Passou a anos a falar da colega de trabalho que lhe infernizava o trabalho. A vida, em certa altura. Mesquinha, autoritária, intriguista, carreirista, cabra. (Que episódios contava, até tinha vontade de ir lá ao escritório.)
E de repente:
- A minha raiva curava-se se eu estivesse no lugar do namorado dela.
Fiquei boquiaberto.
- Sim, melhor do que ela não há.
Lembrei-me das patifarias de Hemingway a Fitzgerald, dos escritos contra a sua escrita, da depreciação de tudo que Scott escrevia. Gertrude Stein, amiga de ambas, conselheira e protectora de ambos, disse que Hemingway tinha uma pedra no sapato contra o talento de Scott Fitzgerald
E um dia, em letras mais pequenas, numa catilinária contra ele, deixa escapar:
«O seu talento era tão natural como os desenhos do pólen formados nas asas de uma borboleta.»
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