guarda para a escrita a estrita gota de água imarcescível
contra a turva sede da matilha,
com tua linha limpa cruzas cactos, escorpiões, árduos buracos negros:
queres apenas
aquela gota viva entre as unhas,
enquanto em torno sob as luas os cães cheiram os cus uns aos outros
à procura do ouro
Herberto Helder
sexta-feira, maio 13, 2011
As diferenças essenciais do budismo ante as outras religiões.
Buda diz que não se deve pregar o budismo a ninguém. «Só se forem interpelados pelo vosso sistema de pensamento, a cada pergunta dirão a resposta. Mas nunca falem disto a ninguém.» Não há missionários.
Buda introduziu a ausência do eu, a teoria da vacuidade. (Quem puder mergulhar nestes assuntos que o faça.)
quarta-feira, maio 11, 2011
The Perfect Girl
I think you come from another world
You're such a strange girl
I really don't understand a word
You're such a strange girl
I'd like to shake you around and around
You're such a strange girl
I'd like
To turn you
All upside down
You're such a
Strange girl
The way you look like you do
You're such a strange girl
I want
To be with you
I think I'm falling
I think I'm falling in
I think I'm falling in love with you
With you
The Cure
Be now for ever taken from my sight,
Though nothing can bring back the hour
Of splendour in the grass, of glory in the flower;
We will grieve not, rather find
Strength in what remains behind;
In the primal sympathy
Which having been must ever be;
In the soothing thoughts that spring
Out of human suffering;
In the faith that looks through death,
In years that bring the philosophic mind.
William Wordsworth
Livre circulação de capitais? Absolutamente. Livre circulação de pessoas? Eh pá, vamos com calma!
NATO deixa morrer 61 migrantes no Mediterrâneo
Investigação do "The Guardian" revela que dezenas de migrantes africanos foram deixados morrer no mar.
Cristina Peres (www.expresso.pt), com
15:28 Segunda feira, 9 de maio de 2011
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Guarda costeira italiana auxilia migrantes africanos que tentavam chegar a Lampedusa
Guarda costeira italiana/EPA
Dezenas de migrantes oriundos do norte de África foram deixados a morrer no Mediterrâneo apesar da presença de unidades militares europeias e da NATO na área que, aparentemente, ignoraram os pedidos de ajuda.
No final de março, os 72 passageiros do barco - entre os quais se encontravam mulheres, bebés e refugiados políticos - entrou em dificuldades de navegação no Mediterrâneo após ter largado de Tripoli, no dia 25 de março, em direção à ilha italiana de Lampedusa.
Não houve nenhum esforço de salvamento, apesar de os alarmes terem sido acionados para a guarda costeira italiana e de o barco ter entrado em contacto com um helicóptero militar e com um navio de guerra da NATO, segundo publicou hoje em exclusivo o diário britânico "The Guardian".
11 sobreviventes em 72 passageiros
Apenas 11 pessoas escaparam com vida à morte lenta por fome e sede a que ficaram condenados os passageiros na embarcação à deriva durante 16 dias. Um dos sobreviventes, conta o diário britânico, resistiu bebendo a sua própria urina e comendo dois tubos de pasta dentífrica.
Apesar de a lei marítima internacional obrigar todas as embarcações, incluindo as militares, a responder a pedidos de socorro e a prestar ajuda sempre que possível, esta embarcação não recebeu auxílio.
O "Guardian" fez uma reconstituição dos acontecimentos a partir dos testemunhos recolhidos e conta a história da seguinte maneira: 47 migrantes etíopes, sete nigerianos, sete eritreus, seis ganianos e cinco sudaneses, 20 dos quais eram mulheres e dois crianças pequenas (uma das quais tinha apenas um ano), partiram em direção a Lampedusa do norte de Tripoli. Após 18 horas de navegação, o barco começou a perder combustível e os passageiros ficaram à mercê de "uma mistura de azar, burocracia e a aparente indiferença das forças militares europeias, que tiveram oportunidade de tentar salvá-los".
