quinta-feira, agosto 29, 2013

Percebi o paradoxo: porque gosto tanto de policiais (Rex Stout, o Maior) e porque, ainda assim, não os considero, regra geral, bons livros. A perda de vontade de releitura. Livros há que te prendem do início ao fim - mas cuja releitura é enfadonha. O final está fechado. Estiveste suspenso à espera de obter algo - depois de o obteres, a releitura (se a memória guarda esse algo) é vã.
Depois de uma estada no mundo rural, na natureza, o regresso ao betão, à urbe, à tecnologia, ao excesso de densidade populacional, ao trânsito, à ditadura do tempo, ao ruído é qualquer suja que mil banhos não tiram.
E, um dia, a privacidade será estudada na História como um assunto de outrora, como hoje é estudado o Império Assírio.

terça-feira, agosto 27, 2013

Conheci um casal no mundo rural que está junto há mais de trinta e cinco anos. À lareira, um senhor de idade respeitável contar-me-ia: - Aquele senhor que estava a falar contigo é o grande amor da vida dela e ela é o grande amor da vida dele. - A sério? - É das poucas certezas que tenho na vida, rapaz. - Eles namoraram? - Eles nunca tiveram nada, rapaz. Os tempos também eram outros. - E eles sabem? - Não sei. É assim desde criança. - E a mulher dele e o marido dela sabem? - Penso que não. Mas amor e tosse não se escondem, não é? Viste o olhar deles? Vê. Repara como olham um para o outro. - Desculpe a indiscrição, mas como é que tem essa certeza? - Sei desde que éramos miúdos e brincávamos com fisgas junto do muro da igreja. Ele chorava por ela. Sou amigo dele há mais de sessenta anos. - Ele nunca lhe disse a ela? - Nunca. Nem ela a ele. Dela sei pela minha mulher, que é amiga dela há muito tempo. - Como é possível? - Não sei, orgulho, timidez. Essas coisas acontecem.
«Raramente nos apaixonamos sem nos sentirmos tão atraídos pelo que é objectivamente saudável no ser amado como por aquilo que é interessantemente errado nele.» Alain de Botton

domingo, agosto 25, 2013

Conversas da burguesia interceptadas num restaurante

Pai 1: - O João tirou agora um MBA, foi o melhor aluno da turma. E ele dá-se muito bem lá com os colegas. Vai jantar com eles e tudo. Pode ser que arranje lá um bom contacto... Pai 2: - Sim, senhor. O João sempre foi um rapaz socialmente muito bem enquadrado. Pai 1: - É, mas o gajo, pá, tem a mania de tirar dúvidas aos outros. Já lhe disse mais do que uma vezes: não dês o teu conhecimento, vende-o. Ninguém dá nada a ninguém. Até uma cantora anda lá no MBA, veja lá... Eu vi umas fotos dela no Facebook. Uma tipa jeitosa... O João tira-lhe dúvidas... Uma cantora... Aquele João tem uma paciência. Para dar umas voltas, ainda vá. Mas, porra, não quero netos de uma cantora. Pai 2: - Ele sabe o que faz. É uma pessoa dirigida. Pai 1: - Ele gasta é um balúrdio em fatos. Agora, descobriu o Rosa & Teixeira e não quer outra coisa. Gasta muito. Já lhe disse que parece o Governo socialista. (Risos.) Pai 2: - A paixão do Eduardo são os carros. Agora, anda fisgado num Audi. Aquilo tem umas jantes e um motor que é um espectáculo, pá. Ele era para vir hoje, mas já tinha combinado andar lá com os colegas de mota de água. Pai 1: - Fez bem, fez bem. Quando é ele volta para Angola? Pai 2: - No fim do mês, no fim do mês. Então e o meu amigo já deixou o golfe? Pai 1: - Oh, pá, a malta lá da Sonae é uma brigada de artroses. (Risos.) Pai 2: - Um dia destes, desafiou-o para um partidinha de squash? Pai 1: - Não tenho coração para isso. Pai 2: Faz ao seu ritmo. Vai gostar. Levo-o ao meu ginásio, aquele tem umas pequenas bem jeitosas. E não há ali pé de chinelo... Um sítio óptimo. Pai 1: Ténis ainda aceito. Pai 2: Também pode ser. Tem de fazer desporto. Pai 1: A Mariana é que é uma boa jogadora. Ela foi campeã inter-regional aos 17 anos. Pai 2: Vai um uisquezinho? Pai 1: Sim. Chame aí a rapariga.
- Queres ir sair? - Obrigado, mas só se houver mulheres. Sem mulheres, mesmo só para conversar, nota bem; sem mulheres, a noite é um bocejo. Já não tenho a mínima paciência. Muito raramente, para aí uma em duzentas, há uma noite em que tenho uma conversa invulgarmente estimulante com um homem; mas é tão raro, que já só saio para a noite na noite havendo elementos femininos. Até porque depois as outras olham mais e baixam as defesas. Elas sentem o desespero e a solidão num homem a quilómetros de distância.
- Porque se suicidou? - Hiperlucidez.

quinta-feira, agosto 22, 2013

- Gostava de dizer que os homens que mais amei e que mais me marcaram foram os que mais bem me trataram. Mas não foi assim. Não é assim...

quarta-feira, agosto 21, 2013

Casado, quotidiano, tributável e fútil

Ele 1 não tem «família» - no sentido clássico. Vive com a namorada do momento. É visto pelos amigos como tendo falhado numa dimensão da vida. Mas ele é feliz assim. Ele 2 ganhava 3000 € numa empresa de grafismo com código de indumentária, horários, obediência a parâmetros que no seu entendimento lhe cerceavam a arte. Deixou o trabalho, ganhou um terço enquanto trabalhador independente - baixou de estatuto, eles dizem. «O poder dispor do meu tempo, o poder ir a uma esplanada às três da tarde ou passear a minha filha num jardim vale mais do que dez ordenados», ele disse-lhes.

