terça-feira, junho 30, 2009
Ouço Carvalho da Silva dizer que não há «efectiva liberdade sindical» em Portugal. Também eu pertenci a uma empresa em que os trabalhos sindicalizados tinham de ouvir piadas e ralhetes da administração. Sim, ali havia tratamento diferenciado e repressão para quem aderia ao sindicato. Diz Carvalho da Silva que tal fenómeno é generalizado no tecido empresarial. Preocupante...
segunda-feira, junho 29, 2009
Conceitos que inventei sem os ir buscar a lado algum, mas que pelos vistos outros antes de mais também já «inventaram»
Pormaiores
Pós-conceitos (por oposição a preconceitos)
Pós-conceitos (por oposição a preconceitos)
Na Idada Média, o lorde podia usar do seu droit du seigneur e dormir a primeira noite com a noiva dos seus vassalos. Este droit du seigneur era uma decorrência legal chocante, mas hoje, sem lei (e já sem a virgindade), quantas mulheres não se horizontalizam para subir na televisão, nas passerelles, nos aviões?
O horror à vulgaridade
- Só gosto que gostem de mim pelas razões certas: por não ser facilmente acessível a minha beleza e por ser diferente de tudo o resto.
As mulheres dão folhas, recebem
um orvalho inocente.
Depois sua boca abre-se.
Verão, outono, a onda dolorosa e ardente
das semanas,
passam por cima. As mulheres cantam
na sua alegria terrena.
Que coisa verdadeira cantam?
Elas cantam.
São fechadas e doces, mudam
de cor, anunciam a felicidade no meio da noite,
os dias rutilantes, a graça.
[...]
as mulheres tornam impura e magnífica
nossa límpida, estéril
vida masculina.
HH
um orvalho inocente.
Depois sua boca abre-se.
Verão, outono, a onda dolorosa e ardente
das semanas,
passam por cima. As mulheres cantam
na sua alegria terrena.
Que coisa verdadeira cantam?
Elas cantam.
São fechadas e doces, mudam
de cor, anunciam a felicidade no meio da noite,
os dias rutilantes, a graça.
[...]
as mulheres tornam impura e magnífica
nossa límpida, estéril
vida masculina.
HH
domingo, junho 28, 2009
Imagine-se dois seres completamente apaixonados um pelo outro (ele sim, ela nem por isso, mas para a história imagine-se que ambos).
Ela diz:
- Eu nunca daria o passo de beijar alguém. Só se tivesse 100% de certeza que ele queria. E mesmo assim, teria de ter o clima em que sabia que ele não teria hipótese de dizer não. Era bueda mau se quisesse beijar alguém e ser rejeitada.
Ele diz:
- Não teria coragem de a beijar. Tem de ser ela. Mas eu tenho de a beijar.
Imagine-se dois seres perpetuamente apaixonados e sem se moverem um mílimetro, ambos esperando um pelo outro. Como nascerá o beijo?
Ela diz:
- Eu nunca daria o passo de beijar alguém. Só se tivesse 100% de certeza que ele queria. E mesmo assim, teria de ter o clima em que sabia que ele não teria hipótese de dizer não. Era bueda mau se quisesse beijar alguém e ser rejeitada.
Ele diz:
- Não teria coragem de a beijar. Tem de ser ela. Mas eu tenho de a beijar.
Imagine-se dois seres perpetuamente apaixonados e sem se moverem um mílimetro, ambos esperando um pelo outro. Como nascerá o beijo?
Não há um livro que reproduza a maneira como as pessoas realmente falam. Os discursos directos são sempre bem construídos e lineares. Mas as pessoas, quando falam, gaguejam, deixam frases incompletas, emitem murmúrios, recuam, pulam. Que manie de organizar, esquematizar e racionalizar o ser humano - ele é a coisa mais vasta, informe, multifacetada e ilógica que existe.
O Vasco de Graça Moura conta que um dia disse a um amigo:
- Não há discursos das personagens dos livros que me soem verdadeiros.
- Há. Os do Hemingway.
Decidiram pegar em livros do Hemingway e lerem alternadamente as falas.
Ambos exclamaram:
- Não, isto é uma imposturice! Uma artificialidade. Ninguém fala assim.
O Vasco de Graça Moura conta que um dia disse a um amigo:
- Não há discursos das personagens dos livros que me soem verdadeiros.
- Há. Os do Hemingway.
Decidiram pegar em livros do Hemingway e lerem alternadamente as falas.
Ambos exclamaram:
- Não, isto é uma imposturice! Uma artificialidade. Ninguém fala assim.
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