terça-feira, dezembro 30, 2014

EL ACENTO Finlandia repudia la cursiva La caligrafía se suprime en beneficio de la mecanografía, que se considera "una ventaja competitiva" EL PAÍS MARCOS BALFAGÓN Finlandia, ese país con el sistema educativo más avanzado del mundo, acaba de preguntarse para qué sirve la caligrafía; la respuesta es: para nada. A partir de agosto de 2016, los niños finlandeses dejarán de aprender la letra cursiva, recibirán instrucción para que escriban en letra de imprenta y el tiempo que dedicaban a la caligrafía lo dedicarán a la mecanografía. La pedagogía finlandesa se ha rendido con armas y bagajes a los encantos de la funcionalidad. Los argumentos anticaligráficos, expuestos por el Instituto Nacional de Educación de aquel país, rezuman pragmatismo: escribir con letras de imprenta es más rápido, la cursiva sólo se usa en el colegio; es difícil de aprender (¿dejarán de explicar trigonometría o la diferencia entre arrianismo y monofisismo, pues?) y la mecanografía es una ventaja competitiva. Un criminalista diría que de nuevo se confunden las pruebas circunstanciales con las incriminatorias. Porque todas las razones expuestas no responden a réplicas sencillas como ¿por qué no pueden enseñarse ambos tipos de escritura? o ¿cuál es el coste de no enseñar la escritura caligráfica? Minna Harmanen, la distinguida funcionaria encargada de explicar la ablación de la cursiva, elude un hecho crucial: las personas (niños y adultos) escriben para pensar o, dicho en términos poéticos, para expresar con claridad los pensamientos que el escribidor no sabe que tiene. Escribir a mano es un modo más lento de traslación de pensamiento que teclear y, por lo tanto, permite una reflexión mayor; escribir a mano con mayúsculas y minúsculas implica además una ordenación más refinada del universo propio (separación de párrafos, cadencia argumental, elección de la letra) que usar sólo caracteres de imprenta. Es fácil temer que la anticaligrafía conduce, en un plazo impreciso pero fatal, a que los adultos así educados sean capaces de escribir muy rápidamente ideas que no tienen. Quienes defienden la caligrafía no lo hacen por una pose contraria al progreso tecnológico o por el capricho diletante de defender algo vetusto. Educar significa dar un sentido del valor de las cosas. Eso se consigue mejor con una formación caligráfica que con la uniformidad del fast writing.

quarta-feira, dezembro 17, 2014

quarta-feira, dezembro 03, 2014

“O desenvolvimento da inteligência artificial pode significar o fim da raça humana”

“O desenvolvimento da inteligência artificial pode significar o fim da raça humana” Stephen Hawking é um dos mais conceituados cientistas de todo o mundo e para o investigador o desenvolvimento tecnológico pode ter tanto de positivo como de arriscado. Isto porque os humanos não conseguem desenvolver-se tão rápido como as máquinas. “O desenvolvimento em pleno da inteligência artificial pode significar o fim da raça humana”. O alerta é dado pelo físico teórico Stephen Hawking durante uma entrevista à BBC a respeito da evolução dos sistemas de AI, como a ferramenta de comunicação que o cientista usa atualmente. O novo sistema foi desenvolvido pela Intel em parceria com membros da Swiftkey, uma das mais reconhecidas aplicações de escrita inteligente. Stephen Hawking considera que atualmente existem mecanismos de inteligência artificial básicos, mas que rapidamente estes podem tornar-se numa ameaça real ao Homem. “Iria evoluir por contra própria [a inteligência artificial] e redesenhar-se a uma velocidade cada vez maior. Os humanos, que são limitados por uma evolução biológica lenta, não conseguiriam competir e seriam suplantados”, detalhou o teórico. Os “temores” levantados por Stephen Hawking chegam pouco tempo depois de uma outra figura proeminente, Elon Musk, empreendedor na área das novas tecnologias, também ter mostrado grande preocupação relativamente à inteligência artificial. A BBC ouviu ainda um especialista na área da robótica, o fundador da Cleverbot, que tentou colocar alguma razão neste alarmismo. “Não podemos saber realmente o que vai acontecer se uma máquina suplantar a nossa inteligência, portanto não sabemos se vamos ser infinitamente ajudados por ela, ignorados por ela e colocados de parte, ou se seremos concebivelmente destruídos por ela”, analisou Rollo Carpenter. Já Stephen Hawking considera que existem outras áreas, além da AI, às quais é preciso prestar atenção e dedicação, sendo uma delas a Internet. “Mais precisa de ser feito pelas empresas de Internet para combater as ameaças, mas o mais difícil é fazer isso sem sacrificar a liberdade e a privacidade”, analisou o físico teórico.