O regresso da sopa dos pobres como modelo de apoio social (José Vítor Malheiros)

«O filho mais velho de Cláudia tem dez anos e acompanha a mãe e os dois irmãos mais pequenos à cantina social de Matosinhos. Levam sacos com recipientes vazios que vão levar para casa com o almoço da família. Pai e mãe estão desempregados e o subsídio de desemprego não chega para cobrir as despesas e comprar comida para todos. Ao entrar na cantina, o rapaz cruzou-se com um colega da escola, que deve ter percebido o que a família ia fazer. “Que vergonha!”, disse o rapaz à mãe. A história é contada numa reportagem de Ana Cristina Pereira, publicada há poucos dias nestas páginas, a par de um artigo de Andreia Sanches sobre o Programa de Emergência Alimentar. E nós não podemos senão repetir, como o filho mais velho de Cláudia, “Que vergonha!”. Que vergonha que o Governo de Passos Coelho esteja a mergulhar cada vez mais famílias na pobreza, a destruir os apoios sociais a que todos os cidadãos têm direito nos momentos de necessidade e para os quais todos contribuímos, e a substituí-los por humilhantes programas de caridade, onde os direitos se transformam em esmolas, onde a dignidade das pessoas é ofendida, onde a sua autonomia é negada, onde a sua perda de estatuto é ofensivamente reiterada dia após dia. É infame que o ministro Mota Soares envergonhe o filho mais velho de Cláudia, uma criança de dez anos cujo único crime é ter pais desempregados. É infame que o ministro Mota Soares apenas aceite alimentar os filhos das Cláudias em troca da sua humilhação. Mas Mota Soares, que de facto é não só ministro para a Promoção da Miséria mas também grão-mestre da Humilhação dos Pobres, não se fica por aqui. Há todos os dias milhares e milhares de crianças que comem a sopa da caridade, sob o olhar envergonhado dos pais, e que rezam para que nenhum colega da escola os veja entrar numa cantina social ou entrar de sacos vazios e sair de sacos cheios de uma IPSS ou de um Centro Paroquial. Mota Soares pode achar esta vergonha despropositada em miseráveis, pode considerar que todos eles têm muita sorte por ter a sua sopinha grátis e pode até argumentar que seria pior se não a tivessem, mas a questão é que o Estado tem o dever de proteger os direitos das pessoas em geral e dos seus cidadãos mais frágeis em particular e que estas doações não são senão retribuições que a sociedade lhes deve – como no-las deve a cada um de nós em caso de necessidade porque todos contribuímos solidariamente uns para os outros. Mota Soares não percebe que o seu papel é gerir os recursos de todos de acordo com as políticas solidárias que a sociedade colectivamente sancionou e não impor um programa de submissão dos pobrezinhos para aterrorizar os trabalhadores e facilitar o ataque aos seus direitos. Mota Soares não percebe que as pessoas são todas iguais em direitos e dignidade e que não pode impor aos filhos dos mais pobres o que nunca admitiria que fosse imposto aos seus filhos. Mota Soares não percebe que está a vender a sua sopa a um preço demasiado alto. Mota Soares não percebe que é abjecto organizar apoios sociais de uma forma que humilha os necessitados, que eterniza a sua dependência porque não lhes permite qualquer autonomia e que nem sequer é a mais eficiente. Há 415.000 portugueses que vivem de alimentos doados, quer pelo Banco Alimentar contra a Fome quer pelas cantinas sociais do Programa de Emergência Alimentar. Se somarmos a estes os que são alimentados por organizações privadas que não estão ligadas àqueles programas e por indivíduos a título pessoal, o número excederá certamente o meio milhão. Meio milhão de pessoas que só podem comer todos os dias se forem pedir comida. O Programa Alimentar de Emergência cresceu paralelamente à redução das prestações e do âmbito do rendimento social de inserção (RSI), que apoia cada vez menos pessoas apesar do evidente aumento das necessidades, mas todos os especialistas consideram que um grande alargamento do RSI seria a medida mais justa, mais respeitadora da dignidade das pessoas, mais promotora da sua autonomia e até mais benéfica para a economia nacional. Porque é que o Governo gosta de distribuir sopa mas reduz o RSI? Porque o RSI proporciona uma autonomia que o Governo não quer promover. O RSI serve para fazer sopa ou para um bilhete de autocarro. A sopa é só sopa. Não permite veleidades. Usando habilmente de uma propaganda sem escrúpulos, o Governo e a direita em geral conseguiram difundir a ideia de que o RSI promovia a preguiça e atrofiava a iniciativa, além de gastar recursos gigantescos. Era e é mentira, mas a campanha ajudou a estabelecer a sopa dos pobres como modelo social alternativo. Mota Soares prefere dar sopa e anunciar que os pobres podem fazer bicha para a sopa. “É bom para o Governo e para a alma”, sonha Mota Soares. “É maravilhoso ter muitos pobres a quem dar sopa, porque quem dá sopa aos pobres pratica a caridade e quem pratica a caridade está na graça de Deus.” É por isso que Mota Soares exulta com a sopa dos pobres. Por isso e porque sabe que na bicha da sopa só estarão os filhos dos outros.»

terça-feira, agosto 20, 2013

Liga-se a televisão e é quase sempre estúpido.Sorri e irrita-se perante o ecrã luminoso com o que querem que sorria e se irrite. A maioria quase nunca têm razão. A hiper-informação matou o rigor. Os livros mais lidos quase nunca perdurarão, quase nunca prestam. Na arte, os best sellers nunca são long sellers. A maioria das pessoas defeca opinião sem O MÍNIMO conhecimento das coisas. Assimila acriticamente sem mecanismos de defesa. Cospe pela boca o que lhe impingem no cu. Reproduz, perpetua. Já viste como se comporta uma multidão, um grupo, uma legião?

segunda-feira, agosto 19, 2013

A independência tem um preço tão alto. A liberdade tem um preço tão alto. A honestidade - garante das primeiras - tem um preço tão tão alto.

