segunda-feira, dezembro 31, 2012


O dedo levantado
Herman Hesse
O Mestre Dyu-Dschi era – conforme nos contam –
de maneiras caladas, suave e modesto,
que renunciou às palavras e aos ensinamentos,
porque  a palavra é aparência, e evitar qualquer aparência
era sua preocupação.
Quando os alunos, os monges e os noviços,
apreciavam brilhar em conversas elevadas
com ditos espirituais sobre o supremo anseio,
sobre o porquê do mundo,
ele os observava em silêncio, evitando qualquer exagero.
E quando lhe perguntavam, vaidosos ou sérios,
sobre o significado das escrituras antigas,
sobre o nome de Buda, a iluminação,
o princípio e o fim do mundo, permanecia
em silencio e, lentamente, apontava apenas
com o dedo levantado para o alto.
E com este sinal mudo, convincente,
foi-se tornando cada vez mais terno:
advertiu, ensinou, elogiou, castigou, indicou
de maneira tão própria o coração do mundo
e da verdade que, com os anos,
mais de um discípulo compreendeu o delicado
levantar de seu dedo,
despertou e estremeceu.

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