quarta-feira, março 20, 2013
Era muito novo e ao passar na rua com os meus pais parei subitamente impressionado.
Um homem-estátua.
Totalmente imóvel.
Fiquei mumificado a olhar para ele.
Aquilo não me saiu da cabeça e tive de convencer os meus pais a voltar lá.
Ele ficava horas e horas sem mexer nada - apenas pestanejava.
Como seria a sua vida interior enquanto ele estava ali de pé?
Era um sofrimento atroz - pior, do que isso, auto-induzido. Não conseguia perceber. (Ainda que lhe depositasse moedas no cesto.)
Para quê?
Nunca compreendi quem dedica um esforço sobre-humano a algo do qual não resultam benefícios para o Outro.
Sempre desprezei alpinistas que procuram records , competições que massacram o corpo para se obter uma medalha. Penso desde muito novo que tal capacidade de auto-superação é uma necessidade de mostrarem algo a si próprio. (Como na religião nunca percebi aqueles que só procuravam a salvação individual colocando-se em casas alçadas de longos metros verticais, distantes dos seus semelhantes e próximos de Deus, um paradoxo para mim.) E sempre admirei, esses sim, aqueles que partem para países mergulhaoos em sofrimento e alimentam quem tem fome, curam doentes, tratam pacientemente feridos.
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2 comentários:
Bem, o homem que faz de estátua é para sobreviver. Quanto aos outros, estou completamente de acordo.
Concordo.
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