segunda-feira, dezembro 16, 2013

Se está tudo nos clássicos, para/por quê continuar a escrever? A angústia de Almada Negreiros cresce dia a dia. Camões poderia ser culto - poderia abarcar o legado, o caudal de cultura humanística com laborioso estudo - numa época em que havia tantos livros (trinta e cinco mil) como hoje se publicam por mês. E não havia ziliões de filmes, músicas, jornais, revistas, publicações periódicas, blogues, isto&aquilo. Julga-me a gente toda por perdido,/ Vendo-me tão entregue a meu cuidado,/ Andar sempre dos homens apartado/ E dos tratos humanos esquecido./ Mas eu, que tenho o mundo conhecido,/ E quase que sobre ele ando dobrado,/ Tenho por baixo, rústico, enganado/ Quem não é com meu mal engrandecido./ Vá revolvendo a terra, o mar e o vento,/ Busque riquezas, honras a outra gente,/ Vencendo ferro, fogo, frio e calma;/ Que eu só em humilde estado me contento/ De trazer esculpido eternamente/ Vosso fermoso gesto dentro na alma./

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