sexta-feira, setembro 21, 2012

O superherói (sem hífen para não soar a Marvel)

O superherói não tem problemas. O superhéroi não partilha problemas. O superherói não deixa ninguém chegar perto da sua intimidade. O superherói nunca teve um pesadelo. Nunca contou uma fraqueza. Nunca narrou uma história em que no final fosse ridículo, idiota. Não. Nas suas histórias, todos eram parvos, idiotas - menos ele. As suas histórias são muito entendiantes. Já se sabe que no final ele resolveu o que parecia impossível. O superherói nunca tem chatice na vida que não resulte da estupidez ou malvadez alheia.O superherói ajudou toda a gente. O superherói modificou toda a gente O superherói não tem um par. O superherói afasta todo aquele que não o idolatre ou o critique ou não assimile acriticamente tudo o que diz - o superherói afasta todo aquele que não sinta a relação como vertical procurando horizontalizá-la. O superherói fomenta a imitação O superherói nunca fala do que não sabe - e desvaloriza tudo o que não sabe como «trivialidades». O superherói nunca deixa de ajudar - se não pode é porque está a ajudar outro.

- Angel, estive três dias sem dormir a acabar um trabalho. Tudo porque aqueles idiotas iam demorar seis meses a fazer isto e o prazo estava a apertar.
- Tive de estar a explicar a lei ao advogado.
- Não vou a médicos. Da última vez, tive de explicar ao médico os medicamentos que me devia receitar, Angel.
- Ela era boa para ti.
 «Então e para ti?», perguntam-lhe.
- Não, para mim, não.
(Ou simplesmente faz um sorriso altivo com o seu arzinho superior.)

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