terça-feira, agosto 28, 2012

De como o Homo Economicus nos conduz à barbárie e às castas


Espanha: fim do apoio médico a imigrantes ilegais (Expresso)

Vários médicos estão contra esta medida, que entra em vigor no sábado, e prometem continuar a prestar cuidados médicos. Governo espanhol estima poupar 500 milhões de euros
Mais de 153 mil imigrantes ilegais em Espanha vão perder a partir de 1 de setembro o seu cartão de saúde, medida que o Governo espanhol estima que resultará em poupanças de 500 milhões de euros. A partir de sábado, os imigrantes irregulares passam a ter direito exclusivamente aos serviços de urgência, apoio na maternidade e cuidados médicos até aos 18 anos.
A polémica medida, fortemente contestada por organizações de apoio ao imigrante e por alguns partidos políticos, à esquerda, insere-se no conjunto de mudanças que o Governo aprovou para, segundo explica, garantir a sustentabilidade do sistema de saúde público.
Vários médicos declararam-se já contra a medida, prometendo continuar a prestar cuidados médicos aos imigrantes que poderiam, para aceder ao sistema, ter que pagar 710 euros anuais.

Algumas regiões autónomas estão contra


Uma proposta polémica fortemente contestada pela oposição, que refere que a cobrança de uma taxa mensal de 59,20 euros por cada imigrante com menos de 65 anos - que aumenta para 155,4 euros mensais para os maiores de 65 - é mais elevada do que a cobrada por vários seguros privados de saúde.
O Governo defende as mudanças no sistema de saúde, recordando que a dívida acumulada do sector é de 16 mil milhões de euros, mas a sua implementação não será unânime em todas as regiões autónomas espanholas, que têm a competência no sector.
É o caso do País Basco, Andaluzia, Astúrias e Catalunha - que não aplicarão a medida - e outras comunidades, como Navarra, que pretendem usar medidas como determinar a capacidade de os imigrantes pagarem ou não o serviço.
Dados do Instituto Nacional de Estatística espanhol referem que a população estrangeira em Espanha é de 5.711.040 pessoas, sendo que os que têm autorização de residência, segundo o Ministério de Emprego, é de 5.251.094. O número de cidadãos não registados é assim de 459.946, ainda que a maioria (mais de 306 mil) seja procedente da União Europeia, pelo que não têm obrigação de inscrever-se.
Assim, e segundo as estimativas, a medida do sector da saúde poderia afetar mais de 153 mil pessoas que, até aqui, tinham acesso ao sistema por estarem simplesmente registados no "padrão" municipal.

Contas não batem certo


O Governo estima que as poupanças de 500 milhões têm em conta quer o caso de imigrantes a residir em Espanha quer os gastos como "os seus familiares que viajam para Espanha apenas para ter cuidados de saúde".
Dados que contrastam, porém, com os valores oficiais que estimam que o custo médico por habitante em Espanha é de 1.600 euros. Ou seja, multiplicando pelos 153 mil imigrantes daria um saldo de apenas 245 milhões, menos de metade do valor estimado pelo Governo. 

2 comentários:

LL disse...

Um retrocesso gigantesco.
É perfeitamente absurdo.
Pergunto-me onde irá parar a Europa com tanta imbecilidade...

Anónimo disse...

Espanha, como estado que funciona ´federal'/regionalmente, é sempre assim: o governo central, Mdrid, pode mandar o que quiser, mas na sua terra, cada um apenas segue o que lhe apetece ,,, alguns por pirraça histórica quase sempre em contra de 'madrid'