Tecnologia, o assunto sobre o qual as pessoas não têm visão histórica, caramba, é tão fácil entender o padrão

Vou a uma dessas lojas mais conhecidas - já quase não há telemóveis. Há i/smart/phones. Pergunto ao funcionário. Há lá uns lá para o canto, mas o senhor não queria um equipamento com? NÃO! Mas repare tem as mesmas funções e ainda... NÃO! É claro que o telemóvel caminha para a extinção. As pessoas - mesmo as mais lúcidas - não têm uma visão geral da tecnologia. Não percebem que tudo caminha para o obsoletismo. E cada vez mais rápido. Não percebem que foi sempre assim. Que as cassetes se foram. Os Beta. Os VHS. Pensam sempre que o que há agora se mantém (seja o DVD ou o telemóvel sem computador). Não mantém. São tão estúpidas nesta matéria QUE NÃO ENTENDEM QUE UM PRODUTO NOVO ACABA SEMPRE POR APARECER COMO UMA NOVA POSSIBILIDADE ATÉ SE TORNAR OBRIGATÓRIO. O telemóvel - era uma opção - permitia/concedia a «liberdade» de a pessoa estar mais tempo contactável. Tornou-se obrigatório. Pessoalmente em sociedade. Profissionalmente. E TU TENS DE ESTAR SEMPRE CONTACTÁVEL. O e-mail, a mesma merda. Aparecendo sempre com uma possibilidade de liberdade adicional, qualquer nova introdução tecnológica se torna sempre obrigatória (SOCIALMENTE OBRIGATÓRIO, LABORALMENTE OBRIGATÓRIA) e, pior do que isso, RECONFIGURANDO TODA A SOCIEDADE. (VEJAM O AUTOMÓVEL, A TELEVISÃO, A INTERNET.)

domingo, agosto 18, 2013

Quando o trabalho obriga a vender o coração e o sorriso

«”I´m lovin´ it!” A frase vem estampada nos uniformes, nos cartazes, nas embalagens e no material publicitário da cadeia de fast food McDonald”s. O slogan foi criado em 2003 pela agência Heye & Partner (diz-nos a Wikipedia) e desde essa altura que invadiu os milhares de restaurantes da cadeia em todo o mundo. A Heye & Partner tem sede na Alemanha, perto de Munique, e o slogan ecoa num tom moderno esse outro lema alemão famoso: “Arbeit macht Frei.” A primeira versão do “I”m lovin” it!” foi, por isso, “Ich liebe es”. Gosto disto. Estou a adorar! Isto é mesmo porreiro, pá! Este Arbeit dá gozo, meu! A particularidade do slogan é que não se trata da declaração de um atributo da marca, de um compromisso da empresa, de uma garantia de qualidade, de uma promessa de bom serviço ou de qualquer outra coisa. Este slogan foi criado pela empresa mas é posto na boca dos trabalhadores. Foi criado para que fossem eles a dizê-lo, como se eles o pensassem e o sentissem. A empresa defenderá que se trata de um contrato livre entre duas partes e que ninguém é obrigado a ir trabalhar para a McDonald”s e, portanto, ninguém é obrigado a ostentar o slogan, o que é formalmente verdade, mas todos sabemos o grau de liberdade existente na negociação de contratos de trabalho. Quem vai trabalhar para a McDonald”s tem de fazer o seu trabalho, depressa e bem, e tem de dizer que adora trabalhar ali, ainda que o seu trabalho seja duro, mal pago e precário. Pode defender-se que isto não é muito diferente de tantas outras obrigações profissionais em que se incorre ao assinar um contrato de trabalho e é evidente que existe da parte de qualquer trabalhador um dever geral de protecção do bom nome da empresa onde se trabalha, mas este “I”m lovin” it!” vai um passo à frente. Este “I”m lovin” it!” não é uma mera defesa da reputação da empresa. Nem é sequer uma mera publicidade da marca, que seria entendível sempre como uma declaração da própria empresa. Este “I”m lovin” it!” obriga todos os trabalhadores a declararem activamente a todo o momento o seu gosto pelo trabalho que fazem e a sua adoração pela empresa que os emprega e a fazê-lo em nome pessoal. É uma usurpação da consciência individual que aqui tem lugar. É um abuso em termos de direitos individuais e um atropelo da liberdade de expressão porque limita a liberdade do indivíduo e se apropria, em benefício do empregador, de algo que é da esfera privada do trabalhador: o seu gosto pessoal, a sua liberdade de declarar aquilo de que gosta ou não gosta. Se cada empregado da McDonald”s trouxesse um autocolante na camisa que dissesse “Os nossos hambúrgueres são os melhores do mundo!” isso seria entendido como uma alegação da empresa, que não comprometeria a identidade de cada trabalhador. Mas ao impor aquele “I” e aquele “lovin”", a McDonald”s visa apropriar-se da alma e do coração das pessoas que trabalham para si. Estas pessoas pertencem-me. Não apenas o seu Arbeit, mas o seu Eu. A questão levanta problemas jurídicos interessantes: se declarar que se adora o seu trabalho faz parte dos deveres de um trabalhador da McDonald”s, será que esse mesmo trabalhador da McDonald”s, nas suas horas livres, pode dizer que detesta o seu trabalho? Repare-se que não se trata de difamar ou de fazer sequer uma crítica ao seu empregador, mas de fazer um comentário que é da estrita esfera pessoal (“não gosto de”). 2. Há muitos exemplos de como as empresas limitam de uma forma cada vez mais insidiosa as liberdades dos seus trabalhadores, impondo ditaduras de facto que restringem o exercício das liberdades cívicas constitucionais a escassas horas da vida dos cidadãos – as que decorrem entre o trabalho e o sono – e se apropriam de uma forma cada vez mais invasiva de espaços reservados da sua vida social e privada. Uma das formas de repressão laboral que se tornaram mais comuns – em particular nos trabalhadores que têm de atender o público – é a obrigação… de sorrir. Porquê? Pela mesma razão por que os empregados da McDonald”s têm de dizer que adoram o que fazem: porque os magos do marketing descobriram que, assim, os clientes se sentem mais felizes e, quando os clientes se sentem mais felizes, compram mais. E porque, cada vez mais, os patrões pensam que são donos dos seus trabalhadores. Nos Estados Unidos, o sorriso pode ser uma obrigação contratual e a sua falta, justa causa de despedimento. Haverá coisa mais triste? É evidente que todos preferimos ser atendidos por empregados naturalmente alegres e sorridentes, mas será lícito impor, como condição contratual, o sorriso constante? Fará o sorriso parte das obrigações profissionais, como pesar a farinha ou dar informações sobre um frigorífico? Ou fará parte daquele eu íntimo que não queremos e não devemos pôr à venda? Que não se pode pôr à venda porque não é uma mercadoria, porque não foi feito para ser vendido? Impor um sorriso como ferramenta de trabalho é dizer a uma pessoa que não é dona dos seus sentimentos nem da sua expressão, que eles pertencem “à companhia”, que são meras ferramentas de produção. Impor um sorriso como ferramenta de trabalho é uma forma de proxenetismo, de esclavagismo light, aquele que a gestão moderna se tem empenhado em impor em substituição dos campos de trabalho.» José Vítor Malheiros

