sábado, novembro 30, 2013

Muitas pessoas não querem discutir - querem converter. Fotocopiar as ideias do seu cérebro e enfiá-las nas cabeças alheias. (Uma forma de as apanhares é veres que enquanto falas elas apenas estão interiormente a articular mentalmente o que vão dizer a seguir.)
«Tornei-me cada vez mais curioso sobre a natureza humana, sobre as pessoas. Penso que a minha urgência de escrever tem que ver, sobretudo, com a curiosidade. A curiosidade é uma virtude moral. Uma pessoa curiosa é melhor pessoa, melhor vizinho, melhor pai, até melhor amante do que alguém que o não é.» Amos Oz

Dos grandes filmes muito pouco badalados (e já agora um ornamento de futilidade: com a mulher - actriz sofrível - que considero a mais bonita do mundo)

«Pode ser que exista um sujeito autêntico de esquerda, o problema é que eu nunca conheci nenhum.» Millôr Fernandes
O pós-idolatria é a descida mais vertiginosa.
«Passo o tempo todo pensando – não raciocinando, não meditando –, mas pensando, pensando sem parar. E aprendendo, não sei o quê, mas aprendendo.» Clarice Lispector

quinta-feira, novembro 28, 2013

«No automóvel amarelo a mulher definitiva de alguém passa,/ Vou ao lado dela sem ela saber.» Álvaro de Campos

quarta-feira, novembro 27, 2013

«Eu sou da cor daqueles que são perseguidos.» Lamartine

terça-feira, novembro 26, 2013

«Se as portas da percepção estivessem purificadas, tudo apareceria ao homem tal como é: infinito.» William Blake

Se isto é um homem

Ao debruçar-se sobre o impacto da crise nos países europeus, a Organização Mundial de Saúde (OMS) concluiu que a taxa de infeção com o vírus da sida aumentou "significativamente" na Grécia e que cerca de metade das novas infeções resultam do uso de agulhas contaminadas. Destes casos, "alguns", diz a OMS, "estão deliberadamente a infligir-se o vírus". O motivo: Receber 700 euros por mês e, em alguns casos, pode ter rapidamente acesso a programas de recuperação de toxicodependência. Ler mais: http://visao.sapo.pt/oms-corrige-afirmacao-de-que-gregos-estao-a-injetar-se-com-virus-da-sida-para-receber-subsidios=f759020#ixzz2lldAkPR9

A caminho do homem-não-homem-digital-economicista

Bruxelas prepara regulamento para obrigar Estados a criarem registo público de insolvência. Comissão de Protecção de Dados está contra. Os Estados-membros deverão criar registos de insolvência, com a indicação dos cidadãos que sejam declarados insolventes, e colocar essa informação na internet.

segunda-feira, novembro 25, 2013

Do nazismo económico

«Cerca de três meses após a abertura do ano lectivo, centenas de crianças do ensino especial de todo o país continuam sem professores, sem terapeutas e algumas sem matrícula. “É um cenário negro”, afirma à Renascença a directora Associação Portuguesa de Deficientes Ana Sezudo. “Continuamos a ter alunos sem matrícula, a ter falta de professores do ensino especial, falta de técnicos, falta de auxiliares e, portanto, as crianças com necessidades educativas especiais continuam com uma falta de apoio tremenda”, acrescenta. A responsável não aponta um número certo, mas calcula em centenas o número de alunos afectados. Os que estão inscritos “estão a receber apoio noutros sítios, nomeadamente em instituições que têm acordos atípicos com a Segurança Social”. “É um retrocesso brutal, é a segregação de crianças com necessidades educativas especiais e de crianças com deficiência. Segregação e institucionalização”, critica. Este é, por isso, nas palavras de Ana Sezudo, um ano lectivo “desastroso”.»
«Victor Hugo definiu os revisores como "modestos sábios, hábeis em polir as penas do génio". O enciclopedista Pierre Larousse considerava os revisores seus "mais queridos auxiliares". Tristão de Athayde, referindo-­se à importância do cuidado do revisor com a boa composição gráfica, lembrou o caso da poesia concretista, que "faz da dis­posição tipográfica dos textos um ele­mento de composição e de expres­são estética". Nosso saudoso escritor e professor Guilhermino César, em dedicatória que fez em livro de sua autoria, chamou seu revisor de «anjo da guarda dos escritores». O linguista Jorge Campos considera o revisor "um tradutor de uma língua nela mesma".» «Por último agradeceria, se não tivesse perdido o seu nome e morada, a um cavalheiro americano que generosa e gratuitamente corrigiu a pontuação, a botânica, a entomologia, a geografia e a cronologia de anteriores obras minhas e que, segundo espero, não irá privar‐me desta vez dos seus serviços.» Virginia Woolf

