sábado, junho 23, 2012

- Tu achas que eu tenho «uma pulsão de extrema-direita». Eu de facto era capaz de integrar uma milícia que linchasse um pedófilo. Mas desde pequenina, antes de ler Nietzsche, que sou assim. A raiva que uma pessoa tem dentro de si tem ser deitada cá para fora, antes que expluda. E eu prefiro de cada vez que me irrito ser violenta, até fisicamente, do que guardar tudo para um dia... Às vezes, uma pessoa precisa de cuspir. É assim que eu leio Nietzsche na sua misoginia e no seu anti-semitismo. Precisa de cuspir a raiva. Eu se for assaltada, e tu sabes que não sou racista, sou capaz de gritar «Preto de merda». A diferença é que o Nietzsche cuspia para o papel e o cuspo ficou lá. Mas basta ele ter amado e por isso odiado a cabra Salomé para ter necessitado de cuspir na escrita contra as mulheres em momentos de raiva. É mais fácil quando se está na merda encontrar um objecto de culpa do nosso mal-estar, um inimigo, um factor externo. Às vezes, pode ser a humanidade inteira como no caso do Charles Manson ou de certos defensores dos direitos dos animais. Mas que pretende racionalizar, tentar iludir-se com alvos mais concretos, pode facilmente cair na extrema-direita. Ou na extrema-esquerda. É a necessidade de encontrar bodes expiatórios para a sua infelicidade, tristezas e traumas. Ou tão-somente um rumo para a falta de rumo.

1 comentário:

speauneum disse...

A extrema-direita só existe porque há pais incapazes de dar uma boa infância aos filhos.