terça-feira, dezembro 18, 2012

Ele e ela não partilhavam o quotidiano, mas quando comunicavam percebiam que o quotidiano era uma ficção. Quando se encontravam, as brumas do tempo e do espaço dissolviam-se. Devolvidos ao extremo mais profundo das águas mais profundas, no rosto do outro viam transparentemente o seu. Qualquer coisa vibrante, melodiosa, uma centelha divina, lava ardente das profundezas da Terra - a Verdade do seu ser que só nascia na presença do outro. Saíam arrepiados destes encontros - voltando lentamente à realidade irreal, lentamente, como quem entra em águas geladas, vagarosamente, suavemente, desfocadamente, fingindo uma irmandade com o mundo - com o segredo perenemente incrustado nos seus corações.

4 comentários:

Anónimo disse...

Belo, simplesmente belo.

Anónimo disse...

Que enxurrada de palavras caras, irra!

Anónimo disse...

Assim se explica quando uma pessoa se perde vertiginosamente no olhar do outro.

Anónimo disse...

E um sentimento unico, no tempo e no espaco. Uno.