sexta-feira, dezembro 13, 2013

«Eu adoro livros.» «Sou capaz de ficar um dia a ler.» «O que é preciso é apoiar os eventos culturais. O País precisa de cultura.» «Do que mais gosto é de ler, escrever e pensar.» «A poesia dá-me orgasmos.» Outras mais aparentemente sofisticadas, mas com a mesma substância nula: «A beleza da transparência da língua», «o lado onírico do autor arrebatou-me, «as vísceras do eu arrancadas para o texto, percebes?». Vacuidades - vacuidades pretensiosas. Que procuram causar impressão. Pensas nas pessoas concretas de que ouviste estas frases (e que muitas vezes apanhaste com SMS «chegas-te bem a casa?», «à tanto tempo que não ia lá» ou com aquela que, sim, A História Universal da Infâmia era um livro fabuloso, com centenas de páginas, etc., etc.), pensas nas variantes das pessoas de quem ouviste estas frases - curiosamente, são todas pessoas para quem a cultura é um ornamento como uma mota de água. Pessoas que realmente não navegam em águas profundas. Nem com o dedo maior do pé.

5 comentários:

CL disse...

«Nem com o dedo maior do pé» ;)

Anónimo disse...

chegas-te????

euexisto disse...

:) ando a levar emprestados alguns posts daqui. espero que não se chateia com isso.

euexisto disse...

chateie* tou cmós outros :)

Sr Joao disse...

De forma alguma, euexisto.