terça-feira, março 19, 2013

Mais uma conversa em que em certa altura, o meu amigo, um solilóquio: - Angel, somos todos bissexuais. Quem advoga que os homossexuais devem ter os mesmos direitos, blá blá blá, fica todo muito contente porque é uma pessoa liberta de preconceitos. Mas se ele ou ela nunca desenvolveu uma atracção por uma pessoa do sexo oposto tem um preconceito internalizado. A teoria é fácil. É como representaram os Monty Python. Os protestantes que podem ter relações sem preservativo, sem intencionalidade de fecundidade e depois na prática não o têm! É fácil dizer-se que se é um revolucionário na teoria quando se é um conservador na vida. As pessoas que defendem o poliamor e não o aplicam, as pessoas que defendem que se deve roubar para o comer mas não o fazem se não tiverem que comer; no fundo, acho mal que se roube para comer. Se não internalizas, é tudo treta, tudo etéreo. Como certos bloquistas que defendem vidas alternativas, mas nunca as conseguiriam praticar - aquela liberalidade abstracta não é sentida, porque a recusam para si. Há muito isto - para mim, era uma abjecção, mas eu acho que é o correcto. No fundo, essas mentes estão aprisionadas e encontram num mecanismo de evasão na abstracção de que se rebeliam no plano das ideias e das lutas e manifestações, de que não caem na zona confortável da segurança reprodutora do sistema. Como um professor catedrático que conheço, ultra-revolucionário, sempre a propugnar pelos pobres, trabalhadores - nunca conheceu um pobre ou operário sequer. São abstracções conceptuais - não conhece a realidade concreta, a individual. Ainda no outro dia, falei com uma pessoa que está a elaborar um estudo sobre a necessidade da melhoria das prisões e nunca lá esteve! Quanta esquerda nunca entrou numa barraca. O pai de uma amiga minha é um investigador na área da exclusão social, todo esquerdista e cheio de flamas no verbo, mas quando a filha quer levar um maltrapilho a casa, ele não deixa, discrimina classistamente, teve a lata de lhe dizer: «Estou cansado de te ver com a fina-flor do entulho.» I only wanted absolute quiet to think out why I had developed a sad attitude towards sadness, a melancholy attitude toward melancholy, and a tragic attitude toward tragedy - why I had become identified with the objects of my horror or compassion. Does this seem a fine distraction? It isn’t: identification such as this spells the death of accomplishment. It is something like this that keeps sane people from working. Lenin did not willingly endure the sufferings of his proletariat, nor Washington of his troops, nor Dickens of his London poor. And when Tolstoy tried some such merging of himself with the objects of his attention, it was a fake and a failure. F. Scott Fitzgerald

3 comentários:

Anónimo disse...

Corajosamente exposto, é como um poema para mim.

Cristina

euexisto disse...

amigo, ponha uma verificação de comentários se não quer o blog cheio de publicidade manhosa.

gostei do post

Sr Joao disse...

é verdade. sempre tentei tornar o blogue livre. grato