sábado, julho 27, 2013

Ela 1 tem o cabelo azul, rodeia-se de homens de cabelo comprido, sujos, calças rasgadas e cães. Subitamente, namora um executivo que conheceu por amigos dos dos pais. Ela 2 namora um amigo meu, artista. Tem uma grande paixão por ele. (Sim, isso sente-se) Os projectos dele em tempo de crise fazem-no ter uma vida financeira periclitante. Ela começa a namorar um auditor, casa e engravida. «Ele não me dava segurança, sempre com altos e baixos na vida, não podia prospectivar uma vida estável.» Ela 3 jurava que a liberdade e a independência eram os seus valores motrizes e que nunca por nunca carreira, casamento e filhos. Viajou, esteve com os índios, e nos últimos dois meses soube-a casada com um gestor «de sucesso». E grávida. Ela 4 ia sempre a bares góticos e punks. Sempre a encontrava quando ia a determinados sítios. Para meu espanto, ao fim de muitos anos sem a ver, vi-a com um advogado sócio de uma grande sociedade. Provoquei-a e recebi: «Ia ficar com um looser, queres ver?» Ela 5 é minha amiga há dezasseis anos. Conheço-a. Sei que é pouco dada à imagem, ao material, ao estatuto, aos que outros pensam, aos ditames sociais. Nesta semana, disse-me: «Há um lado meu que nem imaginas. Eu sou prática, muito prática nos relacionamentos, as mulheres são práticas e cerebrais, mais do que tu possas imaginar, e eu também sou; eu estou com 36 anos e o pai dos meus filhos tem de ter um emprego que me garanta uma casa razoável, o sustento necessário para partilharmos as despesas, tem de ser equilibrado, não pode ser mulherengo, e tem de saber muito bem o que quer da vida e ser uma pessoa que saiba cuidar da casa e, por mais que te choque, preferencialmente deve ter carro.» Só me consigo lembrar do conto The sensible thing de F. Scott Fitzgerald.

3 comentários:

Anónimo disse...

"Jonquil Cary was her name, and to George O'Kelly nothing had ever looked so fresh and pale as her face when she saw him and fled to him eagerly along the station platform. Her arms were raised to him, her mouth was half parted for his kiss, when she held him off suddenly and lightly and, with a touch of embarrassment, looked around. Two boys, somewhat younger than George, were standing in the background."

Anónimo disse...

A um nível subconsciente as mulheres usam os homens para a procriação, é para isso que eles servem, em última análise.

Sr Joao disse...

Obrigado pela citação.