sexta-feira, janeiro 03, 2014

último-último-último

«Não conheço nada mais desprezível do que um homem que não se atreve, por palavras ou acções, a revelar aquilo que, no seu íntimo, se opõe às opiniões comuns. Quem vive deste modo é, aos meus olhos, um cobarde.» Garman & Worse, Alexander Kielland, tradução de João Reis.

quinta-feira, janeiro 02, 2014

Último-Último

Primeiro, dois textos de Miguel Esteves Cardoso, o homem que nos últimos anos, na antítese do jornalista do Independente, quase só escreve para dizer bem. (Não há aqui nenhuma crítica velada.) «No PÚBLICO de ontem Cláudia Carvalho contava como a FNAC retirou a frase "Troque Os Maias por Meyer" por causa do número de protestantes no Facebook, que ficaram ofendidos por se ter confundido Eça de Queirós com Stephanie Meyer. A FNAC deveria ter-se recusado a ceder a pressões idiotas mas preferiu aproveitar o protesto para divulgar a campanha A Cultura Renova-se. A mim ofende-me o cartão FNAC, o tal "que faz parte de si", que, em conluio com a Credibom, cobra juros acima dos 25%. Mas não se fica por aí, como se verá. Em Dezembro pedi uma segunda via do meu cartão. Mandaram-me uma conta de €3,50. Como não paguei nesse mês, cobraram-me €7,00 de "penalizações": o dobro do que tinha custada a merda do cartão. Qual será a TAEG em que os juros são 200% por mês? O total devido era agora €10,50. Por amor à FNAC decidi deixar-me roubar. Só que paguei dois dias depois do prazo. Resultado: apareceu-me este mês mais uma conta de €7,00. Em dois meses os €3,50 do cartão tinham acumulado €14 de "penalizações". Telefonei para a Credibom, onde me disseram que estava tudo no contrato e que eu deveria ter lido o contrato. Os €10,50 que eu tinha pago tinham "regularizado a situação", mas, como eu me tinha atrasado, a "penalização" deste mês já tinha sido "lançada". Agora tenho de pagar mais 7 euros até ao dia 28 deste mês. Se pagar só no dia 1 de Março, cobrar-me-ão mais 7 euros. E assim sucessivamente, até à hora da minha morte. Ladrões.» Miguel Esteves Cardoso «Nunca mais compro nada na Fnac. Pronto. Está dito. Comprava tudo na Fnac. Pensava que fnac era acrónimo de "franceses noctívagos apaixonadamente culturais". Só agora percebi que designa "falsários nauseabundos aldrabões & carteiristas". Já aqui contei a ladroagem do cartão Fnac - o cartão "que faz parte de si": parte gaga. Resumindo: pedi uma segunda via do dito cartão. Custava 3,50 euros. Como não paguei a tempo, cobraram-me 7 euros pela demora. Paguei 10,50 euros. Mas como não paguei a tempo, cobraram-me mais 7 euros. Ontem recebi um pedido de pagamento de 14 euros. A carta era datada de 15 de Fevereiro, mas só chegou cá no dia 28. A data-limite para pagar? Era dia 27. É esse o truque da Fnac e da Credibom: para além dos juros de Idade Média sobre o que se deve (sempre acima dos 25%, ilegais nos países que protegem os consumidores), enviam tarde os pedidos de pagamento, para receberem mais 7 euros por mês. Por um cartão que custou três euros e meio já paguei dez e meio e, como não tive tempo de pagar mais catorze, pagarei mais vinte e um euros - isto é, se contrariamente ao que têm feito, me derem tempo para pagar. Isto sem nada ter comprado a crédito. Pelo contrário: a última coisa que comprei, um MacBook Pro para a Maria João, foi paga por inteiro, em dinheiro. Creditaram-me 50 euros no cartão. Mas só se aplica a compras que eu lá fizer. Porque não tiram os 21 euros ladroados dessa benesse? Porque são uns ladrões. Repito.» Idem A MINHA OPINIÃO Segundo, algumas observações minhas de porque tomei a mesma decisão que Miguel Esteves Cardoso. 