segunda-feira, setembro 03, 2012

Sentas-te num café. Na mesa do lado, muitos teens. Pensas: «Será um preconceito achar que vão falar de faces e i-phones e i-pads enquanto estou aqui? Muito bem, então aposto comigo mesmo que vão falar, se não falarem, assumo o preconceito.»
Passados minutos:
- Tirei-te a foto, vou já pôr no Facebook.
A pressa, a premência. Já pôr, já comentar. O velho Bukowski. As pessoas presas a acordar, fazer algo. Por vezes, as pessoas deviam parar três dias. Porque temos todos os dias de acordar, de fazer algo. Porque dita o Sol que tenhamos de ir fazer qualquer coisa - ou dita a sociedade?
Cada vez mais pressa. Como o coelho de Alice. Cada vez mais correr, correr. Tenho de. Tenho de. Tenho de, nada. As novas tecnologias coagem-te à premência das coisinhas. Os produtos tecnológicos cada vez mais celeremente obsoletos. Eu tenho de. A nova versão. Já não é fashion. Inventam-te novas necessidades. Querem-te fazer sentir que não fazes parte sem não acompanhares isto&aquilo, se não integrares o mostruário que é a rede social Y&Z.

I went to the woods because I wished to live deliberately, to front only the essential facts of life, and see if I could not learn what it had to teach, and not, when I came to die, discover that I had not lived.

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