domingo, dezembro 16, 2012

Do mundo editorial hodierno

A figura do editor amante de livros morre todos os dias. Hoje, há negociantes. Pessoas que não percebem nada de livros e que se dedicam ao negócio com o mesmo zelo e gula que se dedicariam a sabonetes ou esferográficas.

As editoras, salvo raríssimas excepções, não lêem originais - se for um desconhecido ou poesia vai direito para o lixo. Uma jornalista da Sábado enviou um livro de Vergílio Ferreira com outro nome de autor, outro título e não obteve uma resposta favorável. Peixoto, já consagrado, ainda recebia cartas de editores a recusar o seu livro (entretanto já publicado e largamente vendido).

Os editores e coordenadores editoriais não são premiados pela qualidade dos livros que escolhem - são unicamente avaliados pela facturação no final do ano.

E depois há uma meia dúzia de editoras que publicam tudo o que se lhe envia. Tudo. Sei de casos em que duas horas após a recepção do original, enviam a missiva enaltecendo o livro e propondo mediante a compra de exemplares a  publicação do mesmo. O que pedem garante-lhes automaticamente lucro com o livro. O problema? Um: a inexistente distribuição (já nem falo em divulgação) do livro.

O homem-forte dos livros concedeu uma entrevista a Anabela Mota Ribeiro em que vestido de piloto de Fórmula 1 asseverava não conhecer Oscar Wilde porque «literatura, poesia e filosofia não lhe interessavam para nada» e «portanto, não sabia nada».




1 comentário:

Anónimo disse...

Mas é muito bom sinal que haja mercado para tantos livros, que não haja tanto elitismo por parte das editoras, que seja um mundo mais aberto a todos. Os livros chegaram às massas. É muito melhor assim.

Cristina