sábado, setembro 29, 2012

sexta-feira, setembro 28, 2012


Fica comigo. Daqui a nada é noite e as noites custam, a mim custam, sobretudo quando os candeeiros da rua se acendem e as árvores e os prédios fronteiros logo diferentes, quase ninguém na rua, um miúdo com um cão lá ao fundo, uma tristeza parada na tonalidade do silêncio, estes móveis e estes retratos que não me ligam nenhuma, os teus passos na escada, tu no passeio: nem vou à janela olhar, não quero olhar. Fica comigo só mais um bocadinho, dez minutos, meia hora, sei lá, o tempo inteiro. Mesmo que não fales. Mesmo que leias a revista do jornal. Mesmo que não me toques. Mesmo como se eu não existisse. Há alturas, imagina, em que penso que não existo e depois vem a aflição, o medo, o meu pulso tão rápido, a voz da minha mãe, do fundo da infância
– o que se passa contigo?
e não sei explicar, é impossível explicar porque não se passa nada de concreto, mãe, podia responder que uma coisa vaga e todavia não se trata de uma coisa vaga, trata-se de uma coisa real, verdadeira, uma sede não de água, de não sei quê, uma aflição de perda embora, que eu saiba, não tenha perdido nada, parece que está tudo como deve ser à minha volta e não está, não compreendo o que falta mas não está, tem paciência ajuda-me, fica comigo, não peço muito pois não, é difícil isto, talvez não compreendas mas é difícil isto, não preciso que finjas que te interessas, não preciso que me dês atenção, apenas, como dizia o outro, um estar aí que é já tanto [...]

António Lobo Antunes
Sento-me no sofá e decido-me a usufruir dos inúmeros canais (há quantos meses não faço isto?). Decido-me com fervor a estudar o objecto. Só merda nos canais abertos (excepto um grande programa na dois), a SIC Notícias a repetir, a repetir, novelas, futilidades, programas para a lágrima calculada, apresentadoras de cara laroca e cérebro vazio (como vai o jornalismo, meu Deus), crimes, crimes, crimes (não fosse a língua e julgaria estar na América Latina), crimes contra crianças, séries de crimes, sangue, cadáveres - tudo em favor de penas mais duras, pena de morte, prisão perpétua, castração química, a morte, enfim, de todos os incorrigíveis malfeitores. A emoção passa sempre - de nada adianta provar e comprovar e reprovar que penas mais duras não diminuem a criminalidade e que Portugal tem dos rácios mais elevados da Europa de polícia por cidadão. Paro num canal perplexo com uma nova profissão - cientista da atracção. (Já no outro dia lera na Visão a entrevista de um futurólogo - alguém que mediante variáveis e cálculos do passado e presente adivinhava o futuro.) Mostram dois «estudos». Jovens de ambos os sexos que são postos numa sala. Emparelham-se. A conclusão. Cada pessoa tem um índice de atractibilidade (de 1 a 10) e procura outra com o mesmo nível. O de 8 com a de 8. A de 2 com a de 2. A seguir, uma fotografia de um tipo mal vestido e com a legenda desempregado. Perguntam na rua (Londres) qual o nível de atracção do jovem a donzelas transeuntes. «Tem cara de looser.» Média: 1. A seguir, vestem-no de executivo e com um salário anual de rico. Passa a 10.
Todos se encostavam a si para receber ondulações de calor e positividade - mesmo quando não tinha nem uma coisa nem outra. Era um mistério para ele como poderia alguém dar o que não tinha.


O título (decalcado de um poema) é muito bom, a sinopse também (parece que Lobo Antunes voltou a ter o esqueleto de um enredo, deixando ou desacentuando a polifonia), a própria imagem, sinistra e bela, apela à leitura. Não consigo perceber a ausência do hífen. Em dicionário algum, meia-noite perde o hífen.
Será que na confusão e voragem do acordo-papa-hífenes se pensou que também a palavra perdera o hífen?
Será que é metade da noite?

quinta-feira, setembro 27, 2012

1.
Amigo, toma para ti o que quiseres,
passeia o teu olhar pelos meus recantos,
e se assim o desejas, dou-te a alma inteira,
com suas brancas avenidas e canções.

2.
Amigo - faz com que na tarde se desvaneça
este inútil e velho desejo de vencer.

Bebe do meu cântaro se tens sede.

Amigo - faz com que na tarde se desvaneça
este desejo de que todas as roseiras
me pertençam.

Amigo,
se tens fome come do meu pão.

3.
Tudo, amigo, o fiz para ti. Tudo isto
que sem olhares verás na minha casa vazia:
tudo isto que sobe pelo muros direitos
- como o meu coração - sempre buscando altura.

Sorris-te - amigo. Que importa! Ninguém sabe
entregar nas mãos o que se esconde dentro,
mas eu dou-te a alma, ânfora de suaves néctares,
e toda eu ta dou... Menos aquela lembrança...

