sexta-feira, setembro 21, 2012

Informação é poder

Quando lhe telefonei a comunicar uma morte de uma pessoa em comum:
- Angel, tu és impressionante. Sabes sempre as notícias em primeira mão, fresquinhas, ainda se nota o cheiro da tinta.
Nunca fala comigo sem me perguntar:
- E novidades? Que contas? Novidades de A, B, C? E de D não sabes nada? Que tens para me contar? Alguma coisa bombástica?
Está sempre a tentar sugar informação. Mesmo perante notícias que deixariam uma pessoa normal contristada, a sensação dele é já-tenho-mais-uma-informação.
Antes de sair de um sítio, dá sempre voltas e voltas a observar as pessoas. Procura sempre saber no trabalho quem almoça com quem, quem corteja quem.
Nas segundas, quer sempre saber quem saiu, com quem, para que sítio e até que horas.
Está permanentemente a observar.
Até as conversas da mesa do lado escuta.
Quando me telefona, pergunta sempre:
«Que andas/estás a fazer?»
Às vezes, brinco com ele:
«Já sabes...»
Mediante estas duas palavras, fica ansioso, incompleto, sôfrego.
«Conta, conta, conta», diz velozmente.

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