domingo, novembro 24, 2013

Das palavras intraduzíveis. Gigil (Filipinas) - termo que expressa o impulso de beliscar algo que é insuportavelmente terno.

sexta-feira, novembro 22, 2013

- Em setenta anos, percebi uma coisa. Nunca aquilo de que temos medo é o que nos acontece.
Já há muito que não falamos e suspeito de que não venha aqui. De qualquer forma, não ficaria minimamente melindrada. Gravaram-se-me as palavras e creio que nem uma preposição foi trocada na memória. Ela disse: - Adoro sexo e adoro homens que adoram sexo. E mulheres também, ainda que prefira homens. Mas quando a fome é muita... [Riu-se.] Angel, sabes qual é o melhor perfume numa mulher? - Loulou Blue? - Ah, ah, ah! É o cheiro da cona! Podes não acreditar, mas nos períodos de maior cio, espalho o cheiro da coisinha pelas orelhas, e pelo pescoço e - acredita - os homens sentem e fiquem muito mais excitados.

quinta-feira, novembro 21, 2013

«Por último, com todas as miragens das novas tecnologias, que anunciavam um novo mundo, ecrânico e autossuficiente, que na verdade se revelou gerador de formas inéditas de submissão e de controlo dos indivíduos.» Manuel Maria Carrilho

quarta-feira, novembro 20, 2013

O meu futuro, garante-me uma amiga.

'Efeito Google' pode afetar a memória

«Um estudo da Universidade de Harvard quis saber se o uso constante dos motores de busca na Internet pode afetar as capacidades de memorização. Estas ferramentas já são vistas como uma extensão da memória humana, que dispensa a necessidade de decorar factos e datas. O constante uso de motores de busca na Internet, como auxílio de pesquisa, pode afectar a nossa capacidade de reter informação, concluiu um estudo recente da Universidade de Harvard. A constante dependência da Internet está alterar os nossos hábitos de memorização de factos e datas, já que podemos facilmente sabe-los através de uma busca rápida online. Uma equipa de cientistas de Harvard concluiu que plataformas como o Google, Bing ou Yahoo são agora vistas como uma extensão da inteligência humana, em vez de serem encarados como meras ferramentas. O fenómeno já foi alcunhado de 'efeito Google'. Os psicólogos da Universidade de Harvard, Daniel Wegner e Adrian Ward, explicam que, nos testes conduzidos, os indivíduos que não viam a necessidade de decorar factos e datas por acreditarem que estes estariam seguramente armazenados na Internet, demonstravam mais dificuldades de memorização. Por outro lado, se acreditassem que essa informação poderia ser apagada, tinham uma maior tendência para recordá-la. "O nosso trabalho sugere que agora tratamos a internet como uma pessoa com quem partilhamos detalhes e informação. Nós despejamos informação e memórias como faríamos com um membro da nossa família, amigo ou namorado", escreveram os psicólogos num artigo publicado pelo jornal Scientific American. Num outro conjunto de testes, os investigadores pediram aos participantes para responderem a perguntas de cultura geral. Um dos grupos usava motores de busca e o outro não. Aqueles que recorreram ao Google e outras ferramentas de pesquisa online, mostravam uma maior confiança e auto-estima em relação aos seus conhecimentos do que aqueles que apenas recorreram à sua memória, apesar das respostas estarem igualmente certas. "Os resultados mostram que usar o Google dá às pessoas a sensação de que a Internet faz parte das suas próprias faculdades cognitivas. Factos e datas retiradas de uma página da Web são vistos como um produto da própria memória dos participantes no estudo, permitindo-lhes ficar com o crédito de saberem coisas que são produzidas por algoritmos de pesquisa do Google.» Revista Activa

