domingo, janeiro 25, 2015

Blues Fúnebres

Parem todos os relógios, desliguem o telefone,/ Não deixem o cão ladrar aos ossos suculentos,/ Silenciem os pianos e com os tambores em surdina/ Tragam o féretro, deixem vir o cortejo fúnebre./ Que os aviões voem sobre nós lamentando,/ Escrevinhando no céu a mensagem: Ele Está Morto,/ Ponham laços de crepe em volta dos pescoços das pombas da cidade,/ Que os polícias de trânsito usem luvas pretas de algodão./ Ele era o meu Norte, o meu Sul, o meu Este e Oeste,/ A minha semana de trabalho, o meu descanso de domingo,/ O meu meio-dia, a minha meia-noite, a minha conversa, a minha canção;/ Pensei que o amor ia durar para sempre: enganei-me./ Agora as estrelas não são necessárias: apaguem-nas todas;/ Emalem a Lua e desmantelem o Sol;/ Despejem o oceano e varram o bosque;/ Pois agora tudo é inútil./ W. H. Auden

2 comentários:

Anónimo disse...

Tradução sua, de Herberto Helder ou de quem?

Sr Joao disse...

De uma revista Ler de algum tempo. Só dei toques. Sei que está editado na relógio e tem lá o nome de quem traduziu (é a melhor tradução para mim)