sábado, agosto 17, 2013

Melhor do que ir a festivais

http://jvillaret.com.sapo.pt/

quinta-feira, agosto 15, 2013

O FIO VERMELHO DO DESTINO

«O fio vermelho do destino ou fio vermelho é uma lenda chinesa. De acordo com este mito, os deuses amarram uma corda vermelha invisível ao redor dos tornozelos dos homens e mulheres que estão destinados a ser a alma gêmea um do outro. Segundo a lenda chinesa, a divindade a cargo do "fio" acredita-se ser Xia Lao Yue (muitas vezes abreviado para "Yuelao" , o antigo deus lunar casamenteiro, que é também responsável por casamentos. "Um fio invisível conecta os que estão destinados a conhecer-se Independentemente do tempo, lugar ou circunstância O fio pode esticar ou emaranhar-se mas nunca irá partir." - Uma antiga crença chinesa A lenda , desde então, também se tornou um mito popular na cultura japonesa e história fala sobre um fio invisível que é amarrado no dedo mindinho de duas pessoas que estão destinadas a viverem juntas para sempre. É como uma ligação espiritual que representa o amor eterno.» http://cultura-japonesa.blogspot.pt/
Para o jogador, um das experiências mais _________ é conseguir entrar no cérebro dela e baralhar-lhe as certezas mais intrínsecas e adâmicas. É fazer-lhe um auto-retrato que ela sente nunca ter sido capaz.
Há quanto tempo não te apaixonas por uma palavra nova?

quarta-feira, agosto 14, 2013

Sei que é ridiculamente banal o que vou dizer. Os heróis modernos não se destacam por uma causa, pela melhoria do bem-estar da comunidade. Vejam-se os ídolos modernos. Veja-se a toponímia. José Mourinho tem uma rua em Setúbal, juntamente com Cunhal. Pesem embora as mil críticas justas (e eu subscrevo-as, até a do social-fascista), Cunhal esteve preso onze anos, foi barbaramente torturado, nunca denunciou um camarada, viveu períodos de total incomunicabilidade - tudo em nome de um ideal para o seu povo e o mundo. Heróis são outros. Não os modelos, actores de séries ou jogadores de futebol. Heróis são os que vivem em Portugal com 294 euros ou menos de pensão - um milhão... Soa a cliché, mas penso neles - penso em como conseguem gerir a sua vida - e, não raras vezes, a dos outros. E como tantos não lamentam a sua condição. Heróis são os que trabalham 15 horas por dia mais os transportes públicos para os subúrbios para ter 600 euros e governar a sua vida e do cônjuge desempregado e do filho toxicodependente. Tudo isto sem Xanax. Heróis são os que renunciam à vida confortável e vão para o Haiti salvar vidas. Heróis são muitos bombeiros. A dita comunicação social deveria falar mais destes heróis anónimos. Aqueles que se penduram num poste ou se lançam no mar bravio arriscando a sua vida para salvar a de outro.