terça-feira, novembro 19, 2013

Círculo Vazio

Sê impotente, atónito,/ Incapaz de dizer sim ou não./ E, por graça, uma maca virá para nos reunir./ Estamos demasiado absortos para ver aquela Beleza./ Se dissermos que a vemos, mentimos./ Se dissermos Não, não vemos,/ Esse Não irá matar-nos/ E trancar a nossa via para o espírito./ Por isso, que não tenhamos certeza de nada/ Além de nós mesmos, e só isso, para que/ Seres milagrosos nos possam vir ajudar./ Enlouquecidos, deitados num círculo vazio, mudos,/ Poderemos, finalmente, dizer/ Com enorme eloquência, Guia-nos./ Quando nos tivermos rendido totalmente a essa Beleza,/ Então seremos uma poderosa bondade./ Rumi, Tradução de Rui Medeiros Silva da versão de Coleman Barks.

e. e. cummings, o poeta com a sensibilidade de um clítoris

à atemporalidade e ao tempo igual,/ o amor não tem início nem final:/ se nada andar nadar nem respirar/ o amor serão o vento a terra e o mar/ (amantes sofrem? cada divindade/ lhes veste a pele com mortal vaidade:/ amantes são felizes? seu querer/ cria universos ao menor prazer)/ amor é a voz por trás do que se cala,/ esperança que o medo não cancela:/ força tão forte que nem força abala:/ verdade antes do sol e além da estrela/ – amantes amam? ora, o tolo e o esperto/ que preguem céu e inferno, tudo certo/ . Being to timelessness as it’s to time,/ love did no more begin than love will end:/ where nothing is to breathe to stroll to swim/ love is the air the ocean and the land/ (do lovers suffer? all divinities/ proudly descending put on deathful flesh:/ are lovers glad? only their smallest joy’s/ a universe emerging from a wish)/ love is the voice under all silences,/ the hope which has no opposite in fear:/ the strength so strong mere force is feebleness:/ the truth more first than sun more last than star/ – do lovers love? why then to heaven with hell./ whatever sages say and fools, all’s well/

segunda-feira, novembro 18, 2013

Reportagens a que é impossível um ser vivente - já nem digo pensante - ficar indiferente

