segunda-feira, julho 09, 2012

- Para uma pessoa da minha geração, a instantaneidade que há no contacto é algo desumanizante. Já não há o ter saudades de alguém e escrever uma longa carta. No meu tempo, demorava-se mais tempo a ir de Lisboa ao Porto ou a Faro do que hoje a África. Cheguei a demorar 32 dias com 1200 pessoas a chegar a Moçambique. Hoje, é tudo imediato. Perdeu-se algo nas relações humanas. E na relação com o conhecimento. O não estar tudo à mão obrigava-nos a procurar, investigar. Hoje, perdeu-se a reflexão profunda, a filosofia deixou de ser um objecto de interesse porque não é imediato, pensa-se que o que está na wikipédia basta, criou-se a ilusão do conhecimento total e imediato à distância de um clique. Qualquer um pode editar conhecimento sobre os assuntos mais complexos, alguns que levam uma vida a estudar. Só o estímulo facilmente satisfeito interessa. E isso afasta-nos das coisas espiritualmente elevadas.

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