Contacto com helicóptero militar
Houve ainda um contacto com um helicóptero militar (que, até à data nenhum país assume identificar) que lhes forneceu alguma água potável e uma pequena quantidade de bolachas, a guarda costeira italiana foi avisada e declarou ao "Tha Guardian": "Avisámos Malta de que a embarcação se dirigia para a zona de busca e salvamento deles e emitimos um alerta que obrigava outras embarcações a ir em socorro deles".
No entanto, as autoridades maltesas negaram qualquer envolvimento com o barco em questão. A 27 de março, ele estava à deriva nas correntes da zona sem combustível, água potável nem alimentos. Todas as manhãs havia mais mortos a bordo, que eram atirados borda fora 24 horas depois.
No dia 29 ou 30, conta o jornal, a embarcação passa junto de um porta-aviões da NATO. O porta-voz da organização, que está presentemente a coordenar a ação militar na Líbia, disse que não tinha captado pedidos de socorro do barco e não tinha registo do incidente.
Deixados à sorte
"As unidades da NATO têm total conhecimento das suas responsabilidades relativamente à lei marítima internacional no que respeita a segurança da vida no mar. Os navios da NATO respondem a todos os pedidos de socorro no mar e dão sempre ajuda, quando necessário. Salvar vidas é uma prioridade para os navios da NATO", adiantou o porta-voz. Nos dez dias que se seguiram, quase todas as pessoas a bordo morreram.
"O Mediterrâneo não pode transformar-se no oeste selvagem", declarou Laura Boldrini, a porta-voz do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR). Moses Zerai, um padre eritreu em Roma, que dirige a organização de direitos dos refugiados Habeshia, é citado pelo Guardian: "Houve abdicação de responsabilidade, o que levou à morte de mais de 60 pessoas. Isso constitui um crime e não pode ficar por punir só porque as vítimas era migrantes africanos e não turistas num cruzeiro".
Nos últimos quatro meses, mais de 30 mil pessoas arriscaram a vida migrando em embarcações pouco seguras numa tentativa de escapar à instabilidade política que se vive nos seus países de origem.
os insanos sempre me amaram
e os anormais.
ao longo de todo o ensino
fundamental
ensino médio
faculdade
os rejeitados
uniam-se a
mim.
tipos com um só braço
tipos com tiques
tipos com problemas de fala
tipos com uma película branca
sobre um dos olhos,
cobardes
misantropos
assassinos
tarados
e ladrões.
e em todas
as fábricas e na
vagabundagem
sempre atraí
os rejeitados. eles encontravam-me
logo
grudavam a sua cara
em mim. continuam
fazendo isso.
aqui na vizinhança há agora
um que me
encontrou.
ele anda por aí empurrando um
carrinho de supermercado
cheio de lixo:
bengalas partidas, atacadores
sacos vazios de batatas fritas,
caixas de leite, jornais, canetas...
«ei, parceiro, o que ´tá a fazer?»
eu paro e conversamos um
pouco.
então eu digo adeus
mas ele continua
seguindo-me
para além das casas de putas e dos
prostíbulos...
«mantém-me informado,
parceiro, mantém-me informado,
quero saber o que está
a acontecer.»
esse é o meu insano de momento.
nunca o vi falar
com mais
ninguém.
o carrinho chocalha
um pouco atrás
de mim
então alguma coisa
cai.
ele detém-se para
juntá-la.
enquanto ele se ocupa disso eu
entro pela porta de um
hotel verde que fica na
esquina
cruzo
o saguão
saio pela porta
dos fundos e
ali há um gato
cagando
absolutamente deliciado,
que me arreganha os
dentes.