http://visao.sapo.pt/o-mundo-secreto-da-internet=f649514

A arte de mentir, VASCO PULIDO VALENTE

«Nunca gostei do mundo da blogosfera e das “redes sociais”, que é um repositório de iliteracia e de irresponsabilidade, sem direcção e sem lei. Mas não imaginava que politicamente as coisas se pudessem passar como as conta um cavalheiro que a revista Visão entrevistou esta semana. Esse cavalheiro, que se descreve a si próprio como “consultor de comunicação”, gaba com enorme orgulho as patifarias que por aí se fazem para distorcer os resultados de várias espécies de eleições (por exemplo, as que Passos Coelho ganhou no PSD) e para “derreter” a imagem pública de pessoas que um pequeno grupo de facciosos considera inconvenientes (por exemplo, Paulo Rangel e Manuela Ferreira Leite). Estas “campanhas negras”, como são conhecidas, gozam segundo ele diz do apreço e da ajuda de algumas “notabilidades” públicas. Verdade que certos governos meteram a colher na sopa, definindo as “linhas gerais” da sua propaganda e fornecendo informações secretas por “e-mail fechado” (um requinte que francamente não consigo perceber). Isto, a ser verdade, já é de si gravíssimo. Mas, sobre isto, os “consultores de comunicação” inventam “perfis falsos” (por outras palavras, personagens imaginárias) para o facebook, a que dão uma “vida” (“fotografias de família”, preferências particulares, clube de futebol e por aí fora) e que depois põem a espalhar calúnias sobre o indivíduo ou o partido que pretendem abater. Durante a campanha de Passos no PSD, o “consultor de comunicação” que os jornalistas da Visão confessaram, aliás sem grande dificuldade, passou uma noite a trabalhar em três computadores (fora o telemóvel) para virar a audiência contra Rangel e a favor de S. Exa. o actual primeiro-ministro. Pior ainda: estes extraordinários peritos em “novas profissões” intervêm, sob nomes fictícios, nos chamados “fóruns” de opinião da TSF e da SIC. Ou para vexar um político particular (no caso, parece que Sócrates) ou para “defender” a gente para quem trabalham. Ao que alega o “consultor” da Visão as “Juventudes” fornecem muitos “voluntários” para esta meritória obra. E, mais tarde, acabam por receber a sua recompensa. Lugares no Estado, evidentemente, lugares nos gabinetes dos ministros, até contratos de um teor obscuro. Mesmo que o benfeitor que a Visão desencantou exagere a sua importância e as suas proezas, não fica a menor dúvida que existe um bas-fonds na “net”, a pedir uma boa limpeza. É para isso que existe a polícia e a Procuradoria-Geral da República. Ou não é?»

domingo, novembro 17, 2013

Neoludita, pois claro

Uma entidade patronal para a qual trabalho enquanto trabalhador independente liga-me (estando eu fora do local de trabalho, não havendo qualquer aviso de que me iriam enviar algo): - Ainda não respondeu ao e-mail. - Só se não recebi. Por acaso, abri o e-mail há menos de uma hora. - Já lhe enviámos há meia hora. E????????!!!!!!!! Bem sei que numa sociedade demencial, um pingo de lucidez é uma extravagância perigosa. O e-mail caminha para uma chamada de telemóvel (que por sua vez já ganhou há algum a imperiosidade de uma ordem do patrão na empresa). É preciso estar sempre com o e-mail aberto. Sempre mais e mais e mais formas de a tecnologia condicionar, policiar a vida e o tempo do trabalhador. E outras continuarão vindo.

