segunda-feira, abril 08, 2013
Teorias que ouvi sobre as idades.
1. - Tenho oitenta e dois. Farei a última capicua daqui a seis anos na melhor das hipóteses. O mais doloroso foram os quarenta. É esse o meridiano que separa a vida tranquila da vida das coisas chatas. Os quarenta são terríveis, porque de ora em diante são sempre «entas» - entra-se na era dos enta sem se sair.
2. - Falar de uma idade que não se teve é como falar do sexo que não se tem. Só quando cheguei aos cinquenta é que percebi certos aspectos da vida. É impossível percebê-los antes dos cinquenta. A minha vista ficou mais turva e eu não me importei perante a claridade do entendimento que ganhei. É impossível de explicar. É como aquela frase do Leonard Cohen que diz ergueu a taça que não pode ser erguida aos olhos da juventude - a taça da verdade.
3. - O processo de envelhecimento é um processo de embotamento da intensidade - as respostas emocionais são mais brandas, nem tão negativas, nem tão positivas. Os melhores anos são os quarentas. É nessa altura que começa o abrandamento. Ganha-se uma serenidade. Ralamo-nos menos com as coisas, porque passamos a entender o que é verdadeiramente importante e ainda conservando uma forte capacidade de sentir alegremente as coisas boas.
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2 comentários:
Será? A tentação, não tendo um emocionómetro, é dizer que não.
"o que é veradeiramente importante..."
acho ter encontrado esse estadio antes dos quarenta sem, no entanto, ter pensado na idade que tenho.
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