quinta-feira, setembro 26, 2013

Dos sete aos dezasseis, Bukowski, todos os dias, levou uma tareia do pai. «Imaginas quantas tareias levei? Fazes ideia do que isso é?» O pai obrigava-o a uniformizar o corte da grama. No início, Bukowski não acertava - e o pai batia-lhe. Quando conseguiu uniformizar a grama, o pai deitava-se na grama e via sempre, dessa perspectiva horizontal, um espiga mais alta - e batia-lhe. A mãe era passiva e, por vezes, dizia quando o pai lhe batia: «A ver se esse preguiçoso aprende a trabalhar!» Bukowski diz que se industriou a ser tremendamente frio e a encarar o mundo com frieza e indiferença e alheamento - e que isso nunca o largou. Por outro lado, diz que, graças ao pai, aprendeu a escrever. Ao sentir e guardar o sentimento de «pain without reason», libertou-se de todo o adorno literário. Quando estamos na merda, flores no discurso, na escrita parecem postiças. E o amarelo é insuportável.

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