1. As fotografias em cima, da minha autoria, em letras bem grande atravessando toda uma parede da Fnac, têm erros ortográficos. Na fila, uma rapariga à minha frente perguntava ao pai se já se escrevia «serviço» sem cedilha. Reporto os erros da cedilha e da falta de acento em «saúde» à «responsável» pela «comunicação» com o cliente. Ela diz-me (e lembro-me do nome): - É a sua opinião. Pensei que a Fnac também era uma casa de livros. Estava enganado. 2. Em 2013, cansei-me da quantidade de SMS alusivas, que sugeriam algo, que depois afinal não eram bem assim, sempre com excepções e excepções, sempre com esquemas de pontos e disto e daquilo; armadilhas para apanhar néscios. Como eu. 3. Se a Fnac quer vender livros usados que diga que vende livros usados, que os identifique, que lhes baixe consideravelmente o preço, que os ponham uma prateleira perfeitamente vísivel. Comprar uma teoria da heteronímia de Pessoa e uma biografia sobre Salinger com vincos por todos os lados, páginas com marcas de remexidas inúmeras vezes. Se foram, na mais benévola hipótese, os clientes, então, que os removam. 4. Bem sabemos que o espaço tem um preço na Fnac. Para estar aqui pagas x, ali y, e por aí fora. 5. Os livros que fogem à lógica do mercado estão cada vez mais escondidos. E o TOP FNAC passou a ser obrigatório de ser visto dado o seu tamanho e destaque. 6. Confesso que me fartei do encadeamento dos mil e um objectos tecnológicos, cada vez mais exibidos, cada vez mais cintilantes, até chegar ao livro pretendido. Gonçalo M. Tavares contou que no México no mesmo sítio em que se orava num templo as pessoas comiam gelados - sim, a geladaria com um templo lá dentro. 7. Ainda sou do tempo... bem recente... em que não era preciso cartão para os tais 10% espectaculares da Fnac. Pois, agora, 10% com cartão e SÓ PARA ALGUNS. Quais? Não se sabe bem. Por vezes, o livro diz uma coisa e o computador outra. 8. A Fnac gere os meus pontos? Compro um livro e pergunto pelos pontos. «Usou da última vez.» «Mas ninguém me perguntou nada»? «Pois, se calhar foi automático.» 9. Até posso perder dinheiro (o que não é garantido), mas estou-me nas tintas. Não volto lá. A forma de garantir que as editoras e livrarias independentes (são as grandes superfícies quem rebenta o mercado com preços que outros não podem praticar e com a sua poderosíssima propaganda) possam sobreviver passa pelas decisões do consumidor. A minha, passo o pleonasmo, está decidida. 10. Com as margens que a Fnac tem perante as distribuidoras, praticar os preços que praticam não é generosidade - nada disso, muito, muito, muito antes pelo contrário. E para muitos livros nem sequer é verdade. Acredito que uma das armas que ainda temos é de votar pelo consumo. Façam as vossas escolhas.