... Que na minha herdade vazia aquele amor perdido
é uma rosa branca que se abre em silêncio...





Pablo Neruda

Do horror económico


O Ministério da Saúde «pode e deve racionar» o acesso a tratamentos caros para pessoas com cancro, Sida e doenças reumáticas, indica um parecer do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida.

«É uma luta contra o desperdício e a ineficiência, que enorme na Saúde», esclareceu, em entrevista à rádio Antena 1, o presidente do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida, Miguel Oliveira da Silva.
 
Ministério «pode e deve» cortar em tratamentos para cancro e Sida
 
 
Por Redação

O Ministério da Saúde «pode e deve racionar» o acesso a tratamentos caros para pessoas com cancro, Sida e doenças reumáticas, indica um parecer do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida.

«É uma luta contra o desperdício e a ineficiência, que enorme na Saúde», esclareceu, em entrevista à rádio Antena 1, o presidente do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida, Miguel Oliveira da Silva.

Este racionamento é aconselhado tanto em exames como em meios complementares de diagnóstico, tais como TACs, ecografias e ressonâncias magnéticas, de acordo com o despacho, citado pela Antena 1.

Segundo o parecer, os cortes podem depender do custo dos tratamentos e da longevidade do paciente - se o tempo de vida que é prolongado com estes tratamentos justifica os custos.

quarta-feira, setembro 26, 2012


Suecos criam horários especiais para notívagos

da BBC Brasil
A Suécia começa neste mês uma nova revolução social, com a introdução da chamada "Sociedade B" --uma sociedade que leva em conta os diferentes ritmos biológicos dos indivíduos para introduzir horários alternativos de funcionamento para escolas, locais de trabalho, universidades e organizações.
A primeira instituição sueca a implementar o esquema é uma escola secundária de Gotemburgo, que a partir de setembro vai oferecer turnos opcionais entre 20h e 8h.
"Por que precisamos trabalhar todos no mesmo horário e enfrentar os mesmos engarrafamentos?", pergunta o manifesto do movimento B-Samfundet ("Sociedade B"). "Por que temos de correr ao mesmo tempo para pegar as crianças na escola antes que elas fechem? Por que tudo tem de funcionar nos mesmos ritmos e horários se isso causa problemas gigantescos na infra-estrutura da sociedade?"
O B-Samfundet tem origem na Dinamarca, onde foi criado no ano passado. Ainda neste outono europeu, a Sociedade B será introduzida na Noruega e na Finlândia, e para outubro está previsto o lançamento no Reino Unido.
A Sociedade B se baseia em pesquisas científicas que indicam que cada indivíduo tem seu próprio ritmo biológico, uma espécie de "relógio interno" que é geneticamente determinado.
Segundo essas pesquisas, uma "pessoa B" possui um ritmo interno de 25 a 27 horas, enquanto o de uma "pessoa A" tem um ciclo de 23 horas. As "pessoas B" são mais produtivas no final do dia e têm dificuldades de despertar de manhã cedo, que é quando as "pessoas A" são mais ativas.
Segundo os criadores, esse é um movimento contra a tirania do despertador, que ao mesmo tempo se encaixa no debate sobre a criação de uma sociedade de horários mais flexíveis, com maior equilíbrio entre trabalho e lazer --e melhor qualidade de vida.
"Nosso objetivo é acabar com as rígidas disciplinas de horário da sociedade industrial, em que todos chegam ao mesmo tempo e saem na mesma hora", disse em entrevista à BBC Brasil Erika Augustinsson, vice-presidente do B-Samfundet. "Vivemos em uma nova sociedade e queremos criar um novo jeito de viver, que respeite também os diferentes ritmos internos das pessoas", acrescentou.
Escolas
Erika destaca que esses diferentes ritmos biológicos também são uma realidade nas escolas, onde um grande número de crianças e adolescentes tem dificuldades de concentração pela manhã.
Ou seja, esses alunos não têm exatamente preguiça de levantar para ir à escola --eles são apenas "pessoas B".
Na escola Vasa Lärcentrum, na cidade de Gotemburgo, o turno da tarde/noite está sendo introduzido depois de uma pesquisa realizada com os 150 alunos da instituição.
"A pesquisa mostrou que muitos estudantes consideraram a idéia bastante positiva", contou à BBC Brasil Ingela Welther, gerente de planejamento do Departamento de Educação do governo de Gotemburgo.
Segundo ela, a extensão do horário de funcionamento da Vasa Lärcentrum é uma experiência inicial que poderá ser levada às outras escolas da rede pública. "O objetivo é fornecer alternativas que ajudem os alunos a lidar melhor com seus estudos e a completar sua educação com êxito."
Ingela Welther destacou ainda que a introdução do cronograma alternativo possibilita também o melhor aproveitamento das instalações da escola, que poderá absorver mais alunos.
Em outubro, o movimento "Sociedade B" lançará o primeiro website do mundo direcionado a oferta e busca de empregos para "pessoas B".

terça-feira, setembro 25, 2012

Escrevi porque tinha um problema de ódio a resolver.

