Numa noite etílica, ele falou-me da morte do irmão.
- Ele caiu da janela e eu tentei ampará-lo, não consegui, passei dez anos a pensar se não fui algo cobarde e se não o poderia ter evitado. Quando ele morreu, eu morri também. Fiquei dois anos fechado num quarto, sem trabalhar, a pensar se poderia de alguma forma terminar a vida fazendo um balanço feliz. Entretanto, ia prejudicando os meus alunos e familiares. Achei que a vida não fazia sentido porque não poderia acabá-la com a sensação de ter sido... só se salvasse duas vidas. Mas era o meu irmão. Eu morri naquela queda. Sou um cadáver com um copo permanentemente na mão.
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