terça-feira, agosto 13, 2013

- Se a felicidade é o intervalo entre as ocupações; sou profundamente infeliz; se a felicidade é como estamos na maior parte do tempo; sou feliz. Passo o dia a trabalhar. O resto a dormir. Mesmo a comer, estou em pequenas reuniões, a despachar assuntos ao telefone e a pensar que não tarda nada estou a trabalhar. Estando no «palco», as coisas são óptimas, ter coisas para fazer e fazê-las, assuntos para resolver e resolvê-los, uma efervescência danada. O melhor são as segundas. O pior é o regresso a casa, o conduzir sem um assunto que possa resolver, as idas à casa de banho em que tenho de me enfrentar só, os sábados longos... Mas regresso sempre ao trabalho e esqueço isso e sinto-me útil, organizado e com um auto-respeito sólido.

segunda-feira, agosto 12, 2013

- Qual o verbo mais bonito? - Adejar, coruscar, borboletear.
«A mais completa liberdade [deve] ser garantida a todas as formas de amor e de contacto sexual. Nenhuma sociedade estará jamais segura, em qualquer parte, enquanto uma igreja, um partido ou um grupo de cidadãos hipersensíveis possa ter o direito de governar a vida privada de alguém. [Um dos] prazeres sexuais dos seres humanos tem sido o de reprimir a sexualidade, a própria e a dos outros. Defendo todas as formas de prostituição, como profissão protegida pela lei e vigiada pela saúde pública. Ainda que isso possa chocar muita gente, parece que, desde sempre, houve machos e fêmeas cujo talento na vida, e cuja vocação definida, é emprestarem o próprio corpo. E quem se vende ou quem compra (o que não tem nada a ver com capitalismo, mas com o direito de qualquer pessoa a dispor de si mesma, em acordo com outra) deve ter a protecção da lei contra redes de exploração, chantagens, etc. O que duas pessoas (ou um grupo delas) fazem uma com a outra, fora das vistas dos demais, não diz respeito a esses demais, a não ser que eles vivam na observação mórbida de imaginarem (num misto de horror e curiosidade, que os torna moralistas raivosos) o que os outros fazem. E o que os outros fazem não altera em nada o equilíbrio social. [A pornografia pode ser] um prazer para muita gente e, às vezes, o único que lhes é concedido, pois as pessoas idosas, solitárias, não atractivas, não encontram nunca o chinelo velho para o seu pé doente. Uma prostituição oficializada é obra de caridade para com os feios e os tímidos. [Porque hão-de ser] só os ricos e os de maiores posses a terem acesso à pornografia, e não os pobres? As classes mais desprotegidas deviam ter a sua pornografia mais barata, subsidiada pelo Governo, se o Governo fosse ao mesmo tempo inteligente e progressista nestas matérias. Somos um país imoral, um país depravado às ocultas. Foi isso, no entanto, que nos salvou de mergulhar nas sombras horrendas do puritanismo. Puritanismo que não é parte da nossa herança cultural. Mil vezes a pornografia do que a castração, a prostituição do que a hipocrisia. Se alguma coisa há que deve ser sagrada, é o prazer sexual entre pessoas mutuamente concordantes em dá-lo e recebê-lo, ou negociá-lo. [Os adolescentes e as crianças sempre souberam] muito mais do que os adultos fingem que eles sabem. Raros terão sido os jovens seduzidos na sua inocência. Na maior parte dos casos, o contrário é que é verdade. Se alguma coisa há que deva ser sagrada, é o prazer sexual entre pessoas concordantes em usufruí-lo e partilhá-lo.» Jorge de Sena

domingo, agosto 11, 2013

«Success is feminine and like a woman; if you cringe before her, she will override you. So the way to treat her is to show her the back of your hand. Then maybe she will do the crawling.» William Faulkner
Ainda que tenha lido muito mais livros do que apreciado quadros, reconheço quase sempre o autor de um quadro e o mesmo não me sucede se ler procurando adivinhar o autor.
- Uma coisa que sempre me inquietou é saber que parte de mim sou eu, aquela parte intacta, incontaminada pela vida, pelos outros, pela sociedade, pela família, pela escola, pelo trabalho. Será que existe essa parte intrínseca? E, por outro lado, essa parte intrínseca se é a que veio comigo, então é aquela sobre a qual tive menor escolha. Porque somos isto e não aquilo? Porque escolhemos o que escolhemos?

sábado, agosto 10, 2013

Tens de ver isto. Tens de ler isto. Tens de ouvir isto. Pensar que em 1500 a bibliografia da história da humanidade eram 35 000 títulos. Pensar que isso hoje nasce por dia. De trinta em trinta segundos, um livro. Soma todos os livros, todas as publicações periódicas, todos os filmes e séries «obrigatórios», todos os vídeos que tens de ver, todos os blogues, todas as notícias relevantes, todas as músicas. A hiperinformação enlouquece.
Ao longo da conversa, registei algumas frases. - Não gosto de pornografia. Acho que as pessoas com alguma sensibilidade, regra geral, não gostam. - Quando vejo um homem muito musculado, penso: «Tanto tempo gasto para ter o corpo assim. Aquilo é uma prioridade para ele. O que poderia ele ter feito com todo aquele tempo... É uma pessoa que não me interessa.» - O sexo pelo sexo provoca uma sensação pós-coital de tristeza e de um infinito vazio. Pelo menos, para quem não se viciou nisso, para quem pensa sobre as coisas e para quem já experimentou a diferença de sexo com sentimento fundo. (Ela disse e eu... confesso... acreditei/senti que ela estava a ser autêntica.)
Dizem que o óptimo é inimigo do bom. Esqueceram-se de acrescentar que o péssimo é inimigo do mau. E, por vezes, tens mesmo de escolher entre eles.