Herberto Helder

À mãe da Daniela

Quando vejo a senhora, lembro-me do melhor de mim.
Ela diz «Oh, Angel» com uma ternura que me deixa indefeso.
A senhora tem uns olhos tão puros. Tão gentis. Tão verdadeiros. Uns olhos que captam a essência escondida e esmagada na espuma dos dias - a polpa que só rutila no encontro com esse olhar.
Ela levanta ainda ao longe os braços para me abraçar no instante em que me vê.
Toda ela ternura. Toda ela bondade.
Ela despe o meu sarcasmo. Ela deixa-me nu e só amor, convocando todos os bons sentimentos que uma alma pode albergar.
Ela santifica-me.

In Other Words

The Egyptians loved the cat
were often entombed with it
instead of with the women
and never with the dog

but now
here
good people with good eyes
are very few

yet fine cats
with great style
lounge about
the alleys of
the universe

about
our argument tonight
whatever it was
about
and
no matter 
how unhappy 
it made us
feel

rememember that
there is a
cat
somewhere
adjusting to the
space of itself
with a delightful grace

in other words
magic persists
without us
no matter what
we may try to do
to spoil it

CB
Ler ficção e ler ensaio - ler omnivoramente, mas com um preconceito em favor da ficção. Por três razões. Pelo alargamento vocabular e pelo desenvolvimento de um estilo literário. Pela razão de que não há assunto mais importante do que a natureza humana. Pelo facto de que a mente na leitura é obrigado a recriar e que a recriação da ficção de pessoas, lugares, ambientes é mais exigente - força a mente a criar realidades.

 Toda a teoria é cinza; mas a árvore da vida é eternamente verde.

As Diferenças do Budismo

1. Não há Deus. Não há pelo menos enquanto uma entidade externa, recortável, Omnitudo, que nos observa e a quem possamos recorrer em preces. Existem as leis do karma que regem o Cosmos, mas não há um legislador-executor.

2. Não há missionários nem espírito de conversão. O budismo proclama que o budismo não é a resposta para todas as pessoas. Cada anseio espiritual procura uma forma diferente. O próprio Dalai-Lama diz que muitos não suportam a ideia de ausência de Deus e que precisando de um consolo, de uma ideia de Algo Que os Ampare deverão enveredar por outra religião. A proibição da conversão vai a ponto de um budista não poder falar sobre budismo a não ser que alguém lhe faça uma pergunta sobre.

3. Não há assimilação pela fé. Cada um deve testar e validar ou invalidar o que lê e ouve - mesmo do próprio Buda. Nos Sutras, de resto, Buda diz para não assimilarem as suas palavras apenas por ser ele quem as proferia - era contra a autoridade do interlocutor, em favor da autoridade do argumento. Sede como o ourives, exortava, não acrediteis que é ouro apenas porque vo-lo dizem. Testai as minhas palavras como o ourives, queimai-as, vê-de por todos os meios se são verdadeiras.

E agora um pouco de filosofia

A Teoria Budista da Vacuidade

Nada existe per se, tudo existe na dependência de outra coisa, e assim sucessivamente. Porém, quando os fenómenos aparecem ao espírito, eles surgem como realidades últimas, com uma existência intrínseca. Quando dizes um país, isso parece-te uma realidade una, compacta. Mas o que é um país? Um conjunto de outras infinitas realidades, uma abstracção conceptual de inúmeros espaços físicos e pessoas em constante mutação. Mesmo algo mais simples como um cacho de uvas é algo dependente de cada um dos seus bagos de uva, que, por sua vez, deve a sua existência a realidades infinitamente mais pequenas, até chegarmos aos átomos, e, depois dos átomos, a todo um universo subatómico. As pessoas tendem a ver o infinito através das realidades sucessivamente maiores, mas têm mais dificuldade em vê-lo nas realidades infinitamente mais pequenas. A vacuidade significa que os fenómenos têm uma existência vazia; que não existem fenómenos autónomos e intrínsecos, como ilusoriamente a mente os percepciona. Todos os fenómenos são dependentes dos seus constituintes, não tendo uma existência para lá da circunstancial reunião dos mesmos.
Outra maneira de veres a vacuidade inerente a todas as coisas é através das qualidades valorativas que atribuímos às coisas, ignorando que elas dependem unicamente do observador. Aquilo que tu vês numa determinada coisa não é o mesmo que o observador de outro país vê nessa coisa, e também não é o mesmo que o observador de outras épocas via. Além da subjectividade do lugar e da época, o próprio observador pode, em função de diferentes estados de espírito ou da repetição do seu contacto com o objecto, atribuir-lhes diferentes qualidades. O mesmo copo de água aparece-te de formas totalmente diferentes, dependendo da tua sede… Então, as qualidades não são partes integrantes das coisas, não são seus constituintes; são apenas projecções do sujeito.
Mas o maior logro de todos é o ego. A ideia que tens de ti – o teu eu – não passa de uma ilusão... Tu és apenas uma consciência que pensa e sente e que se vai transformando com cada experiência – não há nada imutável e sólido a que te possas agarrar como eu. No meio dos biliões de ideias, conceitos e sensações no oceano da consciência, nasceu essa ideia do eu como algo exógeno à mente e ao corpo – como o possuidor da mente. Mas nada possui a mente. Se sondassem na tua mente ou no teu corpo nunca encontrariam esse eu.

