terça-feira, agosto 27, 2013

Conheci um casal no mundo rural que está junto há mais de trinta e cinco anos. À lareira, um senhor de idade respeitável contar-me-ia: - Aquele senhor que estava a falar contigo é o grande amor da vida dela e ela é o grande amor da vida dele. - A sério? - É das poucas certezas que tenho na vida, rapaz. - Eles namoraram? - Eles nunca tiveram nada, rapaz. Os tempos também eram outros. - E eles sabem? - Não sei. É assim desde criança. - E a mulher dele e o marido dela sabem? - Penso que não. Mas amor e tosse não se escondem, não é? Viste o olhar deles? Vê. Repara como olham um para o outro. - Desculpe a indiscrição, mas como é que tem essa certeza? - Sei desde que éramos miúdos e brincávamos com fisgas junto do muro da igreja. Ele chorava por ela. Sou amigo dele há mais de sessenta anos. - Ele nunca lhe disse a ela? - Nunca. Nem ela a ele. Dela sei pela minha mulher, que é amiga dela há muito tempo. - Como é possível? - Não sei, orgulho, timidez. Essas coisas acontecem.

2 comentários:

Anónimo disse...

tão triste...

Anónimo disse...

E ao mesmo tempo, tão bonito. Cumplicidade no silêncio.