sábado, junho 08, 2013
Borges
Nem a intimidade da tua fronte clara como uma festa,/
nem o hábito do teu corpo, ainda de menina e misterioso e tácito,/
nem a sucessão da tua vida assumindo palavras ou silêncios/
serão favor tão misterioso/
como olhar o teu sono envolvido/
na vigília dos meus braços:/
Virgem milagrosamente outra vez, pela virtude absolutória do sono,/
serena e resplandecente como a alegria que a memória escolhe,/
dar-me-ás essa margem da tua vida que tu própria não tens./
Entregue à serenidade,/
divisirei essa praia última do teu ser/
e ver-te-ei acaso pela primeira vez/
como Deus te verá,/
já dissipada a ficção do Tempo,/
sem o amor, sem mim.
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)
Sem comentários:
Publicar um comentário