A Visão da Fenomenologia

Os fenómenos existem. Toma o azul. Azul-pálido, azul-marinho, azul-cobalto, azul-da-prússia, azul do céu e cada céu é diferente e nunca o azul de cada céu é igual ao longo do dia, azul do mar e cada mar é diferente e nunca o azul de cada mar é igual ao longo do dia. E ainda assim, apesar das infinitas cambiantes, ainda assim tu reconheces sempre o azul. Porque há invariantes no azul - e essas são os elementos constitutivos do fenómeno.







Povoamento


No teu amor por mim há uma rua que começa
Nem árvores nem casas existiam
antes que tu tivesses palavras
e todo eu fosse um coração para elas
Invento-te e o céu azula-se sobre esta
triste condição de ter de receber
dos choupos onde cantam
os impossíveis pássaros
a nova primavera
Tocam sinos e levantam voo
todos os cuidados
Ó meu amor nem minha mãe
tinha assim um regaço como este dia tem
E eu chego e sento-me ao lado
da primavera


Ruy Belo

segunda-feira, setembro 24, 2012

O TABAGISMO - A BRUXA DO SÉCULO XXI


CIP PROPÕE MANTER TSU, TAXANDO MAIS TABACO

Redacção, Vanessa Cruz
A Confederação Empresarial de Portugal (CIP), vai propor esta segunda-feira, na reunião da concertação social, que já está a decorrer, que a Taxa Social Única (TSU) baixe na mesma para determinadas empresas e que, como compensação, se aumente o imposto sobre o tabaco, evitando assim tirar rendimento aos trabalhadores.

«Este imposto de 30% sobre imposto do tabaco parece-nos aquela que compensa a descida da TSU naquelas empresas que necessitam dessa descida, não universalizando a medida, porque universalizar a medida implica uma compensação impossível de obter receita», argumentou António Saraiva, à chegada da reunião.

«A CIP aceita aquilo que vise uma melhoria da competitividade das empresas, aquilo que promova crescimento económico, aquilo que promova um maior emprego. Tudo aquilo que não atinja esses objetivos a CIP tem alguma dificuldade em aceitar», concluiu.

Essa medida poderia compensar descida da Taxa Social Única para determinadas empresas, evitando tirar rendimento a trabalhadoresJá a Confederação do Comércio e dos Serviços (CCP) é mais favorável «a alternativas na casa do IRS do que propriamente na retirada de rendimentos ao trabalho», numa solição progressiva e mais equilibrada.

No entanto, frisou João Vieira Lopes, «não simpatizamos em geral com qualquer agravamento da carga fiscal».

Entre os sindicatos, a CGTP não aceita cortar «nem mais um cêntimo» ao rendimento dos trabalhadores e a UGT não aceita que se mantenham dois cortes do 13.º e do 14.º mês para os pensionistas e mais um corte para a função pública, bem como o aumento da TSU para os trabalhadores.

Suíços rejeitam proibição total de fumar em público
Por Redação

O povo suíço foi chamado para responder ao referendo que visava proibir fumar em todos os lugares públicos e decidiu manter a atual lei que permite espaço para os fumadores em pequenos e grandes recintos.

Ainda não existem dados definitivos, mas a projeção indica que, pelo menos, 66 por cento dos cidadãos votaram «não» no que diz respeito à modificação da lei atual.

A lei visava a proibição de fumar em todos os espaços fechados acessíveis ao público, lugares de trabalho e locais de restauração, e especificava ainda que apenas poderiam ser criados «espaços para fumadores» no caso de não haver empregados a servir.

O referendo foi promovido pela «Liga Pulmonar» que pretendia promover o direito à saúde acima da liberdade individual e estabelecer uma norma igual em todo o território suíço, uma vez que atualmente as regiões no país dividem-se quanto a esta lei.

O Governo suíço rejeitou a iniciativa com o argumento de que os cidadãos já es
«You begin saving the world by saving one man at a time; all else is grandiose romanticism or politics.»