idem
segunda-feira, maio 09, 2011
Antes, não havia o e-book. Antes, não havia duas divisões na Feira do Livro. Antes, não havia a concentração editorial. Antes, não havia tipos à frente de editoras (ainda para mais, das maiores editoras) que diziam «não conheço Oscar Wilde», «filosofia, poesia e literatura não me interessam para nada» [Paes do Amaral ao Jornal de Negócios]. Antes, não havia esta dessacralização do livro que deixou de estar apenas nas livrarias para passar a estar junto às batatas e aos detergentes. Antes, as revistas literárias eram revistas literárias. Antes, os programas literárias eram programas literários. Antes, não havia tantos jogadores de futebol e figuras do Big Brother a colonizarem o mercado editorial, sufocando a possibilidade de emersão de novos autores. Antes, a poesia não era tão residual. Antes, as traduções dos clássicos eram exercícios de rigor. Antes, os top de vendas não eram tão reles.
domingo, maio 08, 2011
Isto (excerto)
O que me falha ou finda,
É como que um terraço
Sobre outra coisa ainda.
Essa coisa é que é linda.
Fernando Pessoa (ortónimo)
quinta-feira, maio 05, 2011
quarta-feira, maio 04, 2011
segunda-feira, maio 02, 2011
Pai, perdoai-lhes porque eles não sabem o que dizem 2
Nesta linha, coloca-se o problema da pena de morte, à volta do qual se regista, tanto na Igreja como na sociedade, a tendência crescente para pedir uma aplicação muito limitada, ou melhor, a total abolição da mesma. O problema há-de ser enquadrado na perspectiva de uma justiça penal, que seja cada vez mais conforme com a dignidade do homem e portanto, em última análise, com o desígnio de Deus para o homem e a sociedade. Na verdade, a pena, que a sociedade inflige, tem « como primeiro efeito o de compensar a desordem introduzida pela falta ». A autoridade pública deve fazer justiça pela violação dos direitos pessoais e sociais, impondo ao réu uma adequada expiação do crime como condição para ser readmitido no exercício da própria liberdade. Deste modo, a autoridade há-de procurar alcançar o objectivo de defender a ordem pública e a segurança das pessoas, não deixando, contudo, de oferecer estímulo e ajuda ao próprio réu para se corrigir e redimir.
Claro está que, para bem conseguir todos estes fins, a medida e a qualidade da pena hão-de ser atentamente ponderadas e decididas, não se devendo chegar à medida extrema da execução do réu senão em casos de absoluta necessidade, ou seja, quando a defesa da sociedade não fosse possível de outro modo.
Papa João Paulo II, Evangelho da Vida [TÍTULO ALGO PARADOXAL]
Pai, perdoai-lhes porque eles não sabem o que dizem
domingo, maio 01, 2011
Mundinhos e Mundo
O Estado do Mundo
quinta-feira, abril 28, 2011
Manuel Maria Carrilho
quarta-feira, abril 27, 2011
Que se empoleira na alma,
E canta uma melodia sem palavras,
E nunca cessa realmente,
E o mais doce dos vendavais
ouvido;
E amarga deve ser a tempestade
Que poderia envergonhar o passarinho
Que tantos mantivera quentes.
Ouvi-o na terra mais gelada
E no mar mais longínquo;
No entanto, nunca, nem no pior dos momentos
Me pediu sequer uma migalha
Emily Dickinson traduzido por MG
domingo, abril 24, 2011
citando de memória... EM NOME DE CRISTO
Por falta de leitura e/ou reflexão - por cegueira apriorística.
Bastaria ler a Parábola do Bom Samaritano em que Cristo condena o sacerdote e o levita e exalta o samaritano (o proscrito à época) para perceber que Cristo tinha o seu quê de anticlerical.
O próprio, Cristo, de resto, preconizou o fim de Igreja ao dizer que haveria de haver um tempo em que «tu e o teu irmão não orarão no templo, mas em espírito».
Foi Cristo também quem lembrou que era mais importante o amor ao próximo do que o culto a Deus - ou antes: que o segundo não existia sem o primeiro.