Aquele que Harold Bloom disse nunca ter expelido uma frase errada

A coisa mais banal é maravilhosa se alguém a esconde.

sexta-feira, agosto 09, 2013

A academia moldou-lhe o que pensa. Pior: moldou-lhe como pensa. Rasurou o arredondado da sua escrita - secando-a, normalizando-a, burrocratizando-a. Especializou-a - eufemismo para a exclusão progressiva do conhecimento. As coisas não lhe interessavam - importavam em função da sua carreira. Da sua vaidade. Os assuntos deixaram de se dividir entre estimulantes e não estimulantes - apenas úteis ou inúteis. (E com o que não se vibra, não se aprende, escreveu Bukowski.)

quinta-feira, agosto 08, 2013

Dizem que uma mente desocupada é uma oficina do Demónio. E é bem verdade. É lá - e só lá - que se filosofa. O excesso de coisas práticas afasta-te de saberes de onde és e quem és e porque és o que és. Pagar a electricidade, a água, o gás, a multa do carro, ir ao supermercado, ao dentista, arrumar a casa, juntar as facturas. Mas se não fosse isso, terias muito mais problemas mentais - terias de enfrentar o espelho.
Nunca deixo de me espantar com quem tem uma miríade de planos para as férias. Não basta a vida planeada o ano todo? Férias = sossego, despreocupação, liberdade, mente e corpo em pousio.

quarta-feira, agosto 07, 2013

Agosto

Não o mais cruel dos meses, mas o mais estúpido dos meses. Os raríssimos programas de televisão que valem alguma coisa suspendem-se. Os cronistas vão de férias. Tudo é leve, fútil, estupidificante. A inteligência suspende-se. A inteligência vai de férias. E as medidas mais tenebrosas passam ante a complacência dos dormentes.
Muitas vezes, ele não sabe porque ela gosta dele - a raiz da faísca. Muitas vezes, ele não quer saber. Passados onze anos, ela disse-lhe que o seu cheiro e as suas mãos - ele ficou para lá de perplexo.

terça-feira, agosto 06, 2013

Não temos todos o mesmo nível de consciência. (Seja de empatia com as emoções do Outro, seja de compaixão, seja de autoconhecimento, seja de dimensão metafísica, de densidade psicológica, de sensibilidade às promessas da vida, à poesia.) Não temos todos o mesmo nível de consciência. De forma alguma.

Saber esperar alguém, Maria Gabriela Llansol

Não há mais sublime sedução do que saber esperar alguém./ Compor o corpo, os objectos em sua função, sejam eles/ A boca, os olhos, ou os lábios. Treinar-se a respirar/ Florescentemente. Sorrir pelo ângulo da malícia./ Aspergir de solução libidinal os corredores e a porta./ Velar as janelas com um suspiro próprio. Conceder/ Às cortinas o dom de sombrear. Pegar então num/ Objecto contundente e amaciá-lo com a cor. Rasgar/ Num livro uma página estrategicamente aberta./ Entregar-se a espaços vacilantes. Ficar na dureza/ Firme. Conter. Arrancar ao meu sexo de ler a palavra/ Que te quer. Soprá-la para dentro de ti -------------------/ ----------------------------- até que a dor alegre recomece.
http://tu.tv/videos/soliloquio-molly-bloom

segunda-feira, agosto 05, 2013

E o Unabomber é louco? 4

Próximo iPhone poderá ser capaz de reconhecer impressões digitais O próximo aparelho da Apple, o iOS7, poderá ser dotado de uma função de reconhecimento de impressões digitais. A notícia é antecipada por fontes especializadas depois da recepção por programadores, esta semana, de uma primeira versão do smartphone - ainda em desenvolvimento - contendo diversos ficheiros relativos a um sistema de reconhecimento por biometria. A assumpção de que a fabricante norte-americana estará a desenvolver a funcionalidade é reforçada pela aquisição, realizada em agosto de 2012, da empresa AnthenTec, especialista no domínio em causa, por 356 milhões de dólares.

E o Unabomber é louco? 3

ANUNCIADO COM DELEITE NA RTP1 - JÁ PODE ACOMPANHAR AS PULSAÇÕES DOS ATLETAS EM DIRECTO! O MUNDO NÃO ESTÁ LOUCO? Aplicação portuguesa aproxima ciclismo, ciclistas e aficionados A Bike Spy surge como uma aplicação de análise em tempo real aos ciclistas, que permite controlar com mais pormenor a velocidade e esforço feito pelos atletas na modalidade. A poucas semanas do Tour e da Vuelta, duas das principais provas do circuito mundial de ciclismo, e também a poucas semanas do início da Volta a Portugal, a aplicação que se segue destina-se tanto a profissionais, amadores e adeptos da modalidade. A Bike Spy é desenvolvida por portugueses e quer tornar o desporto sobre rodas mais informado. A aplicação é da responsabilidade da Dailywork, uma empresa da área das tecnologias da informação. A Bike Spy aparece como uma segunda aventura na área do ciclismo, já que a empresa tem uma outra aplicação, a On Bike Computer, que foi desenvolvida em parceria com a Federação de Ciclismo Portuguesa como sistema de apoio a atletas de alto rendimento. A Bike Spy quer criar uma maior ligação entre público e atletas das diferentes modalidades do ciclismo, seja ele de estrada, BTT ou indoor. No ecrã do telemóvel ou tablet os utilizadores vão poder controlar os valores das pulsações e velocidade com que os ciclistas passam, ajudando a diminuir o conceito de fugacidade. Mas qual é que é o interesse de saber quais os batimentos cardíacos de um atleta? Ricardo Prata, da Dailywork, recorreu a uma analogia para explicar ao TeK o interesse destes dados: "por exemplo, no futebol há diversas estatísticas e até é apresentada a distância percorrida pelos futebolistas, permitindo assim observar o esforço de cada um". "No ciclismo há interesse em saber a velocidade real e os batimentos cardíacos equivalentes ao esforço", acrescentou.