CB



The soul lives forever
Always ends sometime
Now I'm alone, alone and cold
Under painted skies
Remembering the love that we came alive
And I can only scream
As a lonely cry
Forever

The summer goes by upon the wind
Goes by as though it has never been
I lift my hand to wipe the tears
The tears 

I just can't go on
Now my love has gone away
Now my imaginary world is fading fast
Dreams I dreamed could never last
I lived my innocence in the past
And my broken heart

The summer goes by upon the wind
Goes by as though it has never been
I lift my hand to wipe the tears
The tears

I just can't go on
Now my love has gone away

The summer goes by upon the wind
Goes by as though it had never been
I lift my hand to wipe the tears
The tears

I just can't go on
Now my love has gone
I just can't go on
Now my love has gone away

Os Dias Bons


Os dias bons são os dias em que se acorda, tendo dormido oito, nove ou, melhor ainda, dez horas e, reflectindo naquela ronha de quem já não consegue dormir mais mas gosta de ficar na cama (porque a temperatura e a companhia são perfeitas), se lembra que não tem nada para fazer, senão tomar o pequeno-almoço, o almoço, o chá e o jantar. E, se quiser, entretanto, nalgum intervalo qualquer, trabalhar, tanto melhor. Mas não importa. Dias de domingos antigos: dias de prazer sem saber. Os dias bons nunca acontecem. Acontecem, quando muito, cinco ou dez mil vezes numa vida. Três míseros anos já têm mais de mil. Domingo, daqui a uma semana, terei a sorte nunca tida de estar casado e feliz com a Maria João há 12 anos. Doze anos cheios de dias bons, impossíveis de contar. O amor, para quem é mais novo e não sabe como fazer, não é uma técnica ou uma táctica. Não há segredo. Não há lições. Ou se ama ou não se ama. Ou se é também amado ou não se é. Esperar é o melhor conselho. Experimentar é o pior. O segredo não é ter paciência: é conseguir manter a impaciência num estado de excelsitude. É como o “nunca mais é domingo”. Se não sentirmos, todos os dias, que nunca mais é domingo, quando chegar o domingo parecer-se-á com outro dia qualquer. Os dias bons não são os que ficam para lembrança. São aqueles que se esquecem, porque se repetem na mais estúpida felicidade mas que, todos juntos, servirão para um dia eu poder dizer “sim, eu já fui feliz”.


Miguel Esteves Cardoso

domingo, setembro 23, 2012

O problema do discurso antipolítico é que derrapa sempre para um discurso antidemocrático. A História no-lo ensina.



when my love comes to see me it’s
just a little like music,a
little more like curving colour(say
orange)
          against silence,or darkness….

the coming of my love emits
a wonderful smell in my mind,

you should see when i turn to find
her how my least heart-beat becomes less.
And then all her beauty is a vise

whose stilling lips murder suddenly me,

but of my corpse the tool her smile makes something
suddenly luminous and precise

—and then we are I and She….

what is that the hurdy-gurdy’s playing

e. e. cummings
 E. E. CUMMINGS
i carry your heart with me(i carry it in
my heart)i am never without it(anywhere
i go you go,my dear;and whatever is done
by only me is your doing,my darling)
                                                      i fear
no fate(for you are my fate,my sweet)i want
no world(for beautiful you are my world,my true)
and it’s you are whatever a moon has always meant
and whatever a sun will always sing is you

here is the deepest secret nobody knows
(here is the root of the root and the bud of the bud
and the sky of the sky of a tree called life;which grows
higher than soul can hope or mind can hide)
and this is the wonder that's keeping the stars apart

i carry your heart(i carry it in my heart)

sábado, setembro 22, 2012





Gurdjieff tinha a atenção consciente e procurava não desperdiçar energias não canalizadas para um propósito. Quando um discípulo chegava, se sentava e tremia a perna ou mexia a mão, Gurdjieff perguntava-lhe porque desperdiçava energia. Quem sabia o que queria não a desperdiçaria.
Para não teres ansiedade, concentra-te em cada tarefa absolutamente. Mesmo a lavar os dentes e a respirar.

Nuvem, Magritte


Eu antigamente era muito nervoso. Eis-me num novo caminho.
Meto uma maçã em cima da mesa. Depois meto-me dentro dessa maçã. Que tranquilidade!

Henri Michaux
[...]
Um sítio chama outro responde
Tolas ruas contentes, oh como a coisa promete
[...]
Pelo meu lado regresso à água do oceano. Adeus
[...]
Ora pois, velho hábito; pouco valho; mas tenho nos dedos
o jeito dos marinheiros de dar doze nós
numa corda e bombordo estibordo
balançar-me nas pernas, gosto disso.
Nas tempestades agarro-me ao grande mastro nu,
ouvido colado, há todo o tipo de ruídos;
entre duas rajadas vejo virem os va-
galhões com as cristas espumadas
e às vezes esta água violenta torna-se tão calma e
como que agonizante, senti-
mo-nos profundamente felizes
se ela apenas se agita com algumas rugas e dobras,
como algo que se aguenta tem-te-não-caias sob uns
velhos olhos benevolen-
tes e sábios de mulher.

