Como me posso queixar de trabalho quando tanta gente desempregada. Podia fazer uma lista das coisas que me enfurecem e entediam. Mas como me posso queixar quando tanta gente sem fazer o que gosta (cada vez mais jovens sem saber o que gostariam de fazer), quando tanta gente nunca questionou se o trabalho que faz é útil para alguém. Aquele publicitário que só queria vender mais e mais e mudava de empresa e o inimigo de ontem era o amigo de hoje e vice-versa. E um dia deixou tudo, concluindo que toda a sua ansiedade e noites sem dormir não revertiam para nada a não ser para lucrar os bolsos do patrão A com prejuízo para os bolsos do patrão B. Tanta gente com trabalhos para os quais o cérebro não é convocado. Automatismos, comas cerebrais, pessoas-robotizadas.
O senhor do café, maneta, há vinte anos que não o via. Continua no mesmo sítio. Continua com o mesmo patrão a humilhá-lo à frente de todos.
O senhor da feira popular, vi-o com intervalo de décadas também, de manhã à noite a relatar a corrida de carros: o 3 ultrapassa o 1, o 2 ultrapassa o 5. Só o verbo «ultrapassar» e números. Imaginas o que seja isto doze horas por dia, dias após dia, tarde, após tarde, noite após noite, multiplicado por vinte, trinta anos?
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3 comentários:
Muitas pessoas tiveram oportunidade para ir mais avante e ficaram-se por menos. De facto, há muita gente que deriva prazer de trabalhos mais manuais e menos intelectuais. Era nisto que o governo devia pensar em vez de obrigar os adolescentes a estudarem até aos 18 anos. Como sempre o pensamento de esquerda insiste na visão do homem perfeito, que nada tem que ver com a realidade e acaba por prejudicar ainda mais aqueles que diz defender. É também óbvio que os governantes nunca pisaram o chão de um bairro social.
Cristina
Cristina, já se percebeu: a esquerda é a origem de todos os problemas. E a seguir?
A seguir, quanto todos aceitarem a fraude que a esquerda é, então o mundo poderá avançar mais depressa, porque não se perderá tanto tempo a corrigir os seus erros.
Cristina
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