segunda-feira, agosto 06, 2012
- Desde pequenina, vi várias pessoas próximas morrerem junto de mim, o meu avô morreu nos meus braços. É menos assustador do que se possa pensar. Há uma grande serenidade na morte. Todos morreram com uma tranquilidade espantosa. O meu avô, ao morrer, parecia que se emanava uma benigna luz pela sala, não sou crente, estou à vontade para o dizer, há uma irradiação de paz infinita e de todos os bons sentimentos na morte - eu vi isso acontecer seis vezes. Se leres ou ouvires os relatos de quase morte, todos falam numa profunda felicidade, tranquilidade e libertação. Pensar na morte, evocar estas experiências que vivi ajuda-me a perceber a nulidade da inveja, da mesquinhez, a absoluta ausência de sentido da disputa. Por vezes, faço um pequenino jogo que é pensar em alguém, o que pode acontecer olhando aleatoriamente para um nome no meu telemóvel, e pensar que ele ou ela morreu, pensar vivamente nisto. Sabes quando lês que determinada figura morreu e tu de repente lembras-te de uma simpatia escondida que vai crescendo. Isso ajuda-te a concentrar na pessoa. Eu tento fazê-lo para pessoas que estão vivas, imaginando durante 2, 3 dias que determinada pessoa que conheço morreu. Isso aproxima-me imenso dela, ando com ela durante dias, e depois acontece sempre que a trato melhor; é muito... É uma coisa muito minha, mas que acho que outros deveriam... pelo menos, tentar.
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1 comentário:
Eu já tentei isso mas não funciona. As pessoas que não são carinhosas em vida, continuam frias (ainda mais!) depois da morte.
Cristina
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