´«Ide a aprender o que significa: "Prefiro a misericórdia ao sacrifício." Se tens alguma coisa contra o teu irmão, vai primeiro reconciliar-te com ele e volta depois para apresentares a tua oferta diante do altar.»
«Quem tiver ouvidos para ouvir que oiça.»
Alegava sempre qualquer coisa se fosse instado a andar de calções.
Um dia, vi a sua perna direita: desfeita, massacrada, repelente.
Percebi então que são os pontos mais frágeis aqueles que costumamos cobrir de mais texturas.
O que é o ciúme e a possessividade senão insegurança?
A obviedade machista (Bukowski), a narração das façanhas sexuais (reais?) com os pormenores mais íntimos, a boçalidade, a incultura, o exibicionismo, a violência.
A sua actual namorada descreve-o como a pessoa mais insegura que conheceu.
Só surpreende quem não conhece a natureza humana.
sexta-feira, abril 22, 2011
O Sangue
Aquilo que não volta mais
Tu nunca poderás esquecer como nos costumávamos sentir
A ilusão é profunda
É tão profunda quanto a noite
Posso dizê-lo pelas tuas lágrimas: tu lembras-te de tudo
Estou paralisado pelo Sangue de Cristo
Ainda que me enevoe os olhos
Eu nunca consigo parar
A sensação de secura
Atravessando nu o sol
Toda a miragem que vejo é uma miragem de ti
Enquanto me refresco no crepúsculo
Saboreia o sal na minha pele
Evoco todas as lágrimas
Todas as palavras destroçadas
Estou paralisado pelo Sangue de Cristo
Ainda que me enevoe os olhos
Eu nunca consigo parar
Quando o fulgor do pôr-do-sol deslizar para longe de ti
Tu não saberás mais se algo do que ficou é real
Robert Smith
quinta-feira, abril 21, 2011
CONGRATULATIONS, ROBERT SMITH
LOVE.
domingo, abril 17, 2011
Uma amiga minha relativiza as atrocidades dos direitos humanos dizendo:
- Mas a Argélia é uma democracia.
Demo e Kratos. A origem etimológica.
Um regime é, etimologicamente, mais democrático quanto mais próximo e participativo das decisões colectivas o povo (o cojunto de cidadãos) for.
Mas isso não nos garante que os direitos humanos sejam sequer vigiados.
A fome coabita com a democracia.
A pena de morte também.
A tortura também.
Uma sondagem da SIC revelava que 90% do povo português defende a pena de morte.
Alguém duvida de que se o povo estivesse mais próximo das decisões colectivas, os pedófilos seriam castrados? Que a pena de morte voltaria? Que os ciganos seriam (ainda) mais ostracizados?
Acredito que quem não ande de autocarro, seja mais ingénuo nestas matérias.
sábado, abril 16, 2011
Walt, como é possível não acreditar na imortalidade conhecendo-te?
sexta-feira, abril 15, 2011
O amor dela é como a atracção dos montanhistas pelo Abismo.
terça-feira, abril 12, 2011
Passo não quer pedir o apoio a Portas. Quer ser orgulhoso. Mas precisa desesperadamente dele. Preferencialmente (para ele, não para mim) numa coligão pré-eleitoral.
Portas é tragicamente uma peça-chave na cena política actual.
Com o triângulo de ódio (quem duvida, que leia as declarações dos últimos anos...) em que Sócrates detesta Passos e Cavaco, Cavaco detesta Sócrates e Passos, e Passos detesta Sócrates e Cavaco; Passos precisa de Portas. E Passos quer desesperadamente ganhar e, além disso, governar com estabilidade.
segunda-feira, abril 11, 2011
Um dos homens mais hipócritas de Portugal
http://fotos.sapo.pt/andreiapeniche/fotos/?uid=GWbzdNCY7HJvUYzNRj4H
You know I hate
Fura-graves. Aqueles que combinam com os colegas agir colectivamente contra uma decisão injusta do poder arbitrário e que, na véspera, avisam a enidade patronal denunciando todos os nomes e, como é óbvio, faltando no dia da greve.
