quarta-feira, dezembro 04, 2013

A tradução

No início, tudo estava vivo. Os mais pequenos objetos eram dotados de corações pulsantes, e até as nuvens tinham nomes. As tesouras caminhavam, os telefones e os bules eram primos direitos, os olhos e os óculos eram irmãos. A face do relógio era uma face humana, cada ervilha na tua taça tinha uma personalidade diferente, e a grelha na frente do carro dos teus pais era uma boca sorridente com muitos dentes. As canetas eram aviões. As moedas eram discos voadores. Os ramos das árvores eram braços. As pedras pensavam e Deus estava em toda a parte. Não havia problema em acreditar que o homem na lua era um homem a sério. Vias o rosto dele a olhar para ti do céu noturno e era sem dúvida o rosto de um homem. Pouco importava que este homem não tivesse corpo – não deixava de ser um homem para ti, e a possibilidade de que talvez houvesse uma contradição em tudo isto nem por uma vez te passou pela cabeça. Ao mesmo tempo, parecia perfeitamente credível que uma vaca pudesse saltar por cima da Lua. E que um prato pudesse fugir com uma colher.

4 comentários:

Anónimo disse...

M-Á-G-I-C-O.

Ervilha flutuante

Anónimo disse...

sr joão, já postou isto antes, não foi? queijo a mais?

Anónimo disse...

Isso era ao princípio. E depois?

Sr Joao disse...

É ler o livro...