domingo, maio 31, 2009
sábado, maio 30, 2009
Todo o excesso contém a sombra do seu oposto
O nazi confessa-se:
- Eu ataco e espezinho os mais fracos porque os odeio. Odeio-os tanto que tenho de os espancar até os aniquilar ou então até que eles se tornem fortes. Odeio os mais fracos. Eles - começa a dar murros no ar - eles... fazem-me... - as lágrimas descem-lhe pelo rosto e a voz embargada - fazem-me lembrar as minhas fraquezas. Eu sou impotente sexual. Eu quando era mais novo levava porrada de todos e não ripostava. Eu fui humilhado por patrões ferozes e calei-me sempre. Eu acumulei tanta raiva. Eu odeio a minha fraqueza do passado. E mato-a nos outros. Ela não pode voltar a revelar-se. Eu devia ter sido mais forte. Eu, eu... - rebenta de raiva e lágrimas - eu devia ser mais forte!
- Eu ataco e espezinho os mais fracos porque os odeio. Odeio-os tanto que tenho de os espancar até os aniquilar ou então até que eles se tornem fortes. Odeio os mais fracos. Eles - começa a dar murros no ar - eles... fazem-me... - as lágrimas descem-lhe pelo rosto e a voz embargada - fazem-me lembrar as minhas fraquezas. Eu sou impotente sexual. Eu quando era mais novo levava porrada de todos e não ripostava. Eu fui humilhado por patrões ferozes e calei-me sempre. Eu acumulei tanta raiva. Eu odeio a minha fraqueza do passado. E mato-a nos outros. Ela não pode voltar a revelar-se. Eu devia ter sido mais forte. Eu, eu... - rebenta de raiva e lágrimas - eu devia ser mais forte!
A facilidade com que se expõe a intimidade do Outro.
Tenho pensado nisto.
Podemos expor a nossa intimidade no estendal, mas a do Outro não.
Por isso é que não gosto que se fale de sexo no concreto. Porque isso implicar expor o Outro.
Quando estamos com alguém, há uma presunção de confiança.
Da mesma forma, se te contam um segredo, deves guardá-lo só para ti. Mesmo que te chateies com essa pessoa um dia - nada te confere o direito de violentares algo que te foi dado por presunção da tua lealdade.
Ouço indíviduos que conheço há pouquíssimo tempo falarem de amigos seus com 10, 15 anos de histórico dizendo:
- Ele tem uma depressão profunda oculta;
- Ele é virgem;
- O padrasto dela teve relações com ela;
Não gosto disto. Não gosto mesmo nada disto. Guardas as fraquezas dos teus amigos para ti. Tenta ajudá-los. Só isso. Não as anuncies ao mundo.
Tenho pensado nisto.
Podemos expor a nossa intimidade no estendal, mas a do Outro não.
Por isso é que não gosto que se fale de sexo no concreto. Porque isso implicar expor o Outro.
Quando estamos com alguém, há uma presunção de confiança.
Da mesma forma, se te contam um segredo, deves guardá-lo só para ti. Mesmo que te chateies com essa pessoa um dia - nada te confere o direito de violentares algo que te foi dado por presunção da tua lealdade.
Ouço indíviduos que conheço há pouquíssimo tempo falarem de amigos seus com 10, 15 anos de histórico dizendo:
- Ele tem uma depressão profunda oculta;
- Ele é virgem;
- O padrasto dela teve relações com ela;
Não gosto disto. Não gosto mesmo nada disto. Guardas as fraquezas dos teus amigos para ti. Tenta ajudá-los. Só isso. Não as anuncies ao mundo.
sexta-feira, maio 29, 2009
Claro que vou votar. Incrédulo, descrente, mas vou votar. Por exigência moral e por imposição de cultura. Levei metade da vida a defender e a pelejar por coisas tão aparentemente absurdas e inúteis como a liberdade de expressão, a liberdade de reunião, o direito ao voto e o dever de cidadania - que configuraria uma traição eu abstrair-me. Votarei sempre. Em desacordo ou em acordo.
Baptista-Bastos
Baptista-Bastos
quinta-feira, maio 28, 2009
Conheci uma pessoa muito muito muito rica. Daquelas com muito dinheiro. Um dia, estando num café, com um casal amigo, perguntei:
- Então a Sylvie não vem?
- Não, ela nunca viria aqui. Ela só vai ao café do Ritz. Coitada não consegue ir a outro lado.
E era coitada mesmo, sem qualquer sarcasmo. Não escrevo estas linhas para troçar ou caricaturar. A Sylvie não conseguia mesmo frequentar 99,9% dos sítios.
Desde tenra idade que os pais a tinham posto numa redoma. Protegendo-a de todos os perigos do mundo deletério, feio e pobre. Ela desenvolveu inúmeras fobias.
