sexta-feira, janeiro 25, 2013

Não gosto de pessoas rápidas. Pessoas que passam pela experiências sem o paladar se lhes demorar - sem lhes guardar o sabor. Não gosto de pessoas rápidas. Pessoas que não se sentam a contemplar o ocaso do Sol. Pessoas que não se demoram a ver o mar. Pessoas que não são capazes de estar em casa a ouvir o rugir do vento, o som da chuva, sorrindo no sofá, deitando-se na cama. Pessoas que não sorriem e não falam às flores. Não gosto de pessoas rápidas. Pessoas que estão sempre a fazer qualquer coisa da vida prática e que sentem as coisas importantes da vida como perda de tempo. Não gosto de pessoas rápidas. Dificilmente, cultivarão o afecto. Não gosto de pessoas rápidas. Pessoas que tentam despachar a comunicação pelas novas tecnologias e que vêem as conversas e as pessoas como assuntos a despachar na agenda tendo em vista um determinado fim de interesse pessoal. Não gosto de pessoas rápidas. Pessoas que no fim-de-semana utilizam o despertador. Não gosto de pessoas rápidas. Pessoas que se dispersam em múltiplos estímulos, em nada mergulhando até às profundezas. Não gosto de pessoas rápidas. Pessoas que não conseguem ter momentos em que a alma se recolhe. Não gosto de pessoas rápidas. Pessoas que não têm consciência da morte. Não gosto de pessoas rápidas. Pessoas que não meditam seriamente. Pessoas sem metafísica. Sem poesia. (Dons que só se cultivam com tempo.) Não gosto de pessoas rápidas. Que não têm conversas longas, demoradas, profundas, íntimas - aquelas que fazem a vida valer a pena. Não gosto de pessoas rápidas. Que não escutam o Outro, que não desenvolvem e aprimoram a sensibilidade para com os problemas do Outro. Pessoas que não sabem o que é o ofício da paciência. Não gosto de pessoas rápidas. Que não conseguem estar sozinhas no centro do quarto consigo mesmas. Que não sonham.

3 comentários:

curtos instantes disse...

Gosto de pessoas tranquilas, que vivem a vida, que aproveitam cada momento, caa instante. Gosto de pessoas dinâmicas, que colocam ritmo, que vivem apaixonadamente.Gosto, acima de tudo, de pessoas equilibradas...

Anónimo disse...

Eu gosto de pessoas-protão.
Que sorriem aos desconhecidos com que se cruzam todos os dias na sua rotina. Que comem gelados no Inverno e ficam com a cara (e a alma) adoçada. Que ajudam alguém pela generosidade da contribuição. Que dão gargalhadas com todos os átomos (homenageando o Sr. João) do seu corpo. Que cantam a viva voz a música predilecta enquanto conduzem, mesmo correndo o risco de serem chamadas de loucas pelos condutores do lado. Que choram e pedem um abraço. Que abraçam sem hesitações e com força. Que me fazem rir do nada e quando eu mais preciso. Que amam e que são amadas. Que disfrutam do sol como sendo uma dádiva maravilhosa. Que partilham o silêncio. Que me dão a mão, sem que eu a peça. Que se importam. Que se revoltam. Que se incomodam. Que querem mudar o mundo. Que choram no cinema ou a ler um livro. Que decoram um poema e o dedicam. Que falam com os animais e com as plantas. Que passeiam à beira-rio. Que andam à chuva.
Eu gosto de pessoas vivas e que me fazem sentir viva.
Pessoas-protão (o Google diz-me que a palavra não existe e eu fico feliz).

Sr Joao disse...

Uau.