segunda-feira, novembro 12, 2012

Aula de Sociologia

- Vêem esses homens lá fora - a socióloga apontava para um conjunto de trabalhadores das obras num andaime -, quantas de vós, mulheres, ficarão com eles como companheiros. Muito provavelmente, nenhuma. E eles sabem-no. E sentem-no. O preconceito mais transversal, mais intransponível, mais marcante ainda é o classista. De modo que eles olham para vós como inacessíveis e mandam piropos como o burguês sentado no sofá manda às divas do cinema... E dessa inacessibilidade, do saber que nada têm a perder vêm a facilidade no verbo, a necessidade de extravasar pela palavra os sonhos irrealizáveis. Claro que têm o direito de se sentir vexadas, mas eles são os primeiros vexados pela vossa exclusão. E lembrem-se de Adília Lopes: se um trolha me tivesse dito ó boa, comia-te toda na adolescência, hoje era uma mulher muito mais segura. Nas nossas sociedades ocidentais, não está no papel a discriminação sexual, étnica, religiosa, mas aceita-se e convive-se com a discriminação económica. E cada vez mais com o desmantelamento das funções do Estado. Começa a aceitar-se brandamente que uma pessoa que não tem dinheiro não possa ir ao hospital ou ter os filhos a comer em cantinas. A exclusão económica é uma forma de barbárie.

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