sábado, novembro 16, 2013

Mudar de lentes

«Mas, afinal, para que é que eles servem? Eles são os economistas, claro, que em rigor nada conseguiram prever do que aconteceu, e hoje nada conseguem resolver nem, na verdade, esclarecer. Esta impotência devia ser, a meu ver, o principal tópico do pensamento político atual, ele é muito mais decisivo do que as piruetas e as lérias que por aí correm sobre a "reforma do Estado". Porquê um tal fracasso? E como é que, nestas circunstâncias, é possível "fazer fé" nas suas sempre desmentidas profecias, como se vivêssemos num sucessivo garrote de ilusões e de decepções? Para nos libertarmos disto, temos de urgentemente mudar de lentes, porque são as nossas erradas perspetivas que estão a condicionar a perceção individual e coletiva da realidade, num processo que simultaneamente - e isso está bem estudado há muito tempo - vai astuciosamente construindo essa mesma realidade - a tal que, depois, claro, não tem alternativa!... Mudar de lentes e olhar de olhos bem abertos para tudo o que está por trás deste engodo, ao nível da formação, dos negócios, dos lobbies e dos fantásticos lucros obtidos por estes supostos especialistas, que de resto já eram mais ou menos os mesmos de antes da crise. Mudar de lentes para compreender bem que o problema fundamental do nosso mundo é hoje indiscutivelmente o das crescentes desigualdades, como o provam os últimos livros de autores tão diversos como Joseph Stiglitz, de Stephen D. King ou de Thomas Piketty, este último autor de um monumental como imperdível Le Capital au xxi Siècle. Mudar de lentes é perceber que este problema tem tido um autêntico efeito de dominó sobre todos os outros problemas económicos e sociais dos nossos dias, o que infelizmente os economistas em geral preferem ignorar, como M. Aglietta sublinhava há dias na revista Esprit. Eles preferem realmente dedicar-se a outras coisas, como sofisticar "o discurso de legitimação de captura da sociedade pela finança ao serviço de uma ideologia anglo--saxónica ultraliberal, que embora não se tenha imposto por todo o lado com o mesmo grau no plano político, reina sem rival no plano académico". É este , insisto, o grande problema político dos nossos dias. Por um lado, vive-se sob uma ideologia que passa por ciência sem contudo satisfazer os mais elementares quesitos de cientificidade (por exemplo, os de Karl Popper e da falsificabilidade das hipóteses) que ela exige. E, por outro lado, alimenta-se um permanente fetichismo dos números, como se em cada centésima se decidisse o destino do mundo, um fetichismo mágico que aparece como a única base de uma cada vez mais pobre compreensão da sociedade e do mundo. Precisamos de lentes novas que olhem em primeiro lugar para o bem da sociedade e para o bem comum, e depois mobilizem todas as disciplinas e saberes disponíveis (entre os quais estará, claro, a economia) como instrumentos dos objetivos a atingir. Precisamos de lentes novas que permitam compreender que, em si, o mercado é na verdade indiferente à justiça, à igualdade ou ao progresso, que o que determina tudo é a política - isto é, a vontade expressa dos cidadãos -, que tem sempre de o enquadrar e regulamentar. Nenhuma filosofia do mercado pode, de modo algum, pretender legitimar-se independentemente dos problemas da sociedade e das opções dos cidadãos. É ainda M. Aglietta que o enfatiza: "Chega de fórmulas abstratas e ocas em que os políticos são useiros e vezeiros: a justiça, a liberdade, os direitos do homem, etc. Os indivíduos estão inseridos numa coletividade civil integrando-se em múltiplas pertenças coletivas. Isso requer uma expertise civil sobre as interdependências sociais nas quais os economistas têm sempre o seu lugar. Isso significa que a economia deve ser reconhecida como fazendo parte das ciências sociais, mas sem qualquer pretensão de hegemonia" - exatamente o contrário do que se tem passado. E bons exemplos não faltam, de John Rawls a Amartya Sen de Esther Dufluo. É talvez à noção de "capabilidade" de A. Sen que mais devamos hoje recorrer, porque se trata de uma ideia que cruza as nossas capacidades humanas com o nosso poder de agir. E são justamente as "capabilidades" do ser humano, tão esquecidas e desprezadas pelo financismo dominante, o elemento que torna mais real a liberdade que nos constitui como pessoas. Ora, o que verificamos hoje, como tantos autores não se cansam de repetir e nós de o esquecer, é que infelizmente são as liberdades o que justamente mais tem recuado, e significativamente, nos chamados países desenvolvidos, domesticados por um financismo que faz desaparecer todas as ambições e objetivos sociais sob o torniquete da cupidez mais estrambólica e dos rendimentos mais duvidosos. Vivemos afinal como se a verdadeira liberdade fosse apenas a da finança, que tudo submete a um único objetivo: o da renda máxima pelo máximo de tempo, com o consequente esmagamento da economia real e da vida das pessoas. Todos sabemos que a economia de mercado e o capitalismo estão de facto inextricavelmente ligados. Mas isso não os torna na mesma coisa. Keynes lembrou muitas vezes que os capitalistas são aqueles que têm acesso à moeda para financiar os meios de produção, enquanto os assalariados são aqueles que têm acesso à moeda alugando a sua força de trabalho. A grande ilusão de Keynes foi a de que essa força, digamos conjunta ou convergente, podia ser posta ao serviço da civilização e do progresso, através da regulação e da democracia. Compete-nos a nós tirar a lição desta ilusão - e esse o trabalho que os socialistas têm pela frente, e na verdade têm tardado a fazer, criando os conceitos e definindo as modalidades de que a nossa sociedade precisa para, finalmente, se começar a pensar que é possível mudar de modelo. E a mostrar que há alternativa.» Manuel Maria Carrilho

