Miguel Sousa Tavares diz que na sua casa se discutia muita política. O pai debitava conhecimento, estatísticas, números, factos, discursos, correlações, padrões passado-presente, contradições. A mãe avaliava os políticos pela sensibilidade - gosto da cara dele, não gosto da cara dele. Parece que a mãe intuía muita coisa, que as suas prospectivas se concretizavam. Conclui que é preciso conhecimento, factualidade - mas em doses não menos importantes: sensibilidade.
Muitas pessoas argumentam na base do facto - e isso deixa tanto de fora. A intuição. A perspectiva oriental, feminina é tão ou mais importante do que a análise cartesiana.
Quantas vezes ouço planos de negócios infalíveis, impossíveis de desmantelar e dizer: «Isso vai falhar», mas tendo a convicção íntima de que irá. Ou políticos retóricos com argumentos irrespondíveis que sabemos pela fácies estarem a levar-nos para algo pior. Ou comerciais que vendem produtos que temos mesmo racionalmente de adquirir - mas que sentimos por instinto que não o devemos fazer.
Lembro-me da lógica implacável dos comunistas bacteriologicamente puros retratados por Koestler. Sabemos que é tudo lógico e certo e algo nos repele - não aceitamos aquilo.
De resto, o mais importante na vida, coisas como «Porque é que devemos defender os direitos humanos?» nunca encontrarão um respaldo racional. Adere-se ou não se adere.
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