sábado, dezembro 28, 2013

Leitor(a), se te dissesse o nome, aposto 98 contra 2 em como o reconherias. Digamos que é alguém da esfera da arte, a que associas irreverência, essas coisas. É um rebelde no que defende. E não é hipócrita. Mas há uma certa forma de viver a vida - a forma mais íntima, a verdade pessoal, aquilo que se é descascadas todas as camadas. O que fulge no centro, o que não se desapega. Num certo sentido, é a pessoa mais conservadora que alguma vez conheci. Neste: não consegue deixar de ir sempre ao mesmo sítio; não consegue deixar de fazer sempre o mesmo percurso na estrada; tem a mesma companheira há um quartel; tem os meus amigos de adolescente não lhe subtraindo ou acrescentando um; tem pânico de trabalhar com alguém com quem nunca trabalhou por mais farto que esteja deste ou daquele, mudar é que nunca; veste-se da mesma forma desde que nasceu (uma vez, explicou-me que cria relações de afeição com peças de roupa e que ruças ou rotas não as abandona); tem o mesmo médico há trinta anos. Recordo-me de uma frase dele ao declinar um convite: «Não quero conhecer pessoas, nem uma, já conheci as suficientes e já escolhi as necessárias. Ponto.»

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