Escravos-bananas. Como aqueles que via nas praxes a serem aspergidos de perfume. «Caloiros cheiram mal! Caloiros cheiram mal!» Ia lá tirá-los e alguns: «Ah, mas tem de ser.» (Um ovo era quebrado na sua cabeça enquanto o amarelo deslizava pelos cabelos até à cara.)
domingo, abril 10, 2011
You know what I hate
Cavalheiro = machista
sábado, abril 09, 2011
sexta-feira, abril 08, 2011
quarta-feira, abril 06, 2011
terça-feira, abril 05, 2011
Aquelas primeiras imagens, o eco dessas palavras que julgamos ter deixado para trás. acompanham-nos toda a vida e esculpem um palácio na nossa memória ao qual, mais tarde ou mais cedo - não importa quantos livros leiamos, quantos mundos descubramos, tudo quanto aprendamos ou esqueçamos -, vamos regressar.
Carlos Ruiz Záfon, A Sombra do Vento
A arte da escrita é parecida com a arte da conquista.
Tens de ser verdadeiro parecendo falso. Tens de ser fingidamente verdadeiro.
Tens de ser subtil. Ou seja, tens de evitar comportamentos de puxar a manga da camisa e fazeres musculo e dizeres: "Olha que musculo tao forte que eu tenho!!!"
A escrita ensina-te isso. Deves ser gritar em silencio. Deves deixar os adjectivos, a necessidade de impressionar, a ostentacao. Largar o barroco e o rococó - isso soa a bazofia e exibicionismo. Deves insinuar os adjectivos a partir das tuas accoes e nao borrifares o texto dessas cores garridas. Deves deixas as coisas no subtexto - ou, se preferires, na entrelinhas. A seducao habita nas entrelinhas, no nao-dito, no nao-impingido.
E nao esquecas o essencial. Nao ha bicho mais perspicaz do que a mulher.
Em materia de amor, fala sobre o que viveste. Apenas. Não ergas a tua experiencia a verdade universal.
sábado, abril 02, 2011
Brecht
sexta-feira, abril 01, 2011
Diana é uma sedutora compulsiva. 95% dos jogos que alimenta são inconsequentes - servem apenas de carne para os tentáculos do tubarão do seu ego. Estranhamente ou não, Diana faz estes jogos com totós, verdes emocionais e românticos idealistas incuráveis. Dir-se-á: porque são presas mais fáceis. Numa noite etílica, Diana confessou que foi durante adolescência muito romântica e crente nos homens - e que tinha raiva de se ter amachucado tanto por ser assim. Hoje, vinga-se nos que eram iguais a si no passado - como se quisesse punir os sentimentos que a fizeram sofrer.
Rui é um patrão que é extremamente tolerante, menos com faltas de pontualidade. Fica fulo. É a única coisa que nunca conseguiu corrigir em si: adormecer quase todos os dias para lá da hora a que queria chegar ao trabalho.
Ele entende que todas as pessoas que conhecemos - sei que o que irei expor não é facilmente entendível - são fruto da nossa cabeça. Isto é: se nos cruzamos com alguém autoritário, é porque há uma parte de autoritarismo nosso que precisamos de combater e que só vendo no Outro, percebemos o quão mau é. Se tens um colega arrogante durante uns meses - isso é uma forma do Universo te mandar analisar a tua arrogância. O Nuno irritou-se com um amigo extremamente loquaz que não escutava os outros. Pensou que, por vezes, era um egotista surdo aos outros. E melhorou-se.
Por vezes, são coisas escondidas nas gavetas do sótão da mente, diz o Nuno.
Mas tudo o que criamos na mente, replica hologramas na realidade.