E o Unabomber é louco? 2

Denunciada mega-fraude que rouba milhares de euros através de SMS O esquema faz uso de uma rede colaborativa de distribuidores de malware que recebem dinheiro por cada utilizador enganado. A Rússia é um dos mercados onde estas fraudes têm mais impacto, mas pode acontecer o mesmo noutros países. A empresa de segurança Lookout Mobile Security denunciou um esquema que está a ser usado por empresas russas para roubar dinheiro através da cobrança de SMS por serviços de valor acrescentado, sem que os utilizadores saibam. Estas redes operam de forma aberta e não exigem grandes conhecimentos técnicos. A revelação foi feita na conferência DEF CON 21 e desmascarou a estratégia usada por dez empresas russas - conhecidas como Malware HQ. Estas empresas criam código malicioso que é integrado em páginas que prometem o download de aplicações famosas - como o Angry Birds e Skype -, mas que acabam por instalar no telemóvel um vírus que envia mensagens de valor acrescentado de forma secreta. O valor das mensagens varia entre os 3 e 18 dólares - cerca de 2,20 a 13,50 euros - e o dinheiro angariado serve para alimentar uma rede de distribuidores desse malware. Através de páginas de recrutamento, vários utilizadores podem candidatar-se como distribuidores dos Malware HQ e disseminam os vírus através de perfis falsos no Twitter e de anúncios para plataformas móveis. Os utilizadores são então redirecionados para o download das aplicações falsas que contém código malicioso. Um dos investigadores da Lookout refere que um dos pontos mais críticos desta mega-fraude é que ela acontece de forma "aberta" na Internet, sem qualquer tentativa de mascarar o negócio ou de o tornar secreto. Existe inclusive uma tabela que mostra quais os parceiros da rede que geraram mais dinheiro, provocando assim uma onda de competitividade e de mais malware na Internet. Evitar sites e publicidades cuja origem não seja de confiança e fazer download de aplicações apenas através das lojas oficiais dos ecossistemas é uma das formas de evitar cair nestes esquemas. Os investigadores referem que apesar de o esquema ter sido detetado na Rússia, pode ter replicações em vários países do mundo e em escalas diferentes. A operação da Lookout ficou conhecida como Dragon Lady.

E o Unabomber é louco? 1

Carne produzida a partir de células tronco de boi será consumida por dois voluntários Reuters Em laboratório no oeste de Londres vai fazer história culinária e científica na segunda-feira, quando os cientistas cozinharem e servirem o primeiro hambúrguer de carne cultivada em laboratório do mundo. Leia mais: Um hambúrguer de R$ 650 mil Reuters Mark Post em seu laboratório onde produz carne artificial: processo caro é benéfico ao ambiente O hambúrguer in-vitro, cultivado a partir de células-tronco de gado --o primeiro exemplo do que o seu criador diz que poderia ser uma resposta à escassez global de alimentos e ajudar a combater a mudança climática--, será frito em uma panela e provado por dois voluntários. O hambúrguer é o resultado de anos de pesquisa do cientista holandês Mark Post, um biólogo vascular da Universidade de Maastricht, que está trabalhando para mostrar como a carne cultivada pode um dia ser uma verdadeira alternativa à carne de gado. A carne do hambúrguer foi feita por entrelaçamento de fios de cerca de 20 mil proteínas que têm sido cultivadas a partir de células-tronco de gado no laboratório de Post. O tecido é produzido colocando as células em um anel, como uma rosca, em torno de um cubo de gel de nutrientes, explicou Post. Leia também: Investidor aposta em carne artificial produzida por impressão 3D Biólogo acredita que falta pouco para criação de bife artificial Especialistas indicam o que fará parte do cardápio nos próximos 20 anos Para preparar o hambúrguer, os cientistas misturaram a carne cultivada com outros ingredientes normalmente utilizados em hambúrgueres, tais como sal, ovos em pó e farinha de rosca. Suco de beterraba vermelha e açafrão foram adicionados para trazer as suas cores naturais. "Nosso hambúrguer é feito a partir de células musculares retiradas de uma vaca" disse Post em um comunicado na sexta-feira. "Para termos sucesso tem que aparentar e ter gosto da coisa verdadeira." (Por Kate Kelland)

sábado, agosto 03, 2013

- O ponto maior do amor é almejares beijar o corpo dela de alto a baixo demoradamente.
Bukowski afirmou que os dedos do pé de um escritor sorriem quando ele dorme. Gosto de pensar que é essa a diferença essencial.

sexta-feira, agosto 02, 2013

«Imagine a society that subjects people to conditions that make them terribly unhappy, then gives them the drugs to take away their unhappiness. Science fiction? It is already happening to some extent in our own society. It is well known that the rate of clinical depression had been greatly increasing in recent decades. We believe that this is due to disruption of the power process, as explained in paragraphs 59-76. But even if we are wrong, the increasing rate of depression is certainly the result of SOME conditions that exist in today's society. Instead of removing the conditions that make people depressed, modern society gives them antidepressant drugs. In effect, antidepressants are a means of modifying an individual's internal state in such a way as to enable him to tolerate social conditions that he would otherwise find intolerable. (Yes, we know that depression is often of purely genetic origin. We are referring here to those cases in which environment plays the predominant role.)» Pois, já acontece, claro. Tirem os antidepressivos, os antipsicóticos, os ansiolíticos, as redes sociais, as novelas, os casinos, o álcool, etc., etc. e verão quantos pessoas suportam a existência na sociedade moderna.

