sexta-feira, setembro 20, 2013

Paul Auster, Relatório do Interior (continuação ou reformulação de Diário de Inverno - o primeiro o relato a autobiografia do corpo, o segundo, da mente)

No início, tudo estava vivo. Os mais pequenos objetos eram dotados de corações pulsantes, e até as nuvens tinham nomes. As tesouras caminhavam, os telefones e os bules eram primos direitos, os olhos e os óculos eram irmãos. A face do relógio era uma face humana, cada ervilha na tua taça tinha uma personalidade diferente, e a grelha na frente do carro dos teus pais era uma boca sorridente com muitos dentes. As canetas eram aviões. As moedas eram discos voadores. Os ramos das árvores eram braços. As pedras pensavam e Deus estava em toda a parte.

1 comentário:

Anónimo disse...

Deus estava em tua a parte.
Cada vez o sinto mais perto. Ou talvez seja eu que me esteja a aproximar.