sexta-feira, dezembro 27, 2013

Desde cedo, ouço a palavra «ninfomaníaca» e, desde cedo, observando (ou julgando observar e errando) que havia mais «tarados sexuais» do que «taradas sexuais» (no sentido da adição sexual e não da parafilia). Depois de tanto me interrogar, dediquei-me a pesquisar. Satiríase (dos sátiros, como das ninfas, está tudo nos Gregos) é o equivalente masculino da ninfomania. (Nem se quer encontrei o adjectivo ou nome...) O machismo, claro. A mulher com número alto é puta. O homem com número alto é campeão. Digam o que disserem: isto mudou pouco. Ainda a propósito de ninfomaníacas, as únicas que conheci - assumidas - não têm condição - o verbo é «estar», não «ser». Em tempos, tiveram uma fase de ninfomania. Em acreditando no que me disseram, nenhuma gostava particularmente de sexo - quase antes pelo contrário. Uma dizia que o fazia para se sentir desejada, para se sentir unida, ligada (falta de amigos, abandonos de toda a espécie e pinta, pai distante e gélido), de algo modo importante. Acreditei - até porque acredito que não retirava prazer de masturbar um velho no autocarro e de ser penetrada sem preservativo por um sem-abrigo fedorento e imundo. A outra dizia que nunca tivera um orgasmo - andou muito anos com o seu primeiro e único namorado; um geek do xadrez, amorfo e assexuado - e procurou com uma miríade de homens prazer no sexo. Sem o conseguir.

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