quarta-feira, agosto 14, 2013

Sei que é ridiculamente banal o que vou dizer. Os heróis modernos não se destacam por uma causa, pela melhoria do bem-estar da comunidade. Vejam-se os ídolos modernos. Veja-se a toponímia. José Mourinho tem uma rua em Setúbal, juntamente com Cunhal. Pesem embora as mil críticas justas (e eu subscrevo-as, até a do social-fascista), Cunhal esteve preso onze anos, foi barbaramente torturado, nunca denunciou um camarada, viveu períodos de total incomunicabilidade - tudo em nome de um ideal para o seu povo e o mundo. Heróis são outros. Não os modelos, actores de séries ou jogadores de futebol. Heróis são os que vivem em Portugal com 294 euros ou menos de pensão - um milhão... Soa a cliché, mas penso neles - penso em como conseguem gerir a sua vida - e, não raras vezes, a dos outros. E como tantos não lamentam a sua condição. Heróis são os que trabalham 15 horas por dia mais os transportes públicos para os subúrbios para ter 600 euros e governar a sua vida e do cônjuge desempregado e do filho toxicodependente. Tudo isto sem Xanax. Heróis são os que renunciam à vida confortável e vão para o Haiti salvar vidas. Heróis são muitos bombeiros. A dita comunicação social deveria falar mais destes heróis anónimos. Aqueles que se penduram num poste ou se lançam no mar bravio arriscando a sua vida para salvar a de outro.

3 comentários:

euexisto disse...

tiro o chapéu a este post.

Sr Joao disse...

Curvo-me.

Anónimo disse...

E não esqueçamos as pessoas que cuidam dos velhos, deficientes mentais e crianças maltratadas, que nunca são valorizadas pelo trabalho que fazem, o mais valioso de todos.