sexta-feira, novembro 15, 2013

e. e. cummings

unloves's the heavenless hell and homeless home/ of knowledgeable shadows (quick to seize/ each nothing which all souless wraiths proclaim/ substance;all heartless spectres,happiness)/ lovers alone wear sunlight. The whole truth/ not hid by matter;not by mind revealed/ (more than all dying life,all living death)/ and never which has been or will be told/ sings only-and all lovers are the song/ Here(only here)is freedom always here/ no then of winter equals now of spring;/ but april's day transcends november's year/ (eternity being so sans until/ twice I have lived forever in a smile)

terça-feira, novembro 12, 2013

A tasca recomenda

http://www.lettersofnote.com/
- Mas esse não era o teu amigo de há uma porrada de anos? - Era. Há mais de oito anos. Não sei explicar, nunca o tinha visto de outra forma. Num dia, íamos tomar café e eu vi-o no carro a chegar e parece que caiu sobre mim qualquer coisa. Vi-o de outra forma. Estava vestido, penteado de outra maneira. Se calhar, foi isso; confesso que não sei. Senti naquele instante: «Pela primeira vez, não o vejo como o "amigo fofinho".» E namoramos e estamos muito apaixonados.

so you want to be a writer

if it doesn’t come bursting out of you/ in spite of everything,/ don’t do it./ unless it comes unasked out of your/ heart and your mind and your mouth/ and your gut,/ don’t do it./ if you have to sit for hours/ staring at your computer screen/ or hunched over your/ typewriter/ searching for words,/ don’t do it./ if you’re doing it for money or/ fame,-/ don’t do it./ if you’re doing it because you want/ women in your bed,/ don’t do it./ if you have to sit there and/ rewrite it again and again,/ don’t do it./ if it’s hard work just thinking about doing it,/ don’t do it./ if you’re trying to write like somebody else,/ forget about it./ if you have to wait for it to roar out of/ you,/ then wait patiently./ if it never does roar out of you,/ do something else./ if you first have to read it to your wife/ or your girlfriend or your boyfriend/ or your parents or to anybody at all,/ you’re not ready./ don’t be like so many writers,/ don’t be like so many thousands of people who call themselves writers,/ don’t be dull and boring and pretentious, /don’t be consumed with self-love./ the libraries of the world have yawned themselves to sleep over your kind./ don’t add to that./ don’t do it./ unless it comes out of your soul like a rocket,/ unless being still would drive you to madness or suicide or murder,/ don’t do it./ unless the sun inside you is burning your gut,/ don’t do it./ when it is truly time,/ and if you have been chosen,/ it will do it by/ itself and it will keep on doing it/ until you die or it dies in you./ there is no other way./ and there never was. Charles Bukowski

segunda-feira, novembro 11, 2013

Eutimia

eutimia nome feminino sossego de espírito (Do grego euthymía, «boa coragem», pelo latim euthymĭa-, «idem») eutimia In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2013. [Consult. 2013-11-11]. Disponível na www: . Eutimia (do grego eu = normal + timo = humor) é definido por Demócrito como um estado de equilíbrio no humor e por Séneca como um estado de tranquilidade, um ponto de estabilidade entre o humor deprimido e o humor eufórico.1 Trata-se do ponto de equilíbrio entre a distimia (humor constantemente baixo) e sua versão mais intensa, a depressão maior, quando da hipomania (humor constantemente elevado) e sua versão mais intensa, a mania. Sendo assim, é o objetivo dos tratamentos de transtornos de humor como ciclotimia e transtorno bipolar.

