domingo, setembro 15, 2013

Bukowski dizia que quando via filas de gente, seguia sempre a que tinha menos pessoas - as maiorias quase nunca têm razão. (E não há nada mais terrível do que a psicologia das multidões. Um argumento popular desce da superfície da assimilação acrítica e da falta de profundidade. Koestler: a última verdade é sempre em penúltima análise uma mentira. Na Índia, para satisfação dos e das manifestantes lá enforcaram quatro indivíduos. Cá em Portugal, circula a petição para apanhar o Patrick, um suspeito (note-se bem, suspeito) de espoletar incêndio(s). Espuma-se que ele seja apanhado e morto e que devolva a vida de quem morreu heroicamente. E que talvez em se o apanhando grande parte do desemprego, da miséria, da exploração cesse - milhares e milhares de pessoas estão nesta causa. Não é difícil de imaginar o que aconteceria ao Patrick se a turba de 50 mil bárbaros o apanhasse. E talvez os piores até sejam os que não escrevem que ele devia ser isto&aquilo antes de ser assassinado - cão que não ladra morde. E com isto lembrei-me do final de Ratos e Homens de Steinbeck, um dos mais comoventes - para mim. O problema da pena de morte é o problema da matemática - duas negativas não fazem uma positiva. Como se pode em nome do valor da vida dar o exemplo com o Estado matando?

1 comentário:

Anónimo disse...

Espero bem que apanhem o Patrick.