terça-feira, junho 30, 2009

Tentarei vergar-te com doses sucessivas e crescentes de Bondade.
Quando sou transparente, o estigma do jogador persegue-me. Shit!
Ouço Carvalho da Silva dizer que não há «efectiva liberdade sindical» em Portugal. Também eu pertenci a uma empresa em que os trabalhos sindicalizados tinham de ouvir piadas e ralhetes da administração. Sim, ali havia tratamento diferenciado e repressão para quem aderia ao sindicato. Diz Carvalho da Silva que tal fenómeno é generalizado no tecido empresarial. Preocupante...
Com a tremenda subjectividade inerente a qualquer escolha, Fernando Dacosta elege Pessoa como a figura mais marcante da primeira metade do século XX português e Agostinho da Silva da segunda metade.

segunda-feira, junho 29, 2009

Conceitos que inventei sem os ir buscar a lado algum, mas que pelos vistos outros antes de mais também já «inventaram»

Pormaiores
Pós-conceitos (por oposição a preconceitos)
Num manual de Taekwondo, diz-se que para se executar um movimento como deve ser, tem de se o fazer 24 000 vezes.

Nicks do msn

A caminho dos trinta... com menos cabelo mas definitivamente com muito mais charme.
Sempre que posso optar, escolho pelo Estado. Ao contrário da cultura vigente, gosto de defender a coisa pública. Tinha de escolher um banco e escolhi a Caixa, por preconceito estatal. Não sei os spreads, a taxa de juro, mas sinto-me mais confortável lá. O Estado é como um papá.
Na Idada Média, o lorde podia usar do seu droit du seigneur e dormir a primeira noite com a noiva dos seus vassalos. Este droit du seigneur era uma decorrência legal chocante, mas hoje, sem lei (e já sem a virgindade), quantas mulheres não se horizontalizam para subir na televisão, nas passerelles, nos aviões?

O horror à vulgaridade

- Só gosto que gostem de mim pelas razões certas: por não ser facilmente acessível a minha beleza e por ser diferente de tudo o resto.
Despediu-se de mim com tristeza. Vai para fora sem motivação alguma que não o dinheiro.

Quantas pessoas conheces felizes com aquilo que fazem? Semifelizes? Que só trabalham para ganhar o seu?
every night i burn
every night i call your name

Robert Smith
Dava o pior de si sempre - irritava-se sobremaneira quando alguém lhe vislumbrava uma virtude - de forma que quando o rejeitassem, ficasse na dúvida se tal teria acontecido dando o melhor de si.
não escrevia com maiúsculas porque sentia que era considerar umas palavras mais importantes do que outras. abominava a ideia de umas letras maiores oprimirem outras mais pequeninas.
As mulheres dão folhas, recebem
um orvalho inocente.
Depois sua boca abre-se.
Verão, outono, a onda dolorosa e ardente
das semanas,
passam por cima. As mulheres cantam
na sua alegria terrena.

Que coisa verdadeira cantam?
Elas cantam.
São fechadas e doces, mudam
de cor, anunciam a felicidade no meio da noite,
os dias rutilantes, a graça.
[...]
as mulheres tornam impura e magnífica
nossa límpida, estéril
vida masculina.


HH
- Tu és aquilo que amas e não aquilo que te ama.

Inadaptado
- Já não o via há quinze quilos atrás.

domingo, junho 28, 2009

Imagine-se dois seres completamente apaixonados um pelo outro (ele sim, ela nem por isso, mas para a história imagine-se que ambos).

Ela diz:

- Eu nunca daria o passo de beijar alguém. Só se tivesse 100% de certeza que ele queria. E mesmo assim, teria de ter o clima em que sabia que ele não teria hipótese de dizer não. Era bueda mau se quisesse beijar alguém e ser rejeitada.

Ele diz:

- Não teria coragem de a beijar. Tem de ser ela. Mas eu tenho de a beijar.

Imagine-se dois seres perpetuamente apaixonados e sem se moverem um mílimetro, ambos esperando um pelo outro. Como nascerá o beijo?
Não há um livro que reproduza a maneira como as pessoas realmente falam. Os discursos directos são sempre bem construídos e lineares. Mas as pessoas, quando falam, gaguejam, deixam frases incompletas, emitem murmúrios, recuam, pulam. Que manie de organizar, esquematizar e racionalizar o ser humano - ele é a coisa mais vasta, informe, multifacetada e ilógica que existe.

O Vasco de Graça Moura conta que um dia disse a um amigo:

- Não há discursos das personagens dos livros que me soem verdadeiros.

- Há. Os do Hemingway.

Decidiram pegar em livros do Hemingway e lerem alternadamente as falas.

Ambos exclamaram:

- Não, isto é uma imposturice! Uma artificialidade. Ninguém fala assim.
Falar do meu livro num minuto? Então para que estive a escrevê-lo durante dois anos?

António Lobo Antunes