Ver alguém com suor nas axilas fazia-a literalmente vomitar. Era incapaz de beber de uma palhinha que não tivesse o plástico para ela remover. Incapaz de cumprimentar um estranho sem uma luva que lhe protegesse as mãos.
O papá comprou-lhe uma mansão noutra costa porque ela não aguentava a resina que se lhe colava aos pés na rua ladeada de árvores.
Por a ter conhecido, sou um bocadinho mais tolerante com os muito muito ricos. Tolerante no sentido de compreender que amestraram o paladar a gostar de algo que para eles é tão difícil deixar... que é quase como se ficassem pobres.
Não deve haver pior pobreza do que a pobreza daquele que já foi rico.
- Então a Sylvie não vem?
- Não, ela nunca viria aqui. Ela só vai ao café do Ritz. Coitada não consegue ir a outro lado.
E era coitada mesmo, sem qualquer sarcasmo. Não escrevo estas linhas para troçar ou caricaturar. A Sylvie não conseguia mesmo frequentar 99,9% dos sítios.
Desde tenra idade que os pais a tinham posto numa redoma. Protegendo-a de todos os perigos do mundo deletério, feio e pobre. Ela desenvolveu inúmeras fobias.
Ver alguém com suor nas axilas fazia-a literalmente vomitar. Era incapaz de beber de uma palhinha que não tivesse o plástico para ela remover. Incapaz de cumprimentar um estranho sem uma luva que lhe protegesse as mãos.
O papá comprou-lhe uma mansão noutra costa porque ela não aguentava a resina que se lhe colava aos pés na rua ladeada de árvores.
Por a ter conhecido, sou um bocadinho mais tolerante com os muito muito ricos. Tolerante no sentido de compreender que amestraram o paladar a gostar de algo que para eles é tão difícil deixar... que é quase como se ficassem pobres.
Não deve haver pior pobreza do que a pobreza daquele que já foi rico.
O que tens por garantido coloca-te, sem o saberes, no terço dos privilegiados
A Amnistia Internacional revela: 2/3 da população mundial vive abaixo do limiar da pobreza.
E, de repente, tapo-me com as mãos
ANGEL, A TASCA DO SR. JOÃO ESTÁ FANTÁSTICA!!!!!!!!!!! MAS TU, TU ESTÁS A EXPOR-TE TOTALMENTE, ESTÁS UM NUDISTA MENTAL!
L.
L.
Recortes do Real
Dois amigos meus foram trabalhar um dia para uma cidade do interior (ambos trabalham com alguma itinerância). Nesse dia, encontraram-se no centro comercial da terra.
Até aqui tudo normal.
Sucede que ambos falaram comigo.
Um (aqui vou ter de usar o rótulo: um beto) disse:
- Eh pá, sabes quem é que eu encontrei lá em cima?
- Quem?
- O Francisco. Eh pá, fiquei espantado com o gajo.
- Então?
- Eh pá, o gajo dá a entender que é chefe e que trabalha numa cena bué específica que só ele sabe fazer. Eh pá, o gajo é trolha! Ele tava com fato de trolha e com um colega mêmo todo homem das obras. Até as coisas que ele tinha na mão, tipo uma enxada ou assim... Todo sujo. Trolha autêntico. Não contes isto a ninguém.
Até aqui tudo normal.
O mais engraçado é que depois encontro o outro (óptima pessoa, mas um pouco mentiroso) que me diz:
- Bem, Angel, vou-te contar uma cena. Isto fica entre nós. Eh pá, vi o João agora quando tive no norte. De rir... Que necessidade é que ele tem dizer que é director comercial, eh pá o gajo é o gajo que vais às lojas entregas camisas. Até ficou meio envergonhado quando me viu, de cabide na mão.
Até aqui tudo normal.
Sucede que ambos falaram comigo.
Um (aqui vou ter de usar o rótulo: um beto) disse:
- Eh pá, sabes quem é que eu encontrei lá em cima?
- Quem?
- O Francisco. Eh pá, fiquei espantado com o gajo.
- Então?
- Eh pá, o gajo dá a entender que é chefe e que trabalha numa cena bué específica que só ele sabe fazer. Eh pá, o gajo é trolha! Ele tava com fato de trolha e com um colega mêmo todo homem das obras. Até as coisas que ele tinha na mão, tipo uma enxada ou assim... Todo sujo. Trolha autêntico. Não contes isto a ninguém.
Até aqui tudo normal.
O mais engraçado é que depois encontro o outro (óptima pessoa, mas um pouco mentiroso) que me diz:
- Bem, Angel, vou-te contar uma cena. Isto fica entre nós. Eh pá, vi o João agora quando tive no norte. De rir... Que necessidade é que ele tem dizer que é director comercial, eh pá o gajo é o gajo que vais às lojas entregas camisas. Até ficou meio envergonhado quando me viu, de cabide na mão.
quarta-feira, maio 27, 2009
As vantagens da prisão
«Já li sessenta livros.»
Oliveira e Costa
(Já Vale e Azevedo começou a fazer crítica literária na cadeia.)
Oliveira e Costa
(Já Vale e Azevedo começou a fazer crítica literária na cadeia.)
terça-feira, maio 26, 2009
Não posso acreditar na meritocracia quando a Manuela Moura Guedes é apresentadora de um dos principais jornais televisivos nacionais ou quando vou ao dentista-mais-caro e ele me cria mais problemas do que resolve.
Não posso acreditar na meritocracia quando Bush é presidente do país mais poderoso do mundo.
Não posso acreditar na meritocracia quando a televisão está infestada de opinantes tão medíocres.
Nas áreas que melhor conheço (livros e jornais), cada vez se publica mais merda (quantas obras-primas de novos autores ficarão por conhecer) e cada vez acredito menos no jornalismo de investigação. Têm todos o rabo preso.
Uma sondagem (evidentemente secreta) revelou que 90% dos jornalistas se sentiam coagidos a escrever de que acordo com a voz do dono.
Que destaque é que isto mereceu? Alguém comentou? Alguém se indignou?
Zero.
Já não há jornalistas isentos. E quem ainda o é, é atirado para um canto - proscrito como o Baptista-Bastos.
Sei de cor os jornalistas que vão dizer sempre bem do partido A e mal do B, sempre bem do clube A e do clube B.
Os jornalistas chegam a declarar personalidades como inocentes ou culpadas, substituindo-se aos tribunais. Tudo em função - não da simpatia ou antipatia - mas de quem servem.
É um nojo.
O Pacheco Pereira, que incha sempre o peito de «imparcialidade» (homem, deixe que sejam os outros a fazer-lhe o elogio e não você próprio!), preocupa-se imensamente com os noticiários da RTP1, mas não fala do nojo que são os da TVI, incomparavelmente mais parciais, superficiais e alarmistas. Já me dei ao trabalho de ver um de fio a pavio - que nojo.
Diz o Pacheco Pereira que a RTP é do Estado e que por isso é com ela que nos devemos preocupar porque o dinheiro é de todos nós.
Certíssimo, mas: Dr. Pacheco, duvida que os privados também tenham interesses a servir? Duvida que os grandes grupos económicos também montem campanhas? Duvida do poder deles?
É maior do que o do Estado.
Não posso acreditar na meritocracia quando Bush é presidente do país mais poderoso do mundo.
Não posso acreditar na meritocracia quando a televisão está infestada de opinantes tão medíocres.
Nas áreas que melhor conheço (livros e jornais), cada vez se publica mais merda (quantas obras-primas de novos autores ficarão por conhecer) e cada vez acredito menos no jornalismo de investigação. Têm todos o rabo preso.
Uma sondagem (evidentemente secreta) revelou que 90% dos jornalistas se sentiam coagidos a escrever de que acordo com a voz do dono.
Que destaque é que isto mereceu? Alguém comentou? Alguém se indignou?
Zero.
Já não há jornalistas isentos. E quem ainda o é, é atirado para um canto - proscrito como o Baptista-Bastos.
Sei de cor os jornalistas que vão dizer sempre bem do partido A e mal do B, sempre bem do clube A e do clube B.
Os jornalistas chegam a declarar personalidades como inocentes ou culpadas, substituindo-se aos tribunais. Tudo em função - não da simpatia ou antipatia - mas de quem servem.
É um nojo.
O Pacheco Pereira, que incha sempre o peito de «imparcialidade» (homem, deixe que sejam os outros a fazer-lhe o elogio e não você próprio!), preocupa-se imensamente com os noticiários da RTP1, mas não fala do nojo que são os da TVI, incomparavelmente mais parciais, superficiais e alarmistas. Já me dei ao trabalho de ver um de fio a pavio - que nojo.
Diz o Pacheco Pereira que a RTP é do Estado e que por isso é com ela que nos devemos preocupar porque o dinheiro é de todos nós.
Certíssimo, mas: Dr. Pacheco, duvida que os privados também tenham interesses a servir? Duvida que os grandes grupos económicos também montem campanhas? Duvida do poder deles?
É maior do que o do Estado.
Também eu
I've been waiting for the lies to end
Holding for the bad to go
I've been hanging for the ugliness to change
Waiting for a world too true
Holding for a world too good
Hanging for a world too beautifuuuuuuuuuuuuuuuuul
Robert Smith
Holding for the bad to go
I've been hanging for the ugliness to change
Waiting for a world too true
Holding for a world too good
Hanging for a world too beautifuuuuuuuuuuuuuuuuul
Robert Smith
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