Famosos e contactos. Foda-se. Não percebo. Quase todos ligam a isso. Ele, ela tem «muitos contactos». Que mundo tão afastado do ser. O fascínio pelas figuras públicas - cruzei-me com tantas na vida por acaso, tropecei em tantas, fiquei amigo de algumas. Nunca as vi de forma diferente. São rigorosamente iguais - uma obviadade, um truísmo, algo ridiculamente banal, mas que não se infunde na maioria das pessoas. Bastantes são até inferiores e como inferiores as olhei quando falámos.
«Eu conheço o filho do», «Eu sou amigo do», «Já estive em casa de». Não entendo. Nunca entendi. Kundera dizia que tais pessoas sentiam-se como que tocadas pelo manto da imortalidade quando estava ao pé d´Elas.
É um exercício tão fútil, tão «transaccional» - a figura pública pode «abrir portas». E até se pode subir na horizontal. O culambismo ante a fama, o poder, o dinheiro. A figura pública não se desloca - vai-se ter com ela com um lastro de baba pelo caminho. A figura pública assusta-nos quando ouvimos a sua voz na mesma sala. A figura pública não defeca. A figura pública namora A e B, sabias, Angel? Foda-se, o que é isso me interessa. E o Ronaldo... e a namorada do Saviola... Por amor da santa, pára, muda de assunto. Ou muda de não-assunto para assunto.
«Angel, sabes quem é estava no cinema? O...» Então, não olhes para ele, é um acto cívico deixar qualquer eu ter a sua privacidade sem o escrutínio constante de mil olhos.
«Angel, sabes que o Passos Coelho ligou ao...?»
Mas o Passos Coelho é um inculto, sem lábios, de pose estudada, impreparado, artificial, formalíssimo e que está a prejudicar tanto tanta gente. Não é mais do que isso.
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8 comentários:
Velho dos Marretas 1: Lembras-te quando esta tasca pululava de comentários, de intrigas, de polémicas e até de insultos?
Velho dos Marretas 2: Lembro.
Velho dos Marretas 1: Lembras-te quando esta tasca era inundada de mulheres carentes, famintas de uma qualquer pseudoafectividade, de uma palavra sensível e quiçá mais romântica?
Velho dos Marretas 2: Lembro.
Velho dos Marretas 1: Olha lá, como é que chama o gajo que está à frente desta espelunca?
Velho dos Marretas 2: Lembro.
Por acaso, tenho andado a pensar nisso... Lembro-me tão bem quando o Sr João causava subidas de humidade no baixo ventre que se sentiam no ímpeto com que várias moças defendiam uma personagem especial anónima, criada só para ele...
Agora, isto anda calminho, civilizado, e agora aparece mais um anónimo estranho. Pois bem, aparentemente é esquizofrénico e uma das personalidades diz sempre a mesma palavra.
Velho dos Marretas 1: Queres gelado de framboesa com a sopa?
Velho dos Marretas 2: Lembro.
(coitado, o anónimo terá tido uma infância infeliz, calculo que os pais dele só o deixassem ver a Rua Sésamo, mas ele queria sempre ver os Marretas...)
Conta lá, além dos traumas de infância, qual é o problema da tasca? Não sei por quê, mas não imagino um belo par de roliças tetas por trás dos Velhos dos Marretas (tampouco de mirradas e horrendas), e pareces chateado com o Sr João.
Sabes o que eles dizem por aí, não se sabe ao certo quando é que ele nasceu, por onde anda, como é que ele volta atrás no tempo, como é que ele escreveu as letras para os The Cure, como é que encontraram uma carta que Napoleão lhe havia escrito, não sabem nada, é tudo um mistério...
De qualquer maneira, considera-te bafejado pela sorte se, apesar de com ele não falares, tiver chegado até ti um pouco da sua essência no seu néctar criativo, ainda que através de uma terceira pessoa.
Porque ele é mesmo um gajo muito porreiro!
Só se asseverou um facto, não se formulou qualquer juízo de valor, lembro.
Velhos dos Marretas
Velhos dos Marretas... Pois, as línguas viperinas adivinham-se antes dos dois pontos.
Mas estive a ler umas coisas, e descobri como os dois velhos dos marretas ficaram para a história por terem sido o primeiro casal homossexual a registar a crossed jerk-off, desenvolvida enquanto desenvolviam uma paixão voyeurista pelo sapo cocas... (curiosamente, acabaram por se casar, mas não foram o primeiro casal homossexual de figuras infantis da história, foram ultrapassados pelos estranho casamento entre a Miss Piggy e a Pucca)
Isto, relacionado com saudades de palavras sensíveis, quiçá românticas... Foi só somar dois e dois...
Há, agora, pessoas ansiosas por palavras à espera do teu lado mais profundo (e vivemos no século xxi, o facto de serem do mesmo sexo não é assim tão relevante...)
Sr João, desde que venho à tasca, vejo que tod@s te adoram. Fantástico!
A minha língua é santa.
Velhos dos Marretas
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