quinta-feira, agosto 01, 2013

Kafka, o prazer de um chocolate preto

«Muitos se queixam de que as palavras dos sábios frequentemente são apenas parábolas, mas sem utilidade para a nossa vida do dia a dia, que é, afinal, a única que temos. Quando o sábio diz: "Passa para o outro lado", não quer dizer que devemos ir para a outra margem, coisa que sempre poderíamos fazer, se o resultado do caminho valesse a pena. Refere-se, sim, a um lendário outro lado, a qualquer coisa que não conhecemos, que nem ele próprio consegue definir de forma mais exacta, e que por isso não nos serve de nada neste mundo. Todas essas parábolas querem dizer, no fundo, que o inexplicável é inexplicável, e isso já nós sabíamos. Mas aquilo que nos dá que fazer todos os dias são outras coisas. Ao que alguém disse: "Porquê toda essa resistência? Se vos deixásseis guiar pelas parábolas, transformar-vos-íeis vós próprios em parábolas e ficaríeis livres das canseiras diárias." E um outro respondeu: "Aposto que também isso é uma parábola." O primeiro: "Ganhaste." O segundo: "Sim, mas infelizmente só na parábola." O primeiro: "Não, na realidade. Na parábola perdeste."»

O Papa, Baptista-Bastos

A visita do Papa Francisco ao Brasil, passada a euforia inicial, poderá, acaso, suscitar alguma reflexão sobre as consequências do acto. Aquele país, o maior, católico, da América Latina, perdeu, nas últimas décadas, mais de 40 por cento dos seus fiéis, em favor de outras confissões e crenças. A perseguição de João Paulo II e de Ratzinger à Teologia da Libertação, que propunha uma Igreja do homem e não, exclusivamente, do divino, do dogma e da obediência, pode ser uma das causas desse cisma. O ser humano tem necessidade de transcendência, e o mundo actual, com o desenvolvimento do capitalismo até capítulos violentíssimos, afastou-o do sagrado e dos laços sociais que o justificam. O Vaticano poucas vezes se refere, criticamente, a este estádio do "sistema", que arrasta consigo um cortejo horroroso de miséria, opressão e terror. E a Igreja portuguesa tem-lhe seguido os passos do silêncio. O Concílio Vaticano II abriu uma luz no hermetismo canónico e o papa João XXIII reergueu os valores de uma Igreja soterrada com a sua própria essência. É uma época fascinante a vários títulos, sobretudo pela discussão aberta que propõe e estimula. A festa durou pouco. João Paulo II e Bento VI "normalizaram" o que poderia ser considerado apostasia. São dois reaccionários, um dos quais perigosíssimo, por extremamente culto (Ratzinger), que pretendem, e conseguem, comprimir o tempo, de um modo quase patogénico, promovendo a capacidade de cegueira do grupo, que se define como a rejeição do conhecimento e a repulsa pela dissidência. Seja: a servidão em elevado grau. Este Papa, o seu discurso e a sua conduta parecem desejar outro modo de ser Igreja, recuperando a expressão "revolucionário" para o trânsito das ideias comuns, como necessidade e como urgência. E di-lo e fá--lo com a simplicidade de quem ainda acredita na força de um humanismo redentor. Devo dizer aos meus Dilectos que este Francisco redespertou-me ressonâncias antigas, como as da reflexão colectiva e da releitura daqueles, como Bertrand Russell (Por Que não Sou Cristão), cujo ateísmo ou agnosticismo não dificultou a pesquisa do sagrado para o reencontro com a própria condição. Claro que há uma diferenciação de percursos, o que não pode, de maneira alguma, impedir-me de seguir o de este homem que tanto entusiasmo e efusão está a despertar. Há dias, na SIC Notícias, ouvi o franciscano frei Fernando Ventura discretear sobre a natureza essencial do que nos une, sobretudo nas dissemelhanças. É esse lado humano, imperfeito e deformado, essa acumulação de opostos, que garante a alma dos valores, e nos permite questionar sobre o Bem e o Mal, e revelar a qualidade muito pouco cristã de certos políticos portugueses, interrogando-nos sobre se o verdadeiro horizonte estará, mesmo, nessa revolução de que o Papa Francisco falou, nas praias de Copacabana?
Keep quite Secrets Share with another girl Talking all night in a room All night Everything slowing down I wish I was yours ... Strangers Nobody knows we love I catch your eyes in the dark One look relives the memories Remember me The way I used to be
- Se não podes (con)vencê(e)-los, confunde-os.
- Eu não sou desprendida; sou tão presa, que por vezes tenho de saltar. Não sou fria nem distante; tenho a sensibilidade de um vaso delicado que se fecha com medo de quebrar.

Oscar Wilde, o prazer de comer doces compulsivamente

«Só há duas tragédias na vida: uma é não se conseguir o que se quer, a outra é consegui-lo.»
- Tu és um workhaolic, eu um nighthaolic. Ambos somos viciados ebriamente e penso que nos deveríamos agarrar a essa parte e procurar estimarmo-nos. Até porque só por breves horas estamos acordados ao mesmo tempo.
- Nós nunca podemos dar certo; o teu Paraíso é o meu Inferno e o contrário.