domingo, novembro 03, 2013

- Como não acreditar no inconsciente? Os estudos mais recentes indicam que 90%-95% do que pensamos sobre os outros, do que fazemos é movido pelo inconsciente. Muitas vezes, acordo, estou maldisposto, irritado, sorumbático, de repente, fico alegre, sem que nada tenha acontecido. Não são só os raios solares, há processos do inconsciente, em que, estando a realidade externa estanque - aquela ínfima fatia do mundo que nos sobressalta e nos desassossega -, em que sem acontecimentos positivos ou negativos, a melancolia ou a tristeza cai sobre nós.
«É preciso compreender, e de vez, que isto não vai lá com falinhas mansas, nem com políticas de remendos mais ou menos engenhosas. É preciso compreender que o capital financeiro domina hoje inteiramente o mundo, destruindo a sociedade industrial, liquidando o mundo empresarial e esfarelando a articulação nuclear do "social" que se constituiu na segunda metade do século XX, e foi sempre uma relação entre os recursos disponíveis e os valores coletivos adotados por cada coletividade. É também preciso compreender que nunca como hoje a finança teve tanto poder e tanta influência na economia (global e virtual) e, ao mesmo tempo, um papel tão escasso e tão diminuto na economia real, de que - como bem sabemos - depende o essencial da vida concreta das pessoas. E é ainda preciso compreender, e bem, que nunca a democracia foi um dispositivo tão frágil nas mãos dos que a pensam deter ou dominar. Ela é hoje vítima de uma difusa ilusão de liberdade individual ilimitada, sem freio nem fim, que tem como contraponto constante, não a emancipação - como historicamente aconteceu durante décadas - mas a quase total impotência dos cidadãos e das sociedades, que na verdade foram expropriados do seu poder ou, como diria Spinoza, da sua capacidade de agir. É esta, na realidade, a verdadeira razão porque nada acontece há anos, fora das áreas do protesto mais ou menos pueril e ritual, mais ou menos consolador e inútil, a que temos assistido. Sem projetos coletivos minimamente estruturados, sem ideias credíveis e magnetizadoras, vive-se em plena gelatina opinológica, que foi tomando o lugar das antigas ideologias e expulsando toda a meritocracia para colocar no seu lugar uma vaga ruminação idiotológica.» Manuel Maria Carrilho

Entrevista a Freud

http://academiafreudiana.wordpress.com/2013/10/31/um-rara-entrevista-de-freud-no-final-de-sua-vida/

sexta-feira, novembro 01, 2013

Ode à vida, Pablo Neruda

Toda a noite/ com um machado/ a dor me feriu,/ mas o sonho/ passando lavou como uma escura água/ ensangüentadas pedras./ Hoje estou vivo novamente./ De novo/ te levanto,/ vida,/ sobre os meus ombros/ Ó vida,/ Taça cristalina,/ de súbido/ enches-te/ de água suja,/ de vinho morto,/ de agonia, de desgraças,/ de pegajosas teias de aranha,/ e muitos crêem/ que guardarás para sempre/ essa cor infernal./ Não é verdade/ Um noite lenta passa,/ passa um só minuto/ e tudo muda./ Enche-se/ de transparência/ a taça da vida./ Um longo trabalho/ nos espera./ De um só golpe nascem as pombas./ Se engendra a luz sobre a terra./ Vida, os pobres/ Poetas/ Julgaram-te amarga,/ Não saíram da cama/ contigo/ com o vento do mundo./ Sofreram os amargores/ sem te procurar,/ barricaram-se/ num negro tugúrio/ e foram-se atolando/ no luto/ dum solitário poço./ Não é verdade, vida,/ és/ bela/ como a minha amada/ e tens entre os seios/ odor a menta./ Vida/ és uma maquina plena,/ felicidade, rumor/ de tempestade, ternura/ de delicado azeite./ Vida,/ és como uma vinha:/ amealhas a luz e reparte-la/ em cacho transformada./ Aquele que te renega/ que espere/ um minuto, uma noite/ um ano curto ou longo,/ que saia/ da sua mentirosa solidão,/ que indague e lute, junte/ as suas mãos a outras mãos,/ que não adopte nem proclame/ a má sorte,/ que a estilhace dando-lhe/ forma de muro,/ como à pedra fazem os canteiros,/ que a corte/ e dela faça/ umas calças./ A vida espera/ todos aqueles/ que amam/ o selvagem/ odor a mar e a menta/ que ela tem entre os seios.