domingo, janeiro 13, 2013

Do terror das multidões

Uma vez, numa discoteca em que estava, foi lançado um gás. Íamos todos sair pelas portas de emergência e se todos tivéssemos obedecido e saído a operação teria decorrido em dois minutos. Mas o comportamento de cada uma daquelas pessoas ali ficou caótico e estúpido agindo em multidão. Nas praias, um economista verificou a correlação entre uma praia suja e a propensão para o indivíduo deitar o lixo no lixo. Quanta mais suja já está a praia, maior a propensão para aquele que chega de deitar o lixo no chão. Também num bar, quanto mais indivíduos «fazem merda», mais a probabilidade de cada um de fazer merda. Há comentários e comentários na Internet, petições, espirais de insultos que seguem o princípio da psicologia das multidões. Como se o pior de cada um viesse à tona numa multidão. Nas manifestações, nos comícios, no trânsito nas buzinas compulsivas em filas, nas festas em que a multidão compele cada indivíduo a beber o copo: BEBE, BEBE, BEBE... em todos esses sítios, sempre vi os outros agir como autómatos, boçais por vezes, acéfalos muitas. Lobo Antunes diz que saiu do PCP porque o assustavam aquelas bocarras abertas a gritar e mãos todas sincronizadas. Mesmo entre amigos, entre pessoas com quem quando estou a dois são fraternas, lúcidas, sensíveis; mesmo entre os dilectos, quando estão em número grande, o machismo, a obviedade das piadas, a vulgaridade emanam de uma forma que me espanta.

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