Henri Michaux traduzido por Herberto Helder

sexta-feira, setembro 21, 2012

«Somos poucos mas vale a pena construir cidades e morrer de pé.» 
Ruy Cinatti 

Malditas sinapses


Depois da declaração de Paulo Portas contra a TSU, Passos Coelho decidiu demitir-se. O receio de Portugal se tornar igual à Grécia com a abertura de uma crise política levou-o a recuar.
O semanário "Sol" escreve que a coligação governamental tremeu como nunca, mas ontem os dois partidos enterraram o machado de guerra. No domingo, após a declaração de Portas, Passos Coelho disse ao seu círculo político mais próximo de que estava a ponderar a demissão, pois entendia que a discordância pública do líder do CDS lhe retirava autoridade perante o País para continuar a liderar as difíceis medidas de ajustamento orçamental e maior austeridade - e que, ao mesmo tempo, o líder do CDS acabara por destruir a coesão política do Governo.
A indignação sentida pelos responsáveis do PSD perante a "declaração de guerra" do CDS obrigou a uma resposta pública imediata e ainda no domingo, em conferência de imprensa, Jorge Moreira da Silva assumiu que "as declarações do líder do CDS não são indiferentes para a coligação e, porventura, para o próprio Governo". E só o facto de o cenário de demissão de Passos Coelho estar ainda, nesse momento, em cima da mesa terá levado a protelar para quarta-feira à noite a resposta final do PSD.
Perante a iminência de uma crise política, sucederam-se os apelos junto de Passos Coelho para evitar esse cenário a todo o custo, sendo o primeiro-ministro confrontado, pelo seu "Núcleo duro", com o risco de a sua demissão transformar Portugal numa nova Grécia. Tornando o País ingovernável e sem uma alternativa política que oferecesse o mínimo de garantias aos nossos financiadores europeus
- Para analisares objectivamente, tens de pôr os valores de lado. Os valores cegam.
Gosto de pessoas com boa memória. A falta de memória é um sinal de desligamento do mundo e dos outros.
I like to listen. I have learned a great deal from listening carefully. Most people never listen.

Ernest Hemingway
Bukowski era feio (tinha a cara coberta de crateras, há fotografias tenebrosas), tímido, pobre e tinha um pai crudelíssimo.
O seu pai fora o seu grande mentor literário porque lhe ensinara o valor do pain without reason, que procuraria verter para a escrita e que era algo universal e que portanto chegaria a muita gente nas suas páginas. Outra sua influência literária, dizia, era a sua experiência enquanto operário e funcionário dos correios. Aprendera que quando uma pessoa tem uma jorna estupidificante que mói o corpo e que faz chegar a casa só com vontade de se estirar, que quando uma pessoa tem essa experiência não tem paciência para adornos literários - que identifica imediatamente uma frase que não é verdadeira. Transportaria isso para a escrita libertando-se de toda a quinquilharia literária e procurando frases-verdades-que-gritam, sem quaisquer pretensiosismos.
Perdeu a virgindade com 24 com uma prostituta obesa e velha, que acabaria por partir a cama e adormecer, e antes de ser famoso, viveu muito tempo sem que as mulheres lhe ligassem peva.
Depois de famoso, entregou-se a viver o que não vivera e a conhecera o que não conhecera. Linda, a mulher que o acompanharia até ao final da vida, disse compreender dando-lhe por isso liberdade para completar o seu research. Fartar-se-ia e voltaria para ela. Linda acertara.
O problema da sua vida, explicou, é que as «young ladies with tight pussies came too late».
Ainda assim, era devoto da mulher. Achava que ao contrário dos homens, obcecados por cus e mamas, uma mulher, mesmo «que sejas feio desde que tenhas alguma coisa boa para lhe dar, ela pode gostar verdadeiramente de ti».
Quanto mais razões de queixa da vida, mais uma pessoa se torna cruel. O resolvido raramente deseja o mal.

Informação é poder

Quando lhe telefonei a comunicar uma morte de uma pessoa em comum:
- Angel, tu és impressionante. Sabes sempre as notícias em primeira mão, fresquinhas, ainda se nota o cheiro da tinta.
Nunca fala comigo sem me perguntar:
- E novidades? Que contas? Novidades de A, B, C? E de D não sabes nada? Que tens para me contar? Alguma coisa bombástica?
Está sempre a tentar sugar informação. Mesmo perante notícias que deixariam uma pessoa normal contristada, a sensação dele é já-tenho-mais-uma-informação.
Antes de sair de um sítio, dá sempre voltas e voltas a observar as pessoas. Procura sempre saber no trabalho quem almoça com quem, quem corteja quem.
Nas segundas, quer sempre saber quem saiu, com quem, para que sítio e até que horas.
Está permanentemente a observar.
Até as conversas da mesa do lado escuta.
Quando me telefona, pergunta sempre:
«Que andas/estás a fazer?»
Às vezes, brinco com ele:
«Já sabes...»
Mediante estas duas palavras, fica ansioso, incompleto, sôfrego.
«Conta, conta, conta», diz velozmente.

O superherói (sem hífen para não soar a Marvel)

O superherói não tem problemas. O superhéroi não partilha problemas. O superherói não deixa ninguém chegar perto da sua intimidade. O superherói nunca teve um pesadelo. Nunca contou uma fraqueza. Nunca narrou uma história em que no final fosse ridículo, idiota. Não. Nas suas histórias, todos eram parvos, idiotas - menos ele. As suas histórias são muito entendiantes. Já se sabe que no final ele resolveu o que parecia impossível. O superherói nunca tem chatice na vida que não resulte da estupidez ou malvadez alheia.O superherói ajudou toda a gente. O superherói modificou toda a gente O superherói não tem um par. O superherói afasta todo aquele que não o idolatre ou o critique ou não assimile acriticamente tudo o que diz - o superherói afasta todo aquele que não sinta a relação como vertical procurando horizontalizá-la. O superherói fomenta a imitação O superherói nunca fala do que não sabe - e desvaloriza tudo o que não sabe como «trivialidades». O superherói nunca deixa de ajudar - se não pode é porque está a ajudar outro.

- Angel, estive três dias sem dormir a acabar um trabalho. Tudo porque aqueles idiotas iam demorar seis meses a fazer isto e o prazo estava a apertar.
- Tive de estar a explicar a lei ao advogado.
- Não vou a médicos. Da última vez, tive de explicar ao médico os medicamentos que me devia receitar, Angel.
- Ela era boa para ti.
 «Então e para ti?», perguntam-lhe.
- Não, para mim, não.
(Ou simplesmente faz um sorriso altivo com o seu arzinho superior.)
All that you've loved is all you own.

Tom Waits

the suicide kid

by Charles Bukowski

I went to the worst of bars
hoping to get
killed.
but all I could do was to
get drunk
again.
worse, the bar patrons even
ended up
liking me.
there I was trying to get
pushed over the dark
edge
and I ended up with
free drinks
while somewhere else
some poor
son-of-a-bitch was in a hospital
bed,
tubes sticking out  all over
him
as he fought like hell
to live.
nobody would help me
die as
the drinks kept
coming,
as the next day
waited for me
with its steel clamps,
its stinking
anonymity,
its incogitant
attitude.
death doesn't always
come running
when you call
it,
not even if you
call it
from a shining
castle
or from an ocean liner
or from the best bar
on earth (or the
worst).
such impertinence
only makes the gods
hesitate and
delay.
ask me: I'm
72.

Ofícios

As profissões exigem conhecimento e experiência. Mas há duas que a humanidade, particularmente os Portugueses, se sente habilitada a julgar e a executar. Todos podem ser poetas e treinadores de futebol (desde que acompanhem vagamente os jogos). E também, numa escala menor, políticos, psicólogos e jornalistas.

Poetas, poetas, todos são poetas, todos podem ser poetas, todos - mesmo os que nunca leram poesia - podem cagar poemas. (É um ofício de anos e anos e anos de ler, escrever, ouvir, treinar o olhar, de degustar as palavras na boca, de arquitecturar com régua e compasso o mais frágil dos edifícios em que uma palavra a mais o desaba: a poesia, de de observar cada instante como se fosse um instante poético.)


quinta-feira, setembro 20, 2012

Dos humanamente baixinhos

Quando o amigo se tornou rico e famoso, trocou o «abraço» no final das missivas por «abraço deste amigo que te adora».

terça-feira, setembro 18, 2012

But Mousie, thou are no thy-lane, 
In proving foresight may be vain: 
The best laid schemes o' Mice an' Men, 
Gang aft agley, 
An' lea'e us nought but grief an' pain, 
For promis'd joy!

Robert Burns

Escritora recusa-se a receber prémio de Passos Coelho

por Lusa, publicado por Ricardo Simões FerreiraHoje
Maria Teresa Horta
Maria Teresa HortaFotografia © João Girão/Global Imagens

A escritora Maria Teresa Horta, distinguida com o Prémio D. Dinis pelo romance "As Luzes de Leonor", disse hoje à Lusa que não o aceita receber das mãos do primeiro-ministro, conforme o previsto.

A entrega do Prémio D. Dinis esteve agendada para a próxima sexta-feira, numa cerimónia com a presença do primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho.
"Na realidade eu não poderia, com coerência, ficar bem comigo mesma, receber um prémio literário que me honra tanto, cujo júri é formado por poetas, os meus pares mais próximos - pois sou sobretudo uma poetisa, e que me honra imenso -, ir receber esse prémio das mãos de uma pessoa que está empenhada em destruir o nosso país", explicou Maria Teresa Horta à Lusa.
"Sempre fui uma mulher coerente; as minhas ideias e aquilo que eu faço têm uma coerência", salientou a escritora que acrescentou: "Sou uma mulher de esquerda, sempre fui, sempre lutei pela liberdade e pelos direitos dos trabalhadores".
Para Maria Teresa Horta, "o primeiro-ministro está determinado a destruir tudo aquilo que conquistámos com o 25 de Abril [de 1974] e as grandes vítimas têm sido até agora os trabalhadores, os assalariados, a juventude que ele manda emigrar calmamente, como se isso fosse natural".
A autora afirmou que "o país está a entrar em níveis de pobreza quase idênticos aos das décadas de 1940 e 1950 e, na realidade, é ele [Passos Coelho], e o seu Governo, os grandes mentores e executores de tudo isto".
"Não recuso o prémio que me enche de orgulho e satisfação, recuso recebê-lo das mãos do primeiro-ministro", deixou claro Maria Teresa Horta.
A escritora disse que já informou a Fundação Casa de Mateus da sua decisão, assim como a sua editora e falou com cada um dos membros do júri.
A premiada salientou ainda a "satisfação" que lhe deu ter sido distinguida "por um júri que representa três gerações de poetas: o Vasco Graça Moura que é da minha [geração], o Nuno Júdice, que é da seguinte, e o Fernando Pinto do Amaral, que é a mais nova".
No sítio da Fundação Casa de Mateus, na Internet, é afirmado que "a sessão solene de entrega do Prémio será agendada brevemente".
O Prémio Literário D. Dinis, instituído pela Fundação da Casa de Mateus, foi atribuído por unanimidade à escritora, pela obra "As luzes de Leonor. A marquesa de Alorna, uma sedutora de anjos, poetas e heróis", editado pelas Publicações D. Quixote.
"Não recuso o prémio que me enche de orgulho e satisfação, recuso recebê-lo das mãos do primeiro-ministro", deixou claro Maria Teresa Horta.
Instituído em 1980 pela Fundação Casa de Mateus, em Vila Real, o galardão é atribuído a uma obra literária - de poesia, ensaio ou ficção - publicada no ano anterior ao da atribuição do prémio.
"As Luzes de Leonor", obra editada em 2011, é um romance sobre a vida da marquesa de Alorna, Leonor de Almeida Portugal de Lorena e Lencastre (1750-1839), neta dos marqueses de Távora, uma mulher que se destacou na história literária e política de Portugal num período denominado como "o século das luzes".
D.ª Leonor de Lorena e Lencastre é avó em quinto grau de Maria Teresa Horta, nascida em 1937, em Lisboa.
Maria Teresa Horta estudou na Faculdade de Letras de Lisboa, foi jornalista e ativista do Movimento Feminista de Portugal, com Maria Isabel Barreno e Maria Velho da Costa, com quem escreveu o livro "Novas Cartas Portuguesas".
"Amor Habitado" (1963), "Ana" (1974) e "O Destino" (1997) contam-se entre mais de duas dezenas de obras publicadas da escritora.



I´ll never tell you of all the different ways
you make me so afraid

RS

Grafito. (Clicar para aumentar.)


segunda-feira, setembro 17, 2012

Períodos de leitura intensa quando podes para precaver os momentos em que a vida te exige isto e aquilo e não tenhas tempo.
Mário Castrim dizia: Sou chulo intelectual dos meus dezanove anos.

Sermon On The Mount


Preconceitos

Uma flama enorme e coruscante acendia-se, agigantava-se e bailava-se-lhe no peito sempre que ouvia a palavra «transgressão».

sábado, setembro 15, 2012

«Talvez tenhas medo do que possa acontecer se te entregares, medo de te permitires chorar e depois não conseguires parar, de que a dor seja tão avassaladora que te aniquile por completo, e, como não queres correr o risco de perder o controlo de ti mesmo, abafas a dor, engole-la, enterra-la bem fundo no coração.»

Diário de Inverno, Paul Auster
«Laconismo - referia-se o termo a um velho hábito imputado aos homens de Lacónia (os Lacodemónios) de só falarem ou escreverem dentro de um sistema de acrologia muito especial. Tudo neles era breve, conciso, na exposição oral ou escrita. Não tardaram os Atenienses, sensíveis aos hábitos alheios, a imitar o povo da Lacónia, a princípio não passando da linguagem a imitação. Mas, pouco e pouco, foi-se generalizando aos costumes e instituições estrangeiras. Foi quando se criou o verbo laconizar para dizer dessa tendência que eles, os puritanos, tinham por malsã, reconhecendo-se nela uma espécie de adesão a fórmulas ou sistemas políticos alienígenas.»

Dicionário de Questões Etimológicas