terça-feira, junho 19, 2012

- O amor incondicional é mirífico, Angel. Implica muitas coisas inviáveis. Primeiro, a sobreposição do eu ao outro - o que concedo, mas que acho raríssimo a não ser numa relação filial descendente. Segundo, porque há mais pessoas e se coincidir, como é? Se forem três irmãos e a mãe tiver de doar um órgão vital, como é o incondicional aos três? Por mais que se queira, pensamos sempre mais nos nossos problemas do que no de outra pessoa específica. Terceiro, porque filosoficamente, ama-se uma pessoa pelo que é - e se ela mudar? Já é condicional? Ou ama-se independentemente daquilo em que ela se torne? Mas então não se ama pelo que é, ama-se o ser, a alma abstracta? E se essa pessoa nos odiar, for ingrata, ressentida - é que o amor incondicional é gratuito e por isso intocado por essas coisas? Mesmo que esse objecto de amor incondicional nos pegue fogo à casa? Se assim fosse, ninguém cobrava quando amava, ninguém ficava triste por se o amor fosse falho em reciprocidade.

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