quinta-feira, dezembro 12, 2013

Dale Carnegie aconselhava a nunca se discutir. As convicções mais íntimas, os seus gostos são para muita gente uma família. Discordar delas com certa veemência é atacar-lhes a identidade - é atacá-las, no fundo. MAS AS DUAS GRANDES RAZÕES PROVÊM DA MATEMÁTICA E DA PSICOLOGIA. O teorema de Godel. É impossível que um sistema de encadeamento de premissas dispense axiomas não demonstráveis, logo todo o que é lógico, tudo o que é racional assente algures no buraco do dogma não demonstrável. Há sempre uma incompletude que só é preenchida com a crença. E o que nos faz aderir à crença - vem a psicologia - são a emoção, a estética, a experiência limitada que cada um teve, a educação que recebeu, o que sentiu e que inconscientemente - 95% do cérebro, apontam psicólogos em 2013, lhe fez criar com um entretecido de racionalidade que satisfaça a emoção. Por exemplo, os retornados que se tornaram de direita por emoção, por exemplo, os que levaram carga policial por serem de esquerda e que ficam com um preconceito contra a polícia para toda a vida. Mas o ponto mais sensível é outro. Precisamos de sobreviver. Mesmo Descartes que defendia que a única certeza era a do Penso logo sou (a tradução mais fiel) regia-se na sua vida por certezas, esta é a minha casa, esta é a mão, quando está frio, agasalho-me mais). Estas são certezas do quotidiano. Mas todos precisamos de um conjunto de certezas maiores para não nos sentirmos meros bichos. E, por isso, evitamos a fundo quem nos questiona. Freud dizia que lamentavelmente poucos eram os que recorriam à psicanálise no sentido do autoconhecimento - a maioria acorria a ela por puro desespero. Longe de querer defender a psicanálise, digo apenas o que leio sobre psicologia: as pessoas têm o seu sistema de pensamento, de valores, de princípios, de crenças organizado e quando outra pessoa, dados novos, a mutação da realidade lhes procura abalar as certezas mais fundas - aí, a emoção reage. Inconscientemente, atenção. Se fosse conscientemente, perceberiam. E com unhas e dentes a emoção força a razão a munir-se de encadeamentos lógicos que rebatam o novo (o novo na cabeça, o profundamente novo na cabeça) - se isso acontecesse a mente desorganizar-se-ia. E o que ela mais quer é funcionar organizada. Castro Caldas explica que o mais difícil de eliminar na mente é o hábito. E uma ideia certa e segura é um «